
O jogador mais exigido nos jogos do Palmeiras em 2026 costuma estar do outro lado — e de luva. Levantamento do Portal do Palestra nas 24 partidas com estatística completa registrada, entre 13 de maio e 20 de setembro, mostra que os goleiros adversários fizeram 90 defesas no período, contra 57 do goleiro alviverde. São 3,8 por jogo contra 2,4: o arqueiro rival trabalha 58% mais.
O número descreve bem o time que Abel Ferreira montou. O Palmeiras finalizou 412 vezes no recorte contra 287 dos adversários, e acertou o alvo 133 vezes contra 75. Produzir, ele produz. O problema aparece no que acontece depois do chute.
Onze jogos com o goleiro rival em noite grande
Em 11 das 24 partidas o goleiro adversário fez cinco defesas ou mais — quase metade dos jogos. O caso extremo foi o 0 a 0 com o Grêmio, na Arena: 31 finalizações, dez chutes no alvo e dez defesas. Todo chute que ia entrar foi defendido, e o time saiu com um ponto.
Os jogos em que o goleiro adversário mais trabalhou
- Grêmio 0 x 0 Palmeiras, em 20 de setembro Dez defesas, com 31 finalizações e dez chutes no alvo do Palmeiras
- Palmeiras 3 x 0 Fortaleza, em 2 de agosto Seis defesas, com 18 finalizações e nove chutes no alvo
- Palmeiras 1 x 0 LDU, em 9 de setembro Seis defesas, com 28 finalizações e sete chutes no alvo
- Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño, em 20 de maio Cinco defesas em apenas cinco chutes no alvo, e derrota em casa
- Botafogo 0 x 0 Palmeiras, em 6 de setembro Cinco defesas em cinco chutes no alvo, outro empate sem gols
Nem sempre é elogio ao goleiro
Uma defesa a mais pode significar duas coisas: finalização boa que o goleiro salvou, ou chute no meio do gol que qualquer goleiro pega. Os dois casos aparecem na série. Contra Cerro Porteño e Botafogo, o Palmeiras acertou o alvo cinco vezes e todas as cinco viraram defesa — volume baixo e conclusão fácil de defender.
Contra o Grêmio foi o oposto: dez no alvo, dez defesas, num jogo em que o goleiro decidiu. A leitura combinada com os outros dois levantamentos do portal fecha o quadro — o time converte menos quando domina a bola e perde em casa justamente nos jogos que mais controla.
A conclusão não é que falta criação. É que a última bola, a que decide entre gol e defesa, vem saindo no lugar em que o goleiro está. Corrigir isso é o que separa 31 finalizações de um ponto e 31 finalizações de três.
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