Pular para o conteúdo

Exclusivo

Palmeiras empatou mais do que venceu no Paulista dos anos 1980

Em 385 jogos do estadual disputados de 1980 a 1989, foram 155 empates e 145 vitórias; comparação com décadas vizinhas revela queda no ataque.

Saudoso Parque Antarctica, ou Estádio Palestra Itália, casa do Palmeiras durante 108 anos, até sua demolição, em 20102011 (Foto: Divulgação/Palmeiras)
Saudoso Parque Antarctica, ou Estádio Palestra Itália, casa do Palmeiras durante 108 anos, até sua demolição, em 20102011 (Foto: Divulgação/Palmeiras)

O Palmeiras empatou mais do que venceu nos jogos do Campeonato Paulista disputados entre 1980 e 1989. Em 385 partidas, foram 155 empates, 145 vitórias e 85 derrotas. O empate respondeu por 40,3% dos resultados, uma frequência que ajuda a dar dimensão ao período para além da lembrança das decisões perdidas.

O levantamento do Data Palestra cruzou os resultados com gols, mando e placares. A pista mais forte aparece no ataque: o Palmeiras marcou 1,16 gol por partida naquele intervalo, contra 1,55 nos anos 1970 e 1,79 nos anos 1990, sempre considerando o mesmo estadual. A defesa variou bem menos entre essas três faixas.

O recorte usa o dia em que a bola rolou. Por isso, inclui dois jogos do Paulista de 1979 disputados em janeiro de 1980. São partidas do estadual realizadas nos anos 1980, e não uma soma fechada de dez edições. A distinção importa ao comparar os números com os arquivos de cada temporada do Palmeiras.

O 0 a 0 e o 1 a 1 dominaram os empates

Os placares mais frequentes foram 1 a 1, em 70 partidas, e 0 a 0, em 68. Juntos, representam 138 dos 155 empates: 89,0%. Também equivalem a 35,8% de todos os jogos do Palmeiras no Paulista naquele período.

O número afasta a imagem de um time que empatava principalmente em partidas de muitos gols. A maior parte dessas igualdades terminou com, no máximo, um gol marcado de cada lado. Foram ainda 15 resultados de 2 a 2; os dois restantes terminaram em 3 a 3.

Em 120 dos 385 jogos, o Palmeiras não marcou: 31,2% das partidas. Esse dado descreve o placar, não a quantidade de chances criadas. Sem uma série histórica equivalente de finalizações, seria indevido transformar a ausência de gol em certeza de que o time não atacou ou não chegou à área.

O ataque caiu; a defesa não teve uma ruptura equivalente

Nos anos 1970, foram 480 gols marcados em 309 jogos do estadual. Nos anos 1980, 447 em 385. O total de partidas cresceu, mas a produção ofensiva por jogo caiu 25,3%. Comparado aos anos 1990, quando foram 529 gols em 295 partidas, o ataque dos anos 1980 ficou 35,3% abaixo na média.

Do outro lado, o Palmeiras sofreu 243 gols nos anos 1970, 327 nos 1980 e 263 nos 1990. Ajustados ao número de jogos, os valores são 0,79, 0,85 e 0,89 por partida. O período de mais empates não corresponde, portanto, a uma piora defensiva do mesmo tamanho da retração ofensiva.

Há outro contraste útil: nos anos 1990, a média de gols sofridos foi um pouco maior que nos anos 1980, mas o time venceu muito mais. Foram 167 vitórias em 295 jogos, contra 145 em 385 no intervalo anterior. A média ofensiva maior acompanhou uma proporção maior de vitórias.

As diferenças não demonstram uma causa tática única. Os regulamentos, o número de partidas, os elencos e os adversários mudaram. O que os resultados sustentam é uma comparação precisa: entre essas três faixas do Paulista, o ataque caiu mais nos anos 1980 do que a defesa se alterou.

Como visitante, quase metade dos jogos terminou igual

Nos 192 jogos em que o Palmeiras apareceu como visitante, houve 88 empates: 45,8%. Foram ainda 49 vitórias e 55 derrotas. O time marcou 178 gols e sofreu 187, ficando abaixo de um gol feito por partida nesse recorte.

Como mandante, o cenário foi diferente: 96 vitórias, 67 empates e 30 derrotas em 193 jogos, com 269 gols feitos e 140 sofridos. A taxa de empates recuou para 34,7%. Mesmo assim, pouco mais de um terço das partidas terminou sem vencedor.

Se todos os resultados forem convertidos à mesma conta de três pontos por vitória e um por empate, o aproveitamento é de 61,3% como mandante e 40,8% como visitante. Trata-se de uma régua de comparação: não é a pontuação oficial das tabelas antigas. Mando também não equivale automaticamente a jogar no próprio estádio.

A final de 1986 ilustra o período, mas não resume dez anos

Na decisão de 1986, o Palmeiras empatou por 0 a 0 com a Inter de Limeira em 31 de agosto e perdeu por 2 a 1 em 3 de setembro. A sequência registrada na temporada de 1986 reúne o placar recorrente e o desfecho que ficou na memória do torcedor.

Seria um exagero, porém, dar a cada um dos 155 empates o peso daquela final. Uma igualdade pode ter servido para avançar, manter uma posição ou desperdiçar uma vantagem. O levantamento mede a frequência do resultado; o significado esportivo depende da rodada e do regulamento.

Até a fronteira da década exige cuidado: o 1 a 1 com o Corinthians em 27 de janeiro de 1980 e o 0 a 1 de 30 de janeiro pertenciam ao Paulista de 1979. Entram aqui pela data da partida. A história dos estádios do Palmeiras e os arquivos anuais ajudam a situar esses jogos sem confundir mando, local e edição.

O retrato que emerge é menos genérico do que chamar o período de difícil. No Paulista, houve uma combinação mensurável: produção ofensiva menor, muitos 0 a 0 e 1 a 1 e uma concentração de empates no mando visitante. É esse conjunto que explica a composição dos resultados, sem apagar as diferenças entre os times de cada ano.

Levantamento exclusivo do Data Palestra, do Portal do Palestra.

O que você achou?

💬 Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

Ver perfil e matérias Como trabalhamos e corrigimos erros
Entrar no grupo