
Há exatos 40 anos, numa quarta-feira, 29 de outubro de 1986, a torcida do Palmeiras fez no Pacaembu o que ninguém esperava: assumiu o apelido que os rivais usavam para provocá-la. Durante a vitória por 1 a 0 sobre o Santos, pelo Campeonato Brasileiro, as arquibancadas cantaram “Porco” em coro pela primeira vez. A ofensa virou grito de guerra, e o grito virou o símbolo mais popular do clube.
O momento foi registrado ao vivo pelo rádio. “A torcida do Palmeiras canta Porco!”, espantou-se o narrador José Silvério, na transmissão de rádio. O canto que ecoou a partir daquela noite atravessou gerações: “Dá-lhe Porco, dá-lhe Porco, olê, olê, olê”.
O jogo daquela quarta-feira
O clássico tinha peso na tabela. O Palmeiras venceu com gol de Mirandinha, aos 32 minutos do segundo tempo, depois de o goleiro Martorelli defender um pênalti de Ribamar ainda na primeira etapa, no gol do lado do tobogã. O resultado deixou o time na liderança do Grupo I do Brasileirão de 1986.
Mas a história daquela noite não ficou no placar. O clube vivia um jejum de títulos desde 1976, e a torcida encontrou no apelido uma forma de reagir à gozação dos adversários. Em vez de se ofender, passou a provocar de volta.
Do xingamento ao mascote
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1969 A frase O presidente do Corinthians, Wadih Helu, chama de "espírito de porco" o voto do Palmeiras contra a inscrição de dois jogadores fora do prazo
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1969 a 1986 O xingamento "Porco" vira a provocação padrão das torcidas rivais contra o Palmeiras
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1983 A ideia O diretor de marketing João Roberto Gobbato propõe assumir o porco como símbolo e encontra resistência na diretoria
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29/10/1986 O grito No Pacaembu, durante o 1 a 0 sobre o Santos, a torcida canta "Porco" pela primeira vez
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Novembro de 1986 A capa Jorginho Putinatti posa com um porco no colo para a capa da revista Placar
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2016 O mascote O Porco vira mascote oficial do clube, com o nome de Gobbato, ao lado do Periquito
De onde veio o “porco”
A ofensa nasceu nos bastidores do futebol paulista, em 1969. Depois que dois jogadores do Corinthians morreram num acidente de carro, o clube pediu à Federação Paulista para inscrever substitutos fora do prazo. O Palmeiras foi o único a votar contra, e o presidente corintiano, Wadih Helu, classificou a atitude como “espírito de porco”. A expressão foi parar nas arquibancadas e virou provocação por quase duas décadas. A origem completa do apelido está no guia da Enciclopédia do Portal.
A ideia de Gobbato e a capa da Placar
A virada tinha um autor. Desde 1983, o diretor de marketing João Roberto Gobbato defendia que o clube assumisse o porco como símbolo. A ideia encontrou resistência na diretoria do presidente Paschoal Giuliano, mas Gobbato levou a campanha adiante com os torcedores das organizadas, os mesmos que puxaram o canto no Pacaembu. A história das torcidas do Palmeiras passa por esse momento.
Na semana seguinte ao clássico, a revista Placar transformou o episódio em capa. O meia Jorginho Putinatti, ídolo do time, posou com um porco no colo, trazido de uma fazenda em Limeira. A imagem ajudou a consolidar o apelido como marca do Palmeiras.
Do grito ao mascote oficial
O reconhecimento oficial veio 30 anos depois. Em 2016, o Porco virou mascote do clube, batizado de Gobbato em homenagem ao diretor que teve a ideia. Desde então, o Palmeiras é o único grande do país com dois mascotes oficiais: o Periquito, símbolo histórico, e o Porco. Os dois entram juntos no gramado do Nubank Parque em todos os jogos como mandante. No ano passado, o Portal já tinha contado a história dos 39 anos da adoção.
Quatro décadas depois, o apelido acompanha a fase mais vitoriosa da história do clube. O Palmeiras de 1986 vivia um jejum que só terminaria em 1993. O de 2026, com Abel Ferreira, chega a novembro vivo no Brasileirão, na Copa do Brasil e na Libertadores, embalado pelo mesmo “Dá-lhe Porco” que nasceu naquela noite no Pacaembu.
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