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Mercado

O Palmeiras decidiu olhar para dentro antes de ir ao mercado

O CSKA Moscou negocia Helinho por 12 milhões de dólares, abaixo do que o Toluca pagou ao Bragantino. O Palmeiras segue sem abrir conversa — e pode perder o nome sem decidir nada.

Fernando Gabriel, da base do Palmeiras
Fernando Gabriel, da base do Palmeiras

O Palmeiras continua sem abrir negociação por Helinho — e agora corre o risco de o ponta do Toluca sair do mapa sem que o clube precise decidir nada. O CSKA Moscou negocia a compra do brasileiro de 26 anos por 10 milhões de dólares fixos, mais 2 milhões em bônus por metas, e as conversas com o clube mexicano já discutem forma de pagamento.

O negócio não está fechado. Há relatos de princípio de acordo entre os dois clubes e há relatos de que o Toluca considerou a quantia insuficiente e espera uma proposta maior. As versões divergem no estágio, mas coincidem no essencial: existe oferta russa em cima da mesa e ela ainda não virou transferência.

O Palmeiras não abriu negociação com Helinho, ponta do Toluca, e não pretende abrir. O nome está mapeado pelo departamento de scout, como dezenas de outros, mas a decisão do clube neste momento é outra: dar mais espaço aos jogadores da própria base.

A definição vem depois da venda de Allan ao Manchester City e do acerto pela saída de Riquelme Fillipi, de 19 anos, ao Inter Miami por 6 milhões de dólares por 60% dos direitos econômicos. As duas saídas tiram profundidade das pontas — e é justamente aí que o clube pretende olhar para dentro.

Por que 12 milhões de dólares travam a conversa

O número explica a resistência mexicana. O Toluca pagou cerca de 15 milhões de dólares ao Red Bull Bragantino para tirar Helinho do Brasil, em 2024, e a proposta russa chega abaixo do que o clube desembolsou — mesmo somando os bônus. Vender por menos do que comprou, com contrato longo em mãos, é a pior das hipóteses para quem não precisa vender.

Hélio Júnior Nunes de Castro tem vínculo até junho de 2028 e não está em fim de ciclo. Desde que chegou, no Apertura 2024, soma 69 partidas, 17 gols e 11 assistências, com dois títulos da Liga MX, um Campeón de Campeones e uma Concacaf Champions Cup. É titular de um time campeão, não peça em excesso.

Do lado de dentro do vestiário, o técnico Antonio Mohamed devolveu a pergunta aos dirigentes quando foi cobrado sobre o assunto, depois da partida contra o Juárez, nesta segunda-feira: “O Helinho está nos ajudando muito, bom, depois a gente vê. Por isso eu disse a vocês, perguntem a ele; essas perguntas… a verdade é que eu só me dedico a montar a equipe com o que tenho”, afirmou, em tradução livre.

A régua para contratar

O critério que se apurou é direto: o Palmeiras só vai ao mercado se encontrar jogador melhor do que já tem na base. Contratar para preencher vaga, sem ganho de qualidade, está descartado.

É uma posição que dialoga com o momento das categorias de formação. Felipe Teresa é o artilheiro do Brasileirão Sub-20, e Eduardo Conceição, de 16 anos, é tratado internamente como uma das principais joias do clube.

Um nome mudaria a postura, e ele não avançou

A porta não está trancada: o clube abre exceção se aparecer oportunidade que considere vantajosa. Havia um nome nessa condição — Danilo, volante do Botafogo, o único capaz de fazer o Palmeiras rever a decisão. As conversas não avançaram.

Luiz Henrique, do Zenit, também agrada, e tem características próximas às de Allan. O obstáculo é o de sempre: o valor.

O modelo de decisão é o mesmo que trouxe Barboza no meio do ano. O primeiro alvo para a defesa era Nino, do Zenit, por quem os russos queriam pelo menos R$ 50 milhões. Quando o zagueiro do Botafogo, em fim de contrato e sem intenção de renovar, foi oferecido por cerca de R$ 20 milhões, o Palmeiras trocou de alvo. Não é aversão a contratar: é aversão a pagar caro por quem não é claramente melhor do que já se tem.

O scout mapeia, o clube espera

O caso de Helinho ilustra como funciona a lista do departamento: nomes entram no radar muito antes de qualquer conversa. O próprio Palmeiras acompanhou Canobbio antes de ele ir ao Fluminense e Cuello antes de acertar com o Atlético-MG, sem que houvesse negociação em nenhum dos dois casos.

Estar mapeado, portanto, não significa proposta — distinção que costuma se perder na janela.

O teste é imediato

A aposta na base chega no fim de semana em que o Sub-20 venceu o Vasco fora de casa e ficou a um empate do título brasileiro da categoria. E chega também com o ataque profissional desfalcado: Jhon Arias, Ramón Sosa e Paulinho estão no departamento médico — e o camisa 10, depois da nova lesão, só deve voltar depois da Data Fifa de outubro.

O primeiro sinal prático apareceu contra o Santos, no jogo seguinte à saída de Allan: Heittor, de 19 anos, ganhou minutos. Ele não repõe o que Allan fazia — são características diferentes —, mas é exatamente o tipo de aposta que a régua do clube autoriza.

O prazo, porém, é curto dos dois lados. A janela brasileira fecha em 11 de setembro, e depois do empate com o Mirassol, no domingo, Abel Ferreira voltou a dizer que não pede contratação — o que quer, disse, é recuperar dois ou três jogadores que já estão no elenco.

Se o CSKA fechar, a decisão do Palmeiras deixa de ser decisão: o nome sai da lista sozinho. Se não fechar, Helinho segue no Toluca — e o Verdão segue com a mesma régua, testando a base enquanto o calendário aperta.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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