
A medida provisória que proibiu a publicidade de apostas tirou do futebol feminino a marca que sustentava a camisa de quase todo mundo. Na Série A1 de 2025, 12 dos 16 clubes exibiam uma casa de apostas no uniforme — e o Palmeiras é um dos casos mais expostos.
Por que o feminino sente mais
A conta absoluta é menor que a do masculino — a perda estimada passa de R$ 20 milhões, contra o bilhão que circula na elite masculina. Mas a dependência é proporcionalmente maior: no feminino, o patrocínio de apostas costumava ser o máster, não uma cota lateral. Sem ele, some a principal receita comercial de várias equipes de uma vez.
Uma simulação do próprio levantamento dá a medida da assimetria: se 5% do que foi investido no futebol masculino fossem destinados ao feminino, a modalidade teria R$ 51,5 milhões — mais que o dobro do que acaba de perder.
O contrato que envolve as Palestrinas
O Palmeiras assinou com a Esportes da Sorte em 2024 um acordo de R$ 18,5 milhões por temporada, mais R$ 1,5 milhão em ativações de marketing, segundo números publicados à época. A partir de 2025 o contrato passou a abranger as duas modalidades, sem divisão pública entre elas — o que torna impossível, de fora, separar quanto cabia ao time feminino.
É a mesma medida provisória que atingiu o time masculino e colocou o contrato com a Sportingbet em xeque. A MP nº 1.394, de 25 de setembro, vedou ações de comunicação, publicidade, propaganda, marketing e patrocínio ligadas às apostas de quota fixa, com prazo de dez dias para a retirada.
O tamanho do buraco no clube
No masculino, o Palmeiras é o quarto clube que mais perde com o fim das bets, como mostra o ranking da Série A, e a diretoria já procura um substituto para a camisa. No feminino, a busca é a mesma, num mercado com menos compradores.
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