
A reação dos clubes ao fim das bets subiu de tom e chegou ao limite: paralisar o Campeonato Brasileiro. A possibilidade passou a ser discutida por dirigentes na noite de segunda-feira, em conversas por telefone e mensagens, segundo apurou o colunista Marcel Rizzo, do Estadão. No mesmo movimento, os presidentes combinaram boicotar a reunião com o governo marcada para esta terça — e o encontro acabou cancelado.
Para o Palmeiras, que tem as duas semifinais e a briga pelo título pela frente, uma parada no calendário mexeria com tudo. O time é o vice-líder, com 57 pontos em 28 jogos, e volta a campo em 8 de outubro contra o Bahia, num trecho de temporada que já estava comprimido antes de qualquer ameaça.
O que os clubes querem em troca
A pauta tem um pedido central: um prazo de transição para o fim da publicidade das casas de apostas, de seis meses a um ano. O plano que o governo levava à mesa era outro — uma linha de crédito a juros baixos, que já vinha sendo negociada antes do anúncio e que trata de dívida, não de receita.
Essa é exatamente a divergência que o Palmeiras já tinha levantado antes da reunião: crédito ajuda quem tem passivo caro para rolar, e o clube alviverde depende mais de faturamento recorrente. Muitos times ainda têm valores a receber das bets em 2026 para fechar as contas do ano, e o orçamento de 2027 foi montado contando com esse dinheiro.
A CBF entrou no jogo por outra porta
O segundo alvo da ameaça era a CBF, até então parada no assunto. Uma paralisação atingiria o calendário nacional inteiro até dezembro, e a confederação teria de se posicionar. Nesta terça, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, o Sinafut, pediu ao STF para participar do processo aberto pelas casas de apostas contra a medida provisória.
O Sinafut representa clubes e federações e tem forte influência da CBF — o que vários dirigentes leram como a entrada da confederação na disputa. O processo no Supremo é o mesmo em que as entidades do setor pediram a suspensão da medida, com Luiz Fux como relator.
Os cinco dias que reorganizaram a briga
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25/09 O governo publica a MP A Medida Provisória 1.394/2026 proíbe a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa.
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28/09 Clubes paulistas se reúnem na FPF Dez times das séries A e B medem o rombo e pedem diálogo com o governo.
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28/09, à noite Dirigentes articulam o boicote Em conversas por telefone e mensagens, a hipótese de parar o Brasileirão entra na pauta.
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29/09 A reunião com o governo é cancelada Boa parte dos presidentes avisa que não vai, e o encontro cai.
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29/09 O Sinafut pede entrada no STF O sindicato que representa clubes e federações quer participar do processo aberto pelas bets.
Até quem estava do lado do governo aderiu
O boicote teve adesão inclusive de clubes mais próximos do Planalto. O Corinthians, que encabeça as negociações pela linha de crédito e negocia com a Caixa a quitação do financiamento do estádio em Itaquera, também avisou que não iria. É o tamanho do consenso que a decisão criou entre dirigentes que raramente concordam.
O cancelamento não enterrou o empréstimo — a conversa sobre o novo modelo continua. O que os clubes querem agora é fôlego para encerrar os contratos sem perder o dinheiro já contratado. No Palmeiras, o contrato com a Sportingbet é o que está em jogo.
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