
Existem goleadores, existem craques e existe Evair Aparecido Paulino. Na história da Sociedade Esportiva Palmeiras, poucos jogadores aliaram com tanta perfeição a elegância técnica à letalidade na grande área.
Apelidado de “O Matador”, Evair não era apenas um fazedor de gols. Era um camisa 9 cerebral, que jogava de cabeça erguida, servia os companheiros e, quando o time mais precisava, tinha gelo nas veias para decidir.
Ele foi o símbolo do Fim da Fila em 1993 e a voz da experiência na Glória Eterna de 1999. Conheça a trajetória do homem que ensinou uma geração de palmeirenses a gritar “É Campeão”.
A Chegada e a Troca Polêmica (1991)
Vindo da Atalanta (Itália), Evair chegou ao Palmeiras em 1991 em uma troca que, na época, dividiu opiniões (o atacante Careca Bianchezi foi para o clube italiano). O início não foi fácil. Sofrendo com dores nas costas e questionado por parte da torcida e imprensa, ele chegou a ser afastado do elenco.
Mas o destino (e a chegada da parceria com a Parmalat) preparava uma reviravolta. Em 1993, recuperado e motivado, Evair assumiu a titularidade para nunca mais largar.
12 de Junho de 1993: O Dia da Redenção
Se a história do Palmeiras tivesse que ser resumida em uma única partida, seria a final do Paulistão de 1993 contra o Corinthians. O Verdão precisava vencer para encerrar um jejum de quase 17 anos sem títulos.
Naquele dia, Evair se tornou imortal.
- O Primeiro Gol: Abriu o placar após passe de Zinho.
- O Gol do Título: Na prorrogação, pênalti para o Palmeiras. O estádio do Morumbi prendeu a respiração. Com sua frieza característica, Evair deslocou o goleiro Ronaldo, estufou a rede e correu para os braços da torcida.
O grito de campeão, entalado desde 1976, saiu da garganta graças aos pés do Matador.

1994: O Ataque dos Sonhos
No ano seguinte, Evair formou com Edmundo uma das duplas de ataque mais letais da história do futebol brasileiro. A inteligência de Evair complementava a explosão do “Animal”. Juntos, conquistaram o Bicampeonato Brasileiro e o Bicampeonato Paulista, com o Matador sendo decisivo com assistências e gols de classe.
O Retorno para a Glória Eterna (1999)
Após deixar o clube em 1995, Evair retornou em 1999. Já veterano, não tinha mais a mesma velocidade, mas a inteligência e a liderança estavam intactas.
Na campanha da Libertadores de 1999, ele foi fundamental nos bastidores e no campo.
- A Semifinal contra o River Plate: Deu uma assistência magistral para Alex marcar um dos gols na vitória por 3 a 0.
- A Final contra o Deportivo Cali: No jogo decisivo, Evair entrou no segundo tempo, marcou o gol de pênalti que levou a partida para as penalidades máximas e, na disputa final, converteu sua cobrança. Foi expulso no fim, mas sua missão estava cumprida.
Números e Títulos pelo Palmeiras
Evair teve duas passagens marcantes pelo clube (1991-1994 e 1999).
- Jogos: 245
- Gols: 126 (Média impressionante de 0,51 por jogo)
- Principais Títulos:
- Copa Libertadores (1999)
- Campeonato Brasileiro (1993 e 1994)
- Campeonato Paulista (1993 e 1994)
- Torneio Rio-São Paulo (1993)
- Copa Mercosul (1998 – Participou da campanha)
O Legado do Camisa 9
Evair redefiniu a posição de centroavante no Palmeiras. Ele provou que o camisa 9 não precisava ser apenas um “trombador”, mas podia ser o jogador mais técnico do time. Sua pose clássica de braços abertos após os gols virou uma marca registrada, imitada por crianças e adultos na década de 90.
Para o torcedor que viveu a fila, Evair é, e sempre será, o maior responsável pelo resgate da autoestima alviverde. Tem o nome cravado na Enciclopédia Alviverde.
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