
O Palmeiras tinha um caminho pronto para substituir a Sportingbet na camisa e pisou no freio. O Portal do Palestra apurou que a diretoria alviverde já havia feito contato com a Leapmotor para ampliar a presença da montadora no uniforme, com a ideia de levá-la também ao espaço principal — o mais caro e o mais visível. O acordo, porém, parou.
O que mudou os rumos não foi uma contraproposta, e sim uma informação. O clube consultou empresas que operam com apostas no exterior, e o relato se repetiu em todas: a proibição das bets no Brasil não deve se sustentar, e o país tende a voltar ao modelo regulamentado. Com isso na mesa, a diretoria decidiu não queimar a ponte com a patrocinadora atual.
A leitura que veio de fora
Entre os profissionais ouvidos, a avaliação é de que a medida provisória tem prazo curto de vida e motivação política. A palavra que se repetiu nas conversas foi “eleitoreira” para descrever a decisão do presidente Lula de proibir a atividade — uma leitura de mercado, não uma posição do clube, que não se manifestou publicamente sobre o mérito da medida.
A aposta desses operadores é que o texto não sobreviva à tramitação. A medida provisória precisa passar pelo Congresso Nacional em 120 dias para virar lei, e já é alvo de ações no Supremo Tribunal Federal. É exatamente o mesmo cálculo que a patrocinadora fez em público: o executivo da Sportingbet na América Latina disse que uma medida provisória tem de ser aprovada e passar pelo voto do Congresso.
Por que a cautela vale dinheiro agora
Há um número que explica a paciência da diretoria melhor do que qualquer discurso. Além dos R$ 100 milhões fixos por temporada, o contrato com a Sportingbet ainda prevê cerca de R$ 70 milhões por temporada em bônus e premiações — dinheiro atrelado a desempenho esportivo.
E o desempenho está no melhor momento possível para acionar essa cláusula. O Palmeiras é o vice-líder do Brasileirão e disputa as semifinais da Libertadores, contra o Fluminense, e da Copa do Brasil, contra o Vasco. Romper o contrato agora não significa apenas abrir mão do fixo: significa abrir mão da parte que a temporada está prestes a pagar.
O que acontece com a Leapmotor
A montadora não sai de cena. Ela já estampa parte do uniforme, com contrato até março de 2028, e foi a primeira a levantar a mão quando o clube começou a sondar o mercado, em setembro. O que está suspenso é a promoção ao espaço nobre da camisa, não a parceria.
A leitura interna é de que assinar agora um contrato máster de longo prazo, num momento de preço deprimido pela incerteza, seria vender barato o ativo comercial mais valioso do clube. Se a proibição cair, o mercado de patrocínio volta a ter dois compradores disputando o mesmo espaço — e o Palmeiras prefere negociar nesse cenário.
O risco que continua na mesa
A aposta tem um lado descoberto, e a diretoria sabe. Se a medida provisória for aprovada pelo Congresso e sobreviver ao Supremo, o clube terá passado semanas sem fechar substituto, com o calendário comercial de 2027 já andando. A perda anunciada é de cerca de R$ 100 milhões por ano só na linha fixa.
Enquanto a definição não vem, a conta do dia a dia segue de pé: o clube acumula déficit de R$ 196 milhões nos oito primeiros meses do ano e precisa recompor receita com transmissão, venda de atletas, Avanti e patrocínios secundários. No futebol feminino, a marca já caiu.
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