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Andreas Pereira, Barboza
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A parte mais longa da coletiva de Abel Ferreira depois do 0 a 0 com o Botafogo não foi sobre o jogo. Foi sobre o que estava instalado ao lado dele durante os 90 minutos. O treinador repetiu o número cinco vezes: eram três microfones perto da área técnica do Palmeiras, no Estádio Nilton Santos.
Ele disse ter percebido a montagem como uma espera — a de que ele voltasse a se exaltar, uma semana depois de ser punido pelo STJD por chutar um microfone. “Foi feito de propósito”, afirmou, antes de resumir a própria noite: “desta vez consegui controlar os demónios que tenho dentro de mim”.
Vocês veem algum microfone na Liga dos Campeões? Vocês veem algum microfone no campeonato mundial de clubes? Pois não veem. Por que é que aqui tem? O que é que vocês estão ali à espera de apanhar? É Big Brother? Estamos no Big Brother?
Os três lances que ele diz ter engolido
Para sustentar o argumento, o treinador listou os momentos em que, na avaliação dele, teria reclamado — e não reclamou. Em todos, repetiu a mesma frase: “três microfones e eu segurei-me”.
Os lances que Abel apontou na coletiva
- A falta de Marçal em Andreas Pereira Aos 24 minutos do primeiro tempo, o lateral derrubou o meia na entrada da área. Abel aplicou os critérios de distância, domínio, defensor e direção e concluiu que era expulsão. O árbitro deu amarelo.
- A entrada de Nahuel Ferraresi O treinador afirmou que o zagueiro acertou uma entrada de sola em Andreas Pereira e que o lance pedia cartão. A súmula não registra nenhuma advertência a Ferraresi na partida.
- A expulsão de Barboza Nos acréscimos, o zagueiro alviverde recebeu o segundo amarelo por deixar o braço no rosto de um adversário em disputa. Abel disse não saber se houve toque e questionou a diferença de critério entre esse lance e o de Marçal.
A cobrança é de critério, não de resultado
O ponto que Abel repetiu ao longo de toda a resposta foi a igualdade de critério, e ele o estendeu do campo ao tribunal: “a única coisa que eu peço é: se a lei existe, ela tem que ser igual para todos”. Sobre a comparação entre os dois lances de zaga, foi explícito — o critério usado para expulsar Barboza deveria ser o mesmo aplicado a Marçal.
Sobre o próprio processo, o treinador disse acreditar na absolvição e detalhou o que considera a incoerência da punição: o árbitro tomou ciência do que ele havia feito e escolheu não atuar em campo, e mesmo assim a pena saiu de zero para um e depois para dois jogos. Ele obteve efeito suspensivo nesta semana e por isso comandou a equipe no Rio, mas a punição não foi anulada.
No fim, sobrou autocrítica. Abel afirmou que não vai mudar a própria essência, que é competitivo e odeia perder, e assumiu a conta do empate: disse que o treinador do Palmeiras não foi suficientemente bom para ajudar os jogadores e que vai continuar trabalhando.
A entrevista completa está na coletiva de Abel Ferreira após o empate no Rio, e o resultado da partida, no pós-jogo do 0 a 0 no Nilton Santos.
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