
O Palmeiras que disputou a Libertadores entre 2020 e 2025 reuniu duas mudanças ao mesmo tempo: marcou mais por jogo e sofreu menos gols do que nas outras faixas históricas comparadas. Foram 168 gols feitos e 50 sofridos em 71 partidas, médias de 2,37 e 0,70. Um levantamento do Data Palestra sobre 255 jogos da competição ajuda a enxergar a transformação para além da contagem de taças.
O contraste com os anos 1990 é expressivo. Naquela década, o Palmeiras fez 62 gols e sofreu 39 em 32 jogos: 1,94 marcado e 1,22 sofrido por partida. Em 2020–2025, a média ofensiva ficou 22,1% maior e a de gols sofridos, 42,2% menor. O saldo médio passou de 0,72 para 1,66 gol a favor por jogo.
A comparação considera a data em que cada partida foi disputada, de 1961 ao fim de 2025. O bloco recente reúne seis anos, e não uma década inteira. As taxas permitem comparar volumes diferentes de partidas; formatos, adversários e condições de cada época continuam distintos.
O ataque cresceu mesmo em comparação com os anos 2010
A mudança não depende apenas de voltar ao futebol dos anos 1990. Nos anos 2010, o Palmeiras marcou 75 vezes em 44 jogos de Libertadores, média de 1,70. De 2020 a 2025, a produção por partida aumentou 38,8%. Do outro lado do campo, os gols sofridos recuaram de 0,86 para 0,70 por jogo, queda de 18,5%.
Essa combinação altera a interpretação do período. Os placares sustentam uma melhora ofensiva junto da redução dos gols sofridos. Não descrevem, sozinhos, um time que simplesmente passou a se defender melhor. Para explicar o mecanismo de cada mudança, seria necessário examinar também a forma de jogar, a qualidade das chances e as características dos adversários.
Nas seis faixas com partidas, as médias de gols marcados foram 1,71 nos anos 1960; 1,79 nos 1970; 1,94 nos 1990; 1,81 nos 2000; 1,70 nos 2010; e 2,37 em 2020–2025. Não há participação palmeirense nos anos 1980 nesse levantamento da competição.
O contraste entre os mandos mudou ainda mais
O recorte por mando acrescenta uma diferença que o total de gols não revela. Nos anos 1990, o Palmeiras somou 13 vitórias e três empates nos 16 jogos em que apareceu como mandante. Nos outros 16, classificados como visitante, foram três vitórias, um empate e 12 derrotas.
Em 2020–2025, o lado classificado como visitante passou a reunir 23 vitórias, sete empates e cinco derrotas em 35 partidas. Como mandante, foram 25 vitórias, nove empates e duas derrotas em 36 jogos. A distância entre os dois recortes diminuiu bastante.
Usando a mesma conta de três pontos por vitória e um por empate para comparar os períodos, o aproveitamento nominal como visitante passou de 20,8% para 72,4%. Como mandante, recuou de 87,5% para 77,8%. Portanto, o avanço recente não significa superioridade em todos os recortes: o recorte como mandante nos anos 1990 era especialmente forte.
Mando, aqui, é a classificação da partida. Finais em campo neutro também recebem os rótulos de mandante e visitante. Esses percentuais não medem exclusivamente jogos no estádio do adversário e não reproduzem a pontuação efetivamente usada em cada regulamento antigo.
A memória de 1999 ajuda a entender o contraste
A conquista da Libertadores de 1999 oferece um retrato desse contraste: derrota por 1 a 0 diante do Deportivo Cali em 2 de junho e vitória por 2 a 1 no Parque Antarctica em 16 de junho. O título foi decidido nos pênaltis. As cobranças da disputa não entram na soma de gols dos jogos.
No bloco recente, a campanha campeã da edição de 2020 começou com vitória por 2 a 0 sobre o Tigre, em 4 de março daquele ano, e terminou com 1 a 0 sobre o Santos em 30 de janeiro de 2021. Como o agrupamento é por data civil, toda essa sequência permanece dentro de 2020–2025.
O título da Libertadores de 2021, com 2 a 1 sobre o Flamengo, também faz parte do período. Mas o 0 a 1 para o mesmo rival na final de 2025 é um contraponto necessário: médias melhores não eliminam o risco de perder uma decisão.
O que a comparação permite afirmar
Entre os períodos examinados, os jogos de 2020 a 2025 juntam o ataque mais produtivo por partida e a menor média de gols sofridos. A taxa de derrotas ficou em 9,9%: sete em 71 jogos. Nos anos 1990, foi de 37,5%, com 12 em 32.
A mudança aparece em várias medidas da mesma competição. Isso dá mais consistência à leitura do que usar apenas uma goleada ou uma sequência curta. Ainda assim, o resultado descreve essas campanhas; não estabelece qual geração venceria um confronto imaginário nem projeta a próxima final.
Levantamento exclusivo do Data Palestra, do Portal do Palestra.
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