
A mudança do Palmeiras no Campeonato Brasileiro aparece com mais força nos gols que deixou de sofrer. Entre os anos 2000 e o período de 2020 a 2025, a média caiu de 1,41 para 0,90 gol sofrido por partida, redução de 35,8%. No mesmo intervalo, o ataque cresceu 5,4%: de 1,52 para 1,60 gol marcado por jogo.
O levantamento do Data Palestra compara 320 partidas de 2000 a 2009 com 228 disputadas de 2020 a 2025. A separação entre mandante e visitante confirma uma queda defensiva semelhante nos dois lados. O avanço, portanto, não desaparece quando o efeito do mando é separado.
A leitura também muda a maneira de contar essa história. O salto recente não corresponde a uma explosão ofensiva em relação aos anos 2000. Os gols feitos aumentaram, mas a distância maior está na redução dos gols sofridos. São diferenças observadas nos placares; elas não permitem atribuir toda a melhora a um treinador, a um sistema ou a uma contratação.
450 gols sofridos em 320 jogos; depois, 206 em 228
Nos anos 2000, foram 486 gols marcados e 450 sofridos. O saldo era positivo em apenas 36 gols ao longo de 320 partidas: cerca de 0,11 por jogo. De 2020 a 2025, o Palmeiras marcou 365 vezes e sofreu 206, com saldo de 159, aproximadamente 0,70 por partida.
O ataque acrescentou cerca de 0,08 gol por jogo à comparação. A redução dos gols sofridos foi de aproximadamente 0,50 por partida. Esses dois movimentos ajudam a localizar a mudança no saldo: a diferença defensiva foi mais de seis vezes maior que a ofensiva, em gols por jogo.
O aproveitamento também subiu. Pela mesma conta de três pontos por vitória e um por empate, passou de 50,5% para 62,0%, alta de 11,5 pontos percentuais. O Palmeiras teve 135 vitórias, 80 empates e 105 derrotas no primeiro período; no segundo, 123 vitórias, 55 empates e 50 derrotas.
A melhora fora de casa foi maior nos resultados
Como visitante nos anos 2000, o Palmeiras sofreu 249 gols em 161 jogos, média de 1,55. De 2020 a 2025, foram 113 em 114, média de 0,99. A queda foi de 35,9%. O ataque nesse cenário passou de 1,25 para 1,37 gol por jogo.
Nos mandos palmeirenses, os gols sofridos caíram de 201 em 159 partidas para 93 em 114: de 1,26 para 0,82 por jogo, redução de 35,5%. A produção ofensiva variou de 1,79 para 1,83. Assim, os dois cenários preservam o mesmo desenho: diferença defensiva muito maior que a ofensiva.
Nos resultados, o ganho como visitante foi mais acentuado. O aproveitamento subiu de 38,3% para 54,7%, enquanto o dos mandos foi de 62,9% para 69,3%. O bloco de 2020–2025 tem exatamente 114 partidas de cada lado; a comparação não depende de uma concentração maior de jogos como mandante.
A campanha brasileira de 2022 é um exemplo dentro desse período: 66 gols marcados e 27 sofridos nas 38 rodadas. Isso representa 1,74 feito e 0,71 sofrido por jogo. Uma campanha isolada não explica seis anos, mas ajuda a dar dimensão esportiva às médias.
A defesa dos anos 1970 continua sendo um contraponto
A melhora em relação aos anos 2000 não autoriza chamar o período recente de melhor defesa da história. Nos anos 1970, o Palmeiras sofreu 158 gols em 222 partidas do Brasileiro: média de 0,71, inferior aos 0,90 de 2020–2025. A comparação reúne os jogos do campeonato a partir de 1971.
O bicampeonato da Segunda Academia em 1972 e 1973 pertence a esse contexto. Nos jogos disputados em 1973, por exemplo, foram apenas 11 gols sofridos em 28 partidas, média de 0,39. O passado oferece uma referência que a comparação entre dois períodos, sozinha, esconderia.
O ataque também pede cuidado com superlativos. Nos anos 1990, foram 388 gols em 240 jogos, média de 1,62, ligeiramente acima de 1,60 em 2020–2025. O período recente se aproxima daquela produção ofensiva, mas não a supera no número sem arredondamento.
O que entra nesta comparação
O levantamento examina 1.530 partidas do Campeonato Brasileiro, de 1971 ao fim de 2025, divididas pela data em que foram jogadas. O grupo 2020–2025 reúne seis anos; os anteriores, dez. Por isso, médias e aproveitamento são mais úteis aqui do que comparar apenas os totais brutos.
Taça Brasil, Robertão e Série B ficam fora desta comparação. Essa escolha serve à comparação da competição e não altera a história dos títulos brasileiros do Palmeiras. Os jogos de 2003 e 2013, quando o clube disputou a segunda divisão, não entram nas médias da elite.
Anos civis também não são necessariamente edições do campeonato. Partidas do Brasileiro de 2020 disputadas em 2021 entram no ano de 2021; todas permanecem dentro do bloco 2020–2025. Mudanças de formato, adversários e contexto entre épocas limitam o que os números podem explicar sobre a forma de jogar.
O resultado mais consistente é esse: na comparação dos anos 2000 com 2020–2025, a transformação dos placares foi muito maior na redução dos gols sofridos. Ela aparece no total e nos dois mandos, sem apagar a força defensiva da Academia nem a produção ofensiva dos anos 1990.
Levantamento exclusivo do Data Palestra, do Portal do Palestra.
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