
Lula repetiu a provocação. Em 28 de setembro, na cerimônia de sanção da lei de incentivo ao futebol feminino, em Brasília, o presidente voltou a listar clubes brasileiros campeões do mundo e a deixar o Palmeiras de fora — desta vez para defender o fim das casas de apostas. É a segunda vez em dez dias que ele usa a mesma frase.
O trecho: “Nos melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existiam bets. O Brasil foi campeão do mundo em 1958, 1962, 1970, 1994 e em 2002. Não existia bets. O Flamengo foi campeão do mundo, o São Paulo, o Corinthians, o Internacional… lamentavelmente, o Palmeiras nunca foi… e não existiam bets.” No mesmo discurso, ele afirmou que o patrocínio das apostas representa menos de 7% da arrecadação dos clubes de futebol, respondendo a quem diz que a medida provisória acabaria com o futebol brasileiro.
O presidente Lula provocou o Palmeiras durante um comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, em 18 de setembro. Ao defender a restrição às casas de apostas, ele citou clubes brasileiros campeões mundiais — São Paulo, Santos, Grêmio, Flamengo, Internacional e Corinthians — e fechou a lista deixando o Verdão de fora. Torcedor declarado do Corinthians, o presidente usou a frase como piada de palanque.
Lamentavelmente, só o Palmeiras não foi campeão do mundo
O que a FIFA decidiu em 2014
A provocação esbarra numa decisão formal. Em 7 de junho de 2014, reunido em São Paulo, o Comitê Executivo da FIFA acolheu um pedido da CBF e reconheceu a Copa Rio de 1951, vencida pelo Palmeiras, como “a primeira competição entre clubes da Europa e das Américas em nível mundial”. O comunicado da entidade foi divulgado em 12 de agosto do mesmo ano.
Três detalhes costumam sair errados quando o assunto volta, e são eles que sustentam a versão correta: o pedido partiu da CBF, não de um dossiê do clube; quem decidiu foi o Comitê Executivo; e a data da decisão é 7 de junho de 2014, enquanto 12 de agosto é a do anúncio público.
O que a FIFA não fez
Em 9 de agosto de 2014, o então presidente da entidade, Joseph Blatter, afirmou que a Copa Rio não seria equiparada ao Mundial de Clubes da FIFA, torneio criado em 2000, e que o Palmeiras receberia um certificado atestando a importância da conquista. É esse o contra-argumento que aparece toda vez que a discussão volta, e ele não contradiz o reconhecimento: são duas coisas diferentes, uma competição de 1951 e um torneio criado quase meio século depois.
Por que a provocação volta sempre
A provocação é antiga e não depende de quem a faz: ela reaparece em ano de decisão continental, e o Palmeiras está de novo na semifinal da Libertadores, contra o Fluminense, com ida em 14 de outubro. A conquista de 1951 segue estampada na camisa, na estrela que o clube usa desde então.
A história completa do torneio, com o caminho do Palmeiras até o título e os documentos da época, está reunida no acervo do portal sobre as campanhas internacionais do clube.
Por que a frase voltou agora
A primeira vez foi em comício, sem pauta econômica atrás. A segunda veio como argumento: o governo editou a Medida Provisória 1.394/2026, que encerra a exploração e a publicidade das apostas, e os clubes reagiram. O Palmeiras é um dos mais atingidos, porque a Sportingbet ocupa o espaço máster da camisa, e a discussão já chegou ao Supremo Tribunal Federal.
O clube não respondeu publicamente a nenhuma das duas falas. A resposta, do ponto de vista do registro, é a mesma de 2014, e está acima: existe decisão do Comitê Executivo da FIFA sobre a Copa Rio de 1951, com data, órgão e redação oficial.
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