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De 187 a dez: como os amistosos perderam espaço no calendário do Palmeiras

Os amistosos caíram 94,7% entre os anos 1950 e 2010, enquanto o total de jogos cresceu; levantamento acompanha a mudança desde 1915.

Delegação palmeirense diante de avião antes da viagem à Europa em 1949.
Detalhe da fotografia da delegação em Congonhas. Reenquadramento e ajustes tradicionais; conteúdo e marca do arquivo preservados.

O Palmeiras disputou 187 amistosos nos anos 1950 e dez nos anos 2010. A queda foi de 94,7%, mas a agenda não encolheu junto: o total de partidas passou de 651 para 703, aumento de 8,0%. O contraste, encontrado pelo Data Palestra, revela uma mudança na composição do calendário que a simples contagem de jogos por ano esconde.

Nos anos 1950, os amistosos representavam 28,7% das partidas do clube. Nos anos 2010, eram 1,4%. Em termos de proporção, um tipo de encontro que ocupava mais de um quarto da agenda passou a aparecer de forma esporádica.

O levantamento acompanha 6.557 jogos de 1915 ao fim de 2025, dos quais 1.087 estão classificados como amistosos. Os números seguem as datas das partidas. Torneios com nome próprio permanecem em suas categorias: não foram automaticamente transformados em amistosos nem agrupados como oficiais apenas para fechar uma comparação.

Mais amistosos não significava uma agenda maior

Os anos 1950 concentram a maior quantidade de amistosos entre as faixas examinadas: 187. Mesmo assim, o volume total de jogos naquela década foi inferior aos 736 dos anos 1970, aos 787 dos anos 1990 e aos 703 dos anos 2010.

A comparação entre os anos 1950 e 2010 é especialmente útil porque envolve duas décadas completas. A média anual do total de partidas passou de 65,1 para 70,3. Já a de amistosos recuou de 18,7 para um. Portanto, a redução dessas exibições não pode ser descrita como uma redução equivalente da atividade do time.

Também é preciso separar duas perguntas: em qual década houve mais amistosos e em qual eles tinham mais peso? Nos anos 1920, foram 118 em 280 partidas, ou 42,1%. A quantidade era menor que nos anos 1950, mas a participação no calendário era maior.

No intervalo inicial, de 1915 a 1919, aparecem 55 amistosos em 117 jogos, ou 47,0%. São apenas cinco anos. O percentual ajuda a descrever a composição daquele começo, mas o total não deve ser comparado diretamente com o de uma década inteira como se as durações fossem iguais.

A mudança foi longa e não ocorreu em linha reta

O peso dos amistosos caiu de 38,3% nos anos 1940 para 28,7% nos 1950, 23,8% nos 1960 e 12,6% nos 1970. Os totais foram, respectivamente, 170, 187, 164 e 93. A participação diminuiu entre os anos 1940 e 1950 mesmo com crescimento na quantidade absoluta.

Outro exemplo impede uma narrativa de queda contínua em todos os números. Nos anos 1980, houve 60 amistosos; nos anos 1990, 69. A quantidade aumentou, enquanto o peso recuou de 9,1% para 8,8%, porque o conjunto de partidas cresceu de 660 para 787.

A mudança de escala ficou nítida nos anos 2000, com 11 amistosos em 676 jogos, ou 1,6%. Na década seguinte, foram dez em 703, ou 1,4%. Nesse estágio, o total de encontros desse tipo em dez anos já era menor que a média anual registrada nos anos 1950.

Seleções, clubes e viagens faziam parte desse repertório

Os adversários ajudam a dar vida à diferença. Entre os amistosos de 1959 estão o 4 a 1 sobre o Barcelona de Guayaquil, em 4 de janeiro; o 7 a 0 sobre o Deportivo Municipal, em 14 de fevereiro; o 0 a 0 com a seleção do Peru, em 21 de fevereiro; e o 1 a 1 com o Boca Juniors, em 28 de fevereiro.

Em 25 de outubro daquele ano, aparece ainda um 6 a 3 diante da seleção de Goiás. A variedade mostra que a categoria não era composta apenas por partidas contra clubes. Esses resultados descrevem adversários e datas; não bastam, sozinhos, para reconstruir os trajetos ou os acordos de cada excursão.

Há histórias próprias por trás desses deslocamentos, como a visita do Palmeiras a Marília em 1944 e a excursão à Europa em 1949. O recorte de jogos na Colômbia e no Equador em 1960 ajuda a explorar esse repertório sem reduzir todas as viagens ao mesmo propósito.

O amistoso recente virou exceção, mas o rótulo exige cuidado

A história mais recente ainda registra o 6 a 0 sobre a Liga Alajuelense em 8 de julho de 2018 e a derrota por 2 a 1 para o Guarani em 3 de julho de 2019. Esse é o último jogo classificado como amistoso no conjunto consultado até dezembro de 2025.

Entre 2020 e 2025, os 441 jogos examinados não incluem uma partida com esse rótulo. Isso não significa que o clube tenha deixado de fazer jogos-treino ou que qualquer torneio de preparação deva receber a mesma classificação. São seis anos, que tampouco devem ser confrontados em quantidade bruta com dez anos completos.

O levantamento mostra a transformação da agenda, mas não permite atribuí-la a uma única causa financeira, esportiva ou comercial. Para medir receita de excursões, remuneração por participação ou decisões sobre o calendário, seriam necessários documentos específicos. O resultado demonstrado é outro: a queda dos amistosos conviveu com décadas de maior volume de jogos.

Essa mudança também altera o que se deve comparar na história das temporadas do Palmeiras. Um total de gols, vitórias ou partidas de uma época com muitos amistosos não tem exatamente a mesma composição esportiva de outro período. Antes de colocar duas gerações lado a lado, vale perguntar contra quem, em que tipo de encontro e em quantos jogos cada uma construiu seus números.

Levantamento exclusivo do Data Palestra, do Portal do Palestra.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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