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Finanças

Palmeiras e mais nove clubes se reúnem e o caso das bets vai ao STF

Dez clubes de São Paulo se reuniram na FPF para medir a perda com o fim das apostas, enquanto o setor pediu ao STF a suspensão da medida provisória. O relator é Luiz Fux.

Laís Estevam, Veiga e Weverton, em foto com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e executivos da Sportingbet, Antonio Forjaz e Dimitri Araujo (Foto: Reprodução/TV Palmeiras/YouTube)
Laís Estevam, Veiga e Weverton, em foto com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e executivos da Sportingbet, Antonio Forjaz e Dimitri Araujo (Foto: Reprodução/TV Palmeiras/YouTube)

Os clubes paulistas fizeram uma reunião de emergência na sede da Federação Paulista de Futebol nesta segunda-feira para medir o rombo aberto pelo fim das apostas — e saíram de lá com a conta ainda em aberto. Enquanto discutiam como repor a receita, o setor de apostas levava a medida provisória ao Supremo Tribunal Federal, e o destino do patrocínio máster do Palmeiras passou a depender do ministro Luiz Fux.

Estiveram na mesa representantes de clubes das séries A e B: Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Mirassol, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo de Ribeirão Preto e Ponte Preta. O encontro terminou sem decisão sobre medidas concretas, com um pedido comum de diálogo com o governo federal e a expectativa de uma conversa com a CBF e o Ministério do Esporte nesta terça-feira.

A conta que os clubes de São Paulo colocaram na mesa

O impacto somado de Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos em contratos de patrocínio é estimado entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões. No caso alviverde, a Sportingbet paga R$ 100 milhões fixos por temporada, valor que pode chegar a R$ 170 milhões com os bônus atrelados a metas esportivas.

A preocupação maior, segundo o que se discutiu no encontro, está nos clubes de menor porte, que dependem proporcionalmente mais desse dinheiro e têm menos margem para substituí-lo. O Palmeiras é o quarto clube da Série A que mais perde em valores absolutos, mas está entre os menos expostos quando se olha a fatia da receita total.

A disputa que chegou ao Supremo

A Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável acionaram o STF para pedir a suspensão da medida até que o Congresso a analise ou a Corte julgue o mérito. As entidades sustentam que não houve urgência suficiente para justificar uma MP e apontam os prejuízos de interromper de uma vez um mercado que havia sido regulamentado.

O relator é o ministro Luiz Fux. Nesta segunda-feira, a Advocacia-Geral da União pediu um prazo de 72 horas para que a Presidência da República e a própria AGU se manifestem antes de qualquer análise dos pedidos. Na prática, a decisão que vale mais para o caixa dos clubes não sairá antes do fim desta semana.

Como o caso das bets chegou até aqui

  1. 25/09 MP é publicada O governo federal edita a Medida Provisória 1.394/2026 e proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa.
  2. 28/09 Clubes se reúnem na FPF Dez clubes paulistas das séries A e B avaliam o impacto e pedem diálogo com o governo.
  3. 28/09 Setor aciona o STF ANJL e IBJR pedem a suspensão da MP; a AGU solicita 72 horas para se manifestar.
  4. 29/09 Conversa com CBF e governo Clubes esperam encontro com a CBF e o Ministério do Esporte.
  5. 05/10 Fim da publicidade Prazo para retirar material publicitário e de patrocínio; apostadores podem sacar o saldo até as 23h59.
  6. 06/10 Sites saem do ar Sites e aplicativos das operadoras devem ser bloqueados no Brasil.

O que o Palmeiras faz enquanto o STF não decide

O clube não parou para esperar. A diretoria já sonda substitutos para o espaço máster e trabalha com a hipótese de o dinheiro das apostas não voltar. No futebol feminino, a marca já caiu.

Do outro lado, há um detalhe contratual que pesa: acordos desse porte costumam prever o que acontece quando uma mudança de lei impede a atividade do patrocinador. É essa cláusula que vai definir se o Palmeiras recebe a parcela do período, devolve valores ou simplesmente encerra o contrato sem multa.

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Thiago Gomes

Autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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