
O estádio do Palmeiras se chama Nubank Parque desde maio de 2026. O endereço é o mesmo, a arquibancada é a mesma, o gramado é o mesmo — mudou a marca na fachada. É a terceira identidade comercial do terreno da Água Branca em pouco mais de um século: foi Parque Antarctica, foi Palestra Itália, foi Allianz Parque e agora é Nubank Parque.
Este guia da Enciclopédia do Portal do Palestra reúne tudo sobre a casa alviverde: o que mudou com o novo naming rights e quanto ele vale, a ficha técnica da arena, quem é o dono do estádio e como a receita é dividida, os números do Palmeiras dentro dele, a ampliação que está em estudo, como chegar e os 106 anos de história do endereço.
Por que o estádio do Palmeiras mudou de nome
O contrato de naming rights da arena não pertence ao Palmeiras — pertence à WTorre, a empresa que construiu e administra o estádio. Em abril de 2026, a WTorre fechou o novo acordo com o Nubank, encerrando o ciclo da Allianz, que batizava a casa alviverde desde a inauguração, em novembro de 2014.
O nome saiu de votação popular, exatamente como aconteceu em 2013 na escolha de “Allianz Parque”. O banco colocou três opções na mesa — Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank — e a votação, encerrada em 30 de abril de 2026, reuniu quase meio milhão de votos. “Nubank Parque” venceu com mais de 47% da preferência e foi anunciado em 4 de maio de 2026.
A opção vencedora não foi aleatória: manter a palavra “Parque” preserva a linha que liga a arena ao antigo Parque Antarctica, o endereço onde o Palmeiras construiu sua identidade como mandante. O primeiro jogo do Verdão sob o nome novo foi em 26 de julho de 2026, contra o Atlético-MG, pela 20ª rodada do Brasileirão — quase 12 anos depois da estreia do nome Allianz Parque.
Quanto vale o novo naming rights
Nem a WTorre nem o Nubank anunciaram cifra oficial. A apuração publicada aponta para cerca de US$ 10 milhões por ano — aproximadamente R$ 51 milhões —, em contrato válido até 2044. Para efeito de comparação, o acordo anterior com a Allianz, assinado em 2013, valia R$ 300 milhões por 20 anos, com base inicial de R$ 15 milhões por temporada corrigidos pela inflação. O novo contrato praticamente triplica o valor de partida do anterior e coloca a arena do Palmeiras num patamar isolado no futebol brasileiro.
| Estádio | Marca | Valor anual |
|---|---|---|
| Nubank Parque (Palmeiras) | Nubank | ≈ R$ 51 milhões |
| MorumBIS | Mondelez | R$ 25 milhões |
| Neo Química Arena | Neo Química | R$ 15 milhões |
| Ligga Arena | Ligga | ≈ R$ 13,3 milhões |
| Arena MRV | MRV | R$ 7,18 milhões |
O Palmeiras não fica com o valor cheio: o clube recebe 15% da receita de naming rights, percentual que passou a valer em novembro de 2024, quando o contrato de concessão completou dez anos. O restante é da WTorre.
+ Nubank no Palmeiras: o que o novo naming rights muda no mercado brasileiro
O que muda de verdade para o torcedor
Na prática, quase nada. O endereço é o mesmo, os setores são os mesmos, a forma de comprar ingresso é a mesma. A troca é de comunicação visual, e está sendo feita de forma gradual desde julho de 2026: pintura das áreas de comunicação ao redor do gramado, renovação das sinalizações internas do térreo e do quinto andar, substituição dos pórticos nos acessos dos portões e a entrada das marcas Nubank e Nubank Parque em diferentes espaços da arena.
Nem tudo o que o patrocinador planejou foi aprovado. Em maio de 2026, a Prefeitura de São Paulo indeferiu o pedido do Nubank para instalar um painel de LED de 246 m² (41 metros por 6) na fachada externa do estádio, voltado para a região das piscinas do clube. A negativa se baseou na Lei Cidade Limpa, que restringe painéis eletrônicos luminosos em fachadas visíveis de vias públicas.
Vale registrar uma consequência prática da transição: fontes externas ainda usam o nome antigo. Tabelas de federações, agregadores e transmissões seguem escrevendo “Allianz Parque” em muitos casos, o que gera confusão em busca e em aplicativos. O nome oficial da arena, desde maio de 2026, é Nubank Parque.
Ficha técnica do Nubank Parque
| Item | Dado |
|---|---|
| Nome oficial | Nubank Parque (desde maio de 2026) |
| Nomes anteriores | Allianz Parque (2014–2026) · Parque Antarctica / Estádio Palestra Itália (1920–2010) |
| Localização | Água Branca, Zona Oeste de São Paulo |
| Inauguração | 19 de novembro de 2014 — Palmeiras 0 x 2 Sport, público de 35.939 |
| Capacidade (futebol) | 43.713 lugares |
| Capacidade (shows) | Até cerca de 55.000 pessoas, com o gramado liberado para público |
| Camarotes | 178 camarotes privativos, além de lounges e assentos premium |
| Gramado | Sintético desde 2020. Piso trocado em 2026, com investimento de R$ 11 milhões e certificado Quality Pro da Fifa |
| Telões | Dois, com mais de 100 m² cada |
| Construção | 2010 a 2014, pela WTorre, com investimento de R$ 630 milhões |
| Proprietário | Sociedade Esportiva Palmeiras (terreno e estádio) |
| Administradora | WTorre, por concessão de 30 anos até 2044 |
| Reconhecimento | Stadium of the Year 2014, em votação popular internacional. Certificação LEED |
O gramado sintético e a reforma de 2026
A arena adotou gramado sintético em 2020. A decisão foi polêmica na época e segue sendo discutida, mas tem uma lógica operacional clara: o estádio recebe um volume alto de shows, e cada montagem e desmontagem castiga um gramado natural. O piso sintético padroniza as condições de jogo e reduz o impacto dessas operações.
Em 2026, o piso foi trocado. O clube e a administradora avaliaram que o gramado havia “perdido memória” — a capacidade dos fios de voltarem à altura original depois de receber peso. A troca custou R$ 11 milhões, em parceria com a WTorre, e passou por uma vistoria de cerca de sete horas feita por laboratório autorizado pela Fifa para a emissão do certificado Quality Pro. O Palmeiras voltou a jogar em casa em 15 de março de 2026, contra o Mirassol, pelo Brasileirão.
A ampliação em estudo: o que pode mudar no Gol Norte
O Palmeiras estuda aumentar a capacidade da arena retirando cadeiras do setor Gol Norte, na parte inferior do estádio — com a possibilidade de a mudança alcançar também o anel superior do mesmo lado. A ideia é ganhar lugares e transformar o setor num modelo de arquibancada mais compacto.
O Gol Norte não é um setor qualquer: é onde se concentra a atmosfera mais intensa da arena, com torcida em pé e pressão constante. O plano ainda depende do aval de autoridades e órgãos de segurança para sair do estudo — ou seja, não há data nem número confirmado de novos lugares.
Não é a primeira mexida no setor. Em 2024, o acordo que encerrou uma disputa de anos entre Palmeiras e WTorre criou o Novo Setor Gol Norte no anfiteatro em dias de jogo, ampliando a oferta de assentos.
De quem é o estádio do Palmeiras?
Esta é a confusão mais comum sobre a arena, e a resposta é direta: o Palmeiras é o dono do terreno e do estádio. A WTorre aparece na escritura como administradora, não como proprietária. O contrato firmado na conclusão da obra, em 2014, concede à construtora o direito de gerir e operar a arena por 30 anos, até 2044. Em troca, a WTorre financiou a construção e arca com os custos operacionais — energia, segurança, manutenção e gramado. É um modelo de concessão, não de venda.
| Fonte de receita | Quanto fica com o Palmeiras |
|---|---|
| Bilheteria em dia de jogo | 100% da bilheteria líquida |
| Receitas comerciais (lojas, alimentação, estacionamento) | 30%, desde novembro de 2024 |
| Naming rights, camarotes e assentos premium | 15%, desde novembro de 2024 |
| A partir de 2044 | Controle operacional total da arena |
Os números dão a dimensão do ativo. A arena gerou R$ 317 milhões de receita total entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, e é o maior gerador de receita por shows entre todos os estádios da América do Sul. Em 2025, recebeu 33 jogos oficiais e 33 shows, com mais de 950 mil torcedores no futebol e quase 1 milhão de ingressos vendidos para os espetáculos.
Do lado do clube, a projeção para 2026 é de R$ 61,9 milhões só em bilheteria e R$ 78,6 milhões em repasses da WTorre — cerca de R$ 140,5 milhões capturados pelo Palmeiras. O restante, aproximadamente R$ 200 milhões por ano, segue com a administradora até o fim da concessão.
+ O que muda para o Palmeiras em 2044, quando a concessão terminar
O Palmeiras dentro da arena: os números da primeira década
Nos dez primeiros anos de casa nova, entre novembro de 2014 e novembro de 2024, o Palmeiras disputou 308 jogos na arena, com 205 vitórias, 60 empates e 43 derrotas — 73% de aproveitamento. Foram nove títulos decididos dentro do estádio: dois Brasileiros, duas Copas do Brasil, quatro Paulistas e uma Recopa Sul-Americana.
| Marca | Registro | Contexto |
|---|---|---|
| Maior público | 41.457 | Palmeiras 2 x 1 Corinthians · Brasileirão 2023 |
| Maior goleada | 8 x 1 | vs. Independiente Petrolero · Libertadores 2022 |
| Melhor aproveitamento em uma temporada | 84,06% | Temporada 2024, a melhor da história da arena |
| Maior série invicta | 31 jogos | Sequência entre 2022 e 2023 |
| Maior série de vitórias | 10 jogos | Alcançada em 2022 e repetida em 2023 |
| Títulos decididos no estádio | 9 | 2 Brasileirões, 2 Copas do Brasil, 4 Paulistas, 1 Recopa |
| Receita de bilheteria na década | R$ 576 mi | Acumulado de novembro de 2014 a novembro de 2024 |
Vale o contraste com o endereço antigo: em 90 anos no velho Palestra Itália, o Palmeiras jogou 1.570 partidas, com 1.065 vitórias, 317 empates e 188 derrotas — 74,6% de aproveitamento. A casa nova, em uma década, chegou a 73%. O Verdão continua sendo, nos dois endereços, um time muito difícil de bater em São Paulo.
Como chegar ao Nubank Parque
O estádio fica na Água Branca, Zona Oeste de São Paulo, a poucos minutos a pé do eixo de transporte Palmeiras–Barra Funda, que reúne metrô, trens metropolitanos e terminal rodoviário no mesmo complexo. É a razão de o entorno aguentar fluxos de dezenas de milhares de pessoas em dias de jogo e de show.
A recomendação prática de sempre vale mais aqui do que na média dos estádios brasileiros: transporte público é o caminho mais rápido. O entorno tem restrição de estacionamento e o acesso viário congestiona nas horas que antecedem os eventos. Os portões e o mapa de setores mudam conforme o tipo de evento — em jogos, os acessos seguem a numeração impressa no ingresso.
+ Como comprar ingressos para os jogos do Palmeiras: planos Avanti, meia-entrada e dicas
Arena Barueri: a casa alternativa
Quando a arena está ocupada por outros eventos ou passa por obras, o Palmeiras manda jogos em outros estádios. Em 2026, o caso mais visível foi a Arena Barueri, na Grande São Paulo, onde o Verdão recebeu o Cruzeiro em 16 de maio de 2026, pela 16ª rodada do Brasileirão — empate por 1 a 1, com gol de Felipe Anderson.
Jogar fora da capital tem efeito direto no bolso do torcedor e no público: aquele jogo teve ingressos a preços reduzidos, e a mudança de endereço costuma alterar a política de setores e de visitantes. Antes disso, entre dezembro de 2025 e março de 2026, a troca do gramado tirou o Palmeiras de casa por alguns meses. A casa oficial e permanente segue sendo o Nubank Parque — as alternativas são pontuais.
Para saber onde é cada jogo antes de comprar ingresso, o caminho é a agenda de jogos do Palmeiras, que traz o estádio de cada partida da temporada.
Do Parque Antarctica ao Nubank Parque: 106 anos no mesmo endereço
Poucos clubes do mundo ocupam o mesmo terreno há mais de um século. O Palmeiras é um deles — e a história de como o clube chegou lá é uma das melhores do futebol brasileiro.
- 1902A Companhia Antarctica Paulista transforma um terreno na Rua Turiaçu, na Água Branca, em parque de lazer público.
- 1917O Palestra Itália, fundado em 1914, começa a usar o espaço — sem ser dono de nada.
- 27 de abril de 1920 — “A Loucura do Século”Com seis anos de vida e nenhum título, o clube compra o Parque Antártica por 500 contos de réis. Para quitar a última parcela, em dezembro de 1922, precisou vender parte do terreno ao Conde Matarazzo por 187 contos — a área que hoje é o Bourbon Shopping.
- 16 de maio de 1920Primeira partida como dono do campo: 7 a 0 no Mackenzie.
- 13 de agosto de 1933Inauguração do Stadium Palestra Italia, o maior e mais moderno do Brasil na época e o primeiro da capital com arquibancadas de concreto armado, para 30 mil pessoas. Estreia com 6 a 0 no Bangu, pelo Torneio Rio-São Paulo.
- 1942O governo Vargas proíbe nomes de origem estrangeira e o Palestra Itália passa a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras.
- 1986 a 199068 jogos consecutivos invicto em casa — recorde histórico do futebol brasileiro.
- 1999A Copa Libertadores, maior título do clube até então, é conquistada naquele gramado.
- 9 de julho de 2010Despedida do velho Palestra Itália, em amistoso contra o Boca Juniors. A capacidade, que chegara a cerca de 40 mil, tinha recuado para 27.650. A demolição começa em seguida.
- 2010 a 2014Quatro anos jogando em estádios emprestados enquanto a WTorre investe R$ 630 milhões na nova arena.
- 19 de novembro de 2014Abre o Allianz Parque. O primeiro jogo termina em derrota: Palmeiras 0 a 2 Sport, com 35.939 presentes.
- Novembro de 2024A concessão completa dez anos e os percentuais de receita do Palmeiras sobem para 30% do comercial e 15% de naming rights e camarotes.
- 4 de maio de 2026Depois de quase meio milhão de votos, “Nubank Parque” é anunciado como o novo nome da arena.
- 26 de julho de 2026Primeiro jogo sob o nome novo: Palmeiras x Atlético-MG, pela 20ª rodada do Brasileirão.
- 2044Fim da concessão de 30 anos. O Palmeiras assume o controle operacional total do estádio.
Os números do endereço antigo continuam impressionando: 1.570 partidas em 90 anos, com 74,6% de aproveitamento. A história completa daquele estádio está em O Jardim Suspenso, e o ensaio sobre a arquitetura e o modelo de negócio da arena moderna está na página do Allianz Parque.
Leia também na Enciclopédia
- O Jardim Suspenso — a história do lendário Estádio Palestra Itália, o endereço antes da arena.
- Allianz Parque: a casa do Palmeiras — arquitetura, modelo multiuso e os anos da marca alemã.
- Da cervejaria ao Nubank — a linhagem completa dos estádios do Palmeiras, de 1902 a hoje.
- A Academia de Futebol — o CT do Verdão, a outra casa do clube.
- A Torcida do Palmeiras — quem enche a arena a cada jogo.
- Palmeiras no Brasileirão — os 12 títulos nacionais, boa parte deles decidida em casa.
- Sala de Troféus — todos os títulos do clube, em 112 temporadas.
Perguntas frequentes sobre o Nubank Parque
Qual é o nome do estádio do Palmeiras?
Por que o Allianz Parque virou Nubank Parque?
Quanto o Nubank paga pelo nome do estádio do Palmeiras?
Qual é a capacidade do Nubank Parque?
O estádio do Palmeiras vai ser ampliado?
De quem é o estádio do Palmeiras?
Quanto o Palmeiras ganha com o estádio?
Quando o Nubank Parque foi inaugurado?
O gramado do estádio do Palmeiras é sintético?
Qual foi o maior público do estádio do Palmeiras?
Onde fica o Nubank Parque e como chegar?
Por que o Palmeiras às vezes joga na Arena Barueri?
Quantos títulos o Palmeiras ganhou dentro da arena?
O que era o estádio antes do Allianz Parque?
O que acontece com o estádio em 2044?
O nome muda, o endereço não
Parque Antarctica, Stadium Palestra Italia, Estádio Palestra Itália, Allianz Parque e agora Nubank Parque. São cinco nomes para o mesmo pedaço de terra da Água Branca que o Palmeiras comprou em 1920, quando não tinha um título sequer, num negócio que os contemporâneos chamaram de loucura.
Um século depois, aquele terreno virou o ativo mais valioso do clube: uma arena que gera mais de R$ 300 milhões por ano, o maior contrato de naming rights do futebol brasileiro e, a partir de 2044, uma máquina de receita inteiramente palmeirense. A marca na fachada seguirá mudando. O endereço, não.
Para navegar por toda a história do clube, visite a Enciclopédia Alviverde do Portal do Palestra.
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