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História

Ademir da Guia, o Divino: A Biografia do Maior Ídolo do Palmeiras

Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia e Leão
Luis Pereira, Leivinha, Ademir da Guia e Leão

Em uma era de futebol força e velocidade, existiu um oásis de calma e genialidade. Um jogador que, com a cabeça erguida e um andar elegante, parecia ditar o ritmo do universo a cada toque na bola. Ademir da Guia não foi apenas um jogador do Palmeiras; ele foi a própria alma do clube em seu período mais glorioso.

Filho do “Divino Mestre” Domingos da Guia, Ademir herdou a classe e a elevou a um patamar celestial, ganhando sua própria alcunha: “O Divino”. Esta é a história do homem que liderou a Academia de Futebol e se tornou, por aclamação, o maior ídolo da nossa história.

A Chegada ao Palestra: O Herdeiro da Classe

Nascido no Rio de Janeiro, Ademir da Guia chegou ao Palmeiras em 1961, vindo do Bangu. Sua contratação foi cercada de expectativa. Ser filho de uma lenda como Domingos da Guia trazia um peso enorme, mas Ademir, com sua personalidade calma e seu futebol cerebral, mostrou rapidamente que tinha brilho próprio. Ele não precisava de arrancadas explosivas; sua inteligência para encontrar espaços e seus passes milimétricos eram suas verdadeiras armas. Nem todos enxergaram isso de imediato: nos primeiros anos de clube, parte da imprensa tratou a pausa de Ademir como lentidão.

O Maestro da Primeira e da Segunda Academia

Ademir da Guia foi o epicentro dos dois times mais lendários da história do clube. A “Academia de Futebol” foi o apelido dado àqueles esquadrões do Palmeiras nas décadas de 60 e 70, que eram os únicos capazes de rivalizar com o Santos de Pelé.

A Primeira Academia (Anos 60)

Ao lado de craques como Djalma Santos, Djalma Dias e Julinho Botelho, Ademir liderou um time que praticava um futebol técnico e envolvente. Conquistou o Campeonato Paulista de 1963 e 1966, e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Brasileirão) de 1967 e 1969. Era o time que representou a Seleção Brasileira em 1965, um feito inédito e histórico.

A Segunda Academia (Anos 70)

Nos anos 70, Ademir, já um veterano, foi o mentor de uma nova geração de craques como Leão, Luís Pereira, Dudu e Leivinha. Esta segunda versão da Academia foi talvez ainda mais dominante, conquistando o bicampeonato brasileiro em 1972 e 1973 e os Paulistas de 1972 e 1974. A calma e a visão de jogo do Divino eram o contraponto perfeito para a força e a velocidade daquele time.

O Estilo de Jogo: A Pausa e a Genialidade

O futebol de Ademir era uma aula. Ele era famoso pela “pausa”, aquele instante em que parecia parar o tempo, esperando o movimento perfeito de seus companheiros para então desferir um passe preciso que quebrava a defesa adversária. Sua passada larga, a cabeça sempre erguida e a capacidade de proteger a bola como ninguém eram suas marcas registradas. Era um futebol que privilegiava a inteligência sobre a força, um estilo que encantou o Brasil.

O Legado de um Símbolo Eterno

Ademir da Guia dedicou 16 anos de sua vida ao Palmeiras, de 1961 a 1977. Com incríveis 902 jogos, ele é o recordista absoluto de partidas com o manto alviverde. Seus 155 gols o colocam como o terceiro maior artilheiro da história do clube.

Em 2014, o clube imortalizou seu maior ídolo com um busto de bronze no Parque Antártica. Mais do que os títulos e os recordes, o Divino representa uma era de futebol-arte, de elegância e de amor incondicional à camisa. Ele é a referência máxima, o espelho e a maior inspiração de toda a história da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ademir da Guia

“O Divino”

  • Posição: Meio-campista
  • Período no Clube: 1961 – 1977
  • Jogos Oficiais: 902 (recordista)
  • Gols Marcados: 155
  • Principais Títulos: Brasileiro (1967, 1969, 1972, 1973), Paulista (1963, 1966, 1972, 1974).

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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