Pular para o conteúdo

História

O Jardim Suspenso: A História do Lendário Estádio Palestra Italia

Antigo Palestra Itália
Antigo Palestra Itália

Antes da moderna arena, existia um templo. Um caldeirão de concreto e paixão fincado no coração da Zona Oeste de São Paulo. O Estádio Palestra Italia, eternizado como Parque Antártica, foi muito mais do que um campo de futebol; foi a nossa casa, o palco de arrancadas heroicas, academias de futebol arte e conquistas que definiram a grandeza da Sociedade Esportiva Palmeiras. Esta é a história do Jardim Suspenso, o estádio que por quase um século foi o lar da família palmeirense.

Das Festas da Cervejaria ao Sonho do Estádio Próprio

A história da nossa casa começa em 1902, quando a Companhia Antarctica Paulista criou o “Parque Antártica”, um espaço de lazer para seus funcionários com bosques, lagos e, claro, um campo de futebol. Em 1920, o então Palestra Italia, que já era uma força do futebol paulista, arrendou o local e, finalmente, em 1920, comprou o terreno por 500 contos de réis, uma fortuna para a época. O sonho da casa própria era uma realidade.

As primeiras arquibancadas de madeira foram erguidas, e o local rapidamente se tornou um dos principais palcos do esporte na cidade, recebendo até jogos da Seleção Brasileira.

A Inauguração e o “Jardim Suspenso”

A grande transformação veio em 1933. O Palmeiras inaugurou suas novas e imponentes arquibancadas de concreto, com capacidade para 30 mil torcedores, um dos estádios mais modernos do continente. O nome oficial era Estádio Palestra Italia, mas um apelido dado pelo jornalista Thomaz Mazzoni pegou para sempre: Jardim Suspenso.

A alcunha se deu pela arquitetura do estádio, que parecia “flutuar” acima dos jardins e da antiga fábrica da Antarctica. Mais do que um nome poético, o Jardim Suspenso se tornou sinônimo de um verdadeiro alçapão, onde a pressão da torcida, próxima ao campo, empurrava o time para vitórias memoráveis.

Estádio Palestra Italia

“Parque Antártica”

  • Inauguração: 13 de agosto de 1933
  • Último Jogo: 09 de julho de 2010
  • Apelido: Jardim Suspenso
  • Capacidade (Final): 27.650
  • Maior Público: 40.283 (Palmeiras 1×0 XV de Piracicaba, 1976)
  • Localização: Rua Palestra Italia, 200

Palco de Glórias: Academias, Libertadores e Redenção

O gramado do Palestra Italia foi abençoado pelos pés de gigantes. Foi ali que a Primeira e a Segunda Academias, lideradas por Ademir da Guia, encantaram o Brasil com um futebol de arte. Foi neste estádio que o time da Era Parmalat saiu da fila em 1993 e empilhou títulos.

E foi no Jardim Suspenso que vivemos a noite mais importante da nossa história: a final da Libertadores de 1999. A imagem do estádio pulsando na decisão por pênaltis contra o Deportivo Cali está gravada na retina de cada palmeirense. O Palestra não era apenas um estádio; ele tinha alma e participava dos jogos.

O Último Jogo e a Despedida do Templo

Com o avanço do tempo, a necessidade de uma arena mais moderna se tornou inevitável. O último jogo oficial no Estádio Palestra Italia aconteceu em 22 de maio de 2010, em uma vitória por 4 a 2 sobre o Grêmio. A despedida definitiva, no entanto, foi em um amistoso contra o Boca Juniors, em 9 de julho de 2010.

A demolição do velho Jardim Suspenso foi um momento agridoce. A tristeza de ver um templo ir ao chão era acompanhada pela esperança de um futuro ainda mais glorioso no mesmo local sagrado, onde hoje se ergue o Allianz Parque. O Palestra Italia não morreu; ele evoluiu, deixando um legado de glórias que é parte fundamental da nossa Enciclopédia Alviverde.

O que você achou?

Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

Ver perfil e matérias
Entrar no grupo