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Finanças

Clubes falam em fim do futebol, e o Palmeiras sente menos

Manifesto dos clubes fala em risco de fim do futebol brasileiro sem transição. O Palmeiras perde R$ 100 milhões, mas a cota pesa pouco mais de 6% da receita.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, acena para a torcida
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, acena para a torcida

O tom do futebol brasileiro diante da proibição das bets é de alarme. Em manifesto conjunto divulgado antes da assinatura, os clubes alertaram para o risco de “fim do futebol brasileiro” caso a medida viesse sem período de transição — foi exatamente o que aconteceu. Dentro desse quadro, o Palmeiras está entre os que chegam menos expostos, e a razão é a estrutura da receita.

Duas leituras do mesmo corte

Por que o alarme é real

  • 14 dos 20 clubes da Série A perdem o patrocinador máster de uma vez
  • R$ 1,4 bilhão em contratos atingidos, pela conta do governo
  • Cerca de 20% da folha dos principais clubes vinha daí
  • Camisas já produzidas e placas de campo trazem a marca

Por que o Palmeiras sente menos

  • R$ 1,63 bilhão de receita operacional em 2025
  • Os R$ 100 milhões são pouco mais de 6% desse total
  • Receita distribuída entre sócio, bilheteria, premiação e vendas
  • Prazo para negociar sem aceitar a primeira oferta

O que a diferença muda na prática

Depender menos de uma cota não significa não sentir. Cem milhões de reais por temporada equivalem a 19% dos R$ 525,8 milhões que o clube gastou com pessoal e encargos em 2025, pelo balanço auditado. É dinheiro que sai do orçamento no meio de uma temporada com folha de elenco competitivo e semifinais em duas copas.

A diferença está no prazo para reagir. Um clube com receita concentrada precisa repor a cota agora; um com receita distribuída consegue negociar sem aceitar o primeiro valor oferecido. É o que explica o Palmeiras já conversar com montadoras em vez de anunciar substituto às pressas.

A compensação do governo e o que ela não cobre

O pacote aceno inclui crédito com juro baixo e renegociação de dívidas com bancos públicos. Serve para quem tem dívida cara e precisa de fôlego mensal — não para quem perdeu receita recorrente. O Palmeiras entra no segundo grupo: o problema dele não é o custo do passivo, é a linha que sumiu do faturamento, como mostra a composição das finanças do clube.

Enquanto o Congresso não aprecia a medida provisória, os contratos seguem num limbo: válidos no papel, inviáveis na operação. É nesse intervalo que se define o destino do acordo com a patrocinadora atual.

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Thiago Gomes

Autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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