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Campeonato Paulista

Há 50 anos, Ademir da Guia levantou seu último título e o Palmeiras entrou no jejum

Em 18 de agosto de 1976, o Divino confirmou o Paulistão sobre o XV de Piracicaba diante do maior público da história do Palestra Itália. Foi seu último troféu.

Ademir da Guia e Dudu, ídolos históricos do Palmeiras
Ademir da Guia e Dudu, ídolos históricos do Palmeiras

O dia 18 de agosto de 1976 guarda duas marcas que raramente aparecem juntas. Foi a tarde em que o Palmeiras bateu o XV de Piracicaba por 1 a 0, no Palestra Itália, e confirmou o Campeonato Paulista com antecedência. E foi também a última vez que Ademir da Guia, o Divino, ergueu um troféu com a camisa alviverde. Meio século depois, aquela quarta-feira segue sendo o ponto exato em que uma era terminou.

Aos 34 anos e já na reta final da carreira, o camisa 10 comandou um time que misturava remanescentes da Segunda Academia com nomes novos. O título encerrou sua galeria de conquistas — e abriu um jejum que só terminaria quase dezessete anos depois.

O parceiro de meio-campo virou treinador

O capítulo mais curioso daquela campanha aconteceu fora das quatro linhas. Dudu, companheiro de Ademir por mais de uma década no meio-campo alviverde, encerrou a carreira de jogador e assumiu o comando técnico do time durante a temporada.

A troca funcionou de imediato. Dudu conhecia de cor as virtudes do elenco e deu liberdade total para que Ademir ditasse o ritmo, controlasse a cadência e distribuísse o jogo — exatamente o que o meia fazia melhor do que qualquer outro. O Palmeiras virou uma equipe difícil de furar.

Jorge Mendonça, o reforço que decidiu

Para dar peso ao ataque ao lado de Edu Bala e Nei, a diretoria buscou no mercado o meia-atacante Jorge Mendonça, que vinha se destacando pelo Náutico. A contratação combinou com o passe milimétrico de Ademir: Mendonça trouxe presença de área, velocidade e agressividade, e se transformou no homem decisivo da reta final.

Foi dele o gol do título. Aos 39 minutos do primeiro tempo, o meia-atacante subiu mais alto que a marcação do “Nhô Quim” e testou firme para o fundo das redes, decretando o 1 a 0 que bastava ao Palmeiras. O time campeão foi Leão; Valdir, Samuel, Arouca e Ricardo Longhi; Pires e Ademir da Guia; Edu Bala, Jorge Mendonça, Toninho e Nei.

O recorde de público que resiste até hoje

A torcida entendeu o tamanho da tarde e lotou a Pompeia. Foram 40.283 pagantes — o maior público pagante da história do Estádio Palestra Itália em jogos oficiais, marca que atravessou todas as eras da casa alviverde antes da demolição que deu lugar à arena atual.

902
partidas de Ademir da Guia pelo Palmeiras, recorde absoluto do clube; ele também marcou 155 gols, o terceiro maior artilheiro da história alviverde
Palmeiras

A galeria de troféus do Divino

Entre 1961 e 1977, Ademir da Guia montou a coleção de títulos que o transformou no jogador mais vitorioso da história do clube, marca que divide com Junqueira. A sequência começa em 1963 e se encerra justamente naquela tarde de agosto de 1976. Não por acaso: foi naquele primeiro título que ele respondeu em campo às críticas publicadas sobre o seu início no Palmeiras.

Os títulos de Ademir da Guia pelo Palmeiras

  1. 1963 Campeonato Paulista Primeiro título de Ademir da Guia, dois anos depois da chegada ao clube.
  2. 1965 Torneio Rio-São Paulo Conquista interestadual sobre os grandes de Rio e São Paulo.
  3. 1966 Campeonato Paulista Segundo estadual do meia, no auge da Primeira Academia.
  4. 1967 Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa Ano de dois títulos nacionais na mesma temporada.
  5. 1969 Taça Brasil Mais um título nacional antes da virada de década.
  6. 1972 Campeonato Brasileiro e Paulista Dobradinha no ano da Segunda Academia.
  7. 1973 Campeonato Brasileiro Bicampeonato nacional consecutivo.
  8. 1974 Campeonato Paulista Quarto estadual do camisa 10.
  9. 1976 Campeonato Paulista O último troféu de Ademir pelo Palmeiras, sobre o XV de Piracicaba.

Pouco depois, o Divino pendurou as chuteiras de vez. Deixou o recorde inalcançável de 902 partidas e 155 gols com a camisa do Palmeiras, à frente do goleiro Emerson Leão (621 jogos) na lista de quem mais atuou pelo clube, e uma referência de classe e liderança serena que atravessa gerações. Depois de 1976, a fila só andaria em 1993. O perfil completo do camisa 10 e o resto do acervo de ídolos estão na Enciclopédia Alviverde.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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