
A campanha do Palmeiras em 2026 se explica menos pelo ataque e mais pelo que acontece na própria área. Levantamento do Portal do Palestra nas 24 partidas com estatística completa registrada, entre 13 de maio e 20 de setembro, mostra que o time passou em branco defensivamente em 12 delas — metade exata. São 19 gols sofridos no período, média de 0,79 por jogo.
E o dado que amarra tudo: quando não sofre gol, o Palmeiras faz 77,8% dos pontos. Quando sofre, cai para 41,7%. A diferença entre as duas situações é maior do que qualquer variação de posse, mando ou volume de finalização medida até aqui.
O adversário chuta, mas não acerta
Os rivais finalizam 12,0 vezes por jogo contra o Palmeiras, e só 3,1 dessas vão na direção do gol. É uma pontaria de 26,1%, abaixo dos 32,3% que o próprio Palmeiras registra. Ou seja: o time não apenas concede pouco volume, como concede volume de baixa qualidade.
Quando a bola vai no alvo, o goleiro resolve três de cada quatro. Foram 57 defesas contra 19 gols, o que dá 75% de aproveitamento — número que sustenta a campanha sem aparecer em manchete.
Os jogos em que o adversário mais tentou e não passou
- Flamengo 0 x 3 Palmeiras, em 23 de maio O rival finalizou 22 vezes, só três no alvo, e o Palmeiras venceu fora de casa
- Santos 0 x 0 Palmeiras, em 2 de setembro Dezenove finalizações do adversário, quatro no alvo, nenhum gol
- Palmeiras 3 x 0 Fortaleza, em 2 de agosto Dezessete tentativas do rival e apenas duas no alvo
- Botafogo 0 x 0 Palmeiras, em 6 de setembro Quinze finalizações do adversário, quatro no alvo
- Palmeiras 1 x 0 Chapecoense, em 31 de maio Quinze tentativas do rival, três no alvo, vitória por um gol
A conclusão incomoda um pouco
Juntando com o que os levantamentos anteriores mostraram, o quadro fica claro. O time converte menos quando domina a bola, perde em casa justamente nos jogos que mais controla e faz o goleiro rival trabalhar 58% mais do que o próprio — mas segue na briga por três competições.
O que sustenta isso é a defesa. Metade dos jogos sem levar gol dá ao time margem para empatar partidas que domina sem marcar e ainda somar ponto, e para vencer por um gol de diferença quando o ataque rende pouco. Em nove das doze partidas sem gol sofrido, o placar teve dois gols de diferença ou menos.
O risco é conhecido: um sistema que ganha por 1 a 0 depende de não errar. Na reta final, com até 16 jogos em oito semanas e o desgaste dos convocados, é justamente a margem de erro que costuma encolher.
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