
O domínio do Palmeiras nos clássicos de 2020 a 2025 muda de tamanho conforme o rival e a competição. Contra o Santos, o aproveitamento foi de 73,7%; diante do Corinthians, 49,3%; contra o São Paulo, 48,9%. Mas, quando entram apenas os jogos do Campeonato Brasileiro, Santos e Corinthians ficam empatados em 66,7%, e o São Paulo aparece próximo, com 61,1%.
O cruzamento do Data Palestra reúne 74 partidas contra os três rivais paulistas entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2025. A comparação com os anos 2010 revela outra diferença: o Palmeiras melhorou contra Santos e Corinthians, enquanto o aproveitamento geral diante do São Paulo caiu.
Há duas perguntas distintas nessa conta. Uma é saber como o Palmeiras se saiu em todos os encontros com cada rival. A outra é comparar os adversários dentro de uma mesma competição. Elas produzem retratos diferentes porque o calendário inclui quantidades distintas de jogos estaduais, nacionais e continentais.
O peso do Santos no retrato geral
Contra o Santos, foram 13 vitórias, três empates e três derrotas em 19 jogos, com 28 gols marcados e 14 sofridos. O Palmeiras venceu mais de dois terços dessas partidas. O histórico do clássico com o Santos tem outros períodos e episódios; aqui, o foco está nos seis anos encerrados em 2025.
O Dérbi teve mais equilíbrio: nove vitórias palmeirenses, dez empates e seis derrotas em 25 partidas, com 31 gols feitos e 21 sofridos. No retrospecto contra o Corinthians, o empate foi mais frequente que a vitória de qualquer lado nesse intervalo.
Diante do São Paulo, o Palmeiras venceu 11 vezes, empatou 11 e perdeu oito em 30 encontros. Marcou 31 gols e sofreu 22. As médias gerais de aproveitamento de Dérbi e Choque-Rei ficaram separadas por apenas 0,4 ponto percentual, apesar das diferenças no número de partidas e na distribuição das competições.
No Brasileiro, Corinthians e Santos ficam iguais
Olhar só a mesma competição encurta bastante a distância. Contra o Corinthians no Brasileiro, foram sete vitórias, três empates e duas derrotas em 12 partidas. Contra o Santos, seis vitórias, dois empates e duas derrotas em dez. Pela conta de três pontos por vitória e um por empate, os dois conjuntos resultam em 66,7%.
O 4 a 0 sobre o Corinthians em 18 de janeiro de 2021 entra na conta do Brasileiro. Embora tenha sido disputado em 2021, o jogo pertence à edição de 2020, um exemplo de por que a data da partida precisa ser diferenciada do nome da temporada.
O São Paulo também deixa o Palmeiras acima de 60% nesse filtro: seis vitórias, quatro empates e duas derrotas em 12 jogos, ou 61,1%. Assim, a diferença de quase 25 pontos percentuais entre Santos e São Paulo no total cai para 5,6 pontos quando são considerados apenas os encontros do Brasileiro.
Os três conjuntos de jogos não têm exatamente o mesmo número de partidas. Por isso, a igualdade de aproveitamento entre Santos e Corinthians não significa igualdade de vitórias ou de calendário. Ela expressa a mesma proporção de pontos conquistados nos jogos efetivamente disputados.
Paulista e copas alteram a comparação
No Campeonato Paulista, o contraste é maior. Contra o Santos, o Palmeiras teve seis vitórias, um empate e uma derrota em oito jogos: 79,2%. Diante do Corinthians, duas vitórias, sete empates e duas derrotas em 11 jogos: 39,4%. Contra o São Paulo, foram três vitórias, cinco empates e três derrotas em 11: 42,4%.
A história recente do Choque-Rei também inclui quatro partidas de Copa do Brasil nesse intervalo. O Palmeiras venceu uma e perdeu três, aproveitamento de 25%. São apenas quatro jogos; o número ajuda a descrever a composição do retrospecto, sem definir sozinho uma tendência duradoura.
Uma goleada decisiva pode conviver com um conjunto equilibrado. O 4 a 0 sobre o São Paulo na final paulista de 3 de abril de 2022 faz parte da análise, assim como a derrota por 3 a 1 no jogo anterior. A estatística de cada partida e o desfecho do mata-mata respondem a perguntas diferentes.
Comparação com os anos 2010 traz um contraponto
Somados os três rivais, o aproveitamento passou de 43,9% nos anos 2010 para 55,4% em 2020–2025. No primeiro período, foram 34 vitórias, 27 empates e 37 derrotas em 98 jogos; no segundo, 33 vitórias, 24 empates e 17 derrotas em 74. O ganho agregado foi de 11,5 pontos percentuais.
O Santos passou de 43,5% para 73,7%, e o Corinthians, de 32,3% para 49,3%. Contra o São Paulo, o movimento foi inverso: de 56,7% para 48,9%, com 30 jogos em cada período. Portanto, o avanço no total dos clássicos não significa melhora contra todos os rivais.
Separando novamente a competição, o Brasileiro registra crescimento diante dos três. O aproveitamento anterior era de 33,3% contra o Santos, 38,9% contra o Corinthians e 46,3% contra o São Paulo. No Paulista, porém, o número contra o São Paulo caiu de 72,2% para 42,4%.
Uma final neutra não vira jogo no estádio do Palmeiras
O cuidado com a comparação também vale para o mando. Nos 11 jogos em que o Palmeiras aparece como mandante contra o Santos em 2020–2025, houve dez vitórias. Esse conjunto inclui o 1 a 0 da final da Libertadores de 2020, disputada no Maracanã em 30 de janeiro de 2021, e o 2 a 1 no Morumbi em 23 de agosto de 2020. Não são dez vitórias em 11 jogos no Allianz Parque.
Os resultados usados são os das partidas, incluindo prorrogação quando houve, sem transformar disputa de pênaltis em vitória ou derrota no retrospecto. A Supercopa de 2024 contra o São Paulo, por exemplo, entra como empate por 0 a 0, embora o troféu tenha sido decidido nas cobranças.
O aproveitamento é padronizado em três pontos por vitória e um por empate, inclusive nas copas, apenas para comparar os conjuntos. Não representa uma tabela real dessas competições. Os períodos seguem a data das partidas: dez anos de 2010 a 2019 e seis de 2020 a 2025.
A conclusão exige os dois filtros. O Palmeiras obteve resultados bem superiores contra o Santos no conjunto dos clássicos de 2020–2025. No Brasileiro, contudo, o desempenho contra o Corinthians alcança a mesma proporção de pontos. Rival e competição precisam aparecer juntos antes de transformar retrospecto em argumento sobre superioridade.
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