Pular para o conteúdo

Arbitragem

Abel chuta microfone, e o STJD já calcula o tamanho do gancho

A procuradoria do STJD prepara denúncia pelo artigo 258, que prevê até seis jogos. O Palmeiras vê interferência: nem o VAR nem o quarto árbitro pediram expulsão.

Abel Ferreira gesticula na beira do campo durante Mirassol x Palmeiras

Nesta matéria

Jogo e jogadores citados no texto

A imagem que sobrou de Mirassol 1 x 1 Palmeiras não foi o gol do empate. Nos minutos finais, enquanto gesticulava para dentro de campo tentando chamar a atenção do árbitro João Vitor Gobi, Abel Ferreira chutou um microfone das equipes de transmissão instalado no gramado. O lance foi filmado, circulou na madrugada e agora tem consequência: a procuradoria do STJD prepara uma denúncia contra o treinador do Palmeiras.

O artigo em que a denúncia se apoia

O enquadramento em estudo é o artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não prevista nos demais artigos. É um dispositivo aberto, usado justamente para o que não se encaixa em nenhuma outra tipificação — e a pena prevista para treinador vai de uma a seis partidas.

A denúncia ainda está sendo redigida. Enquanto ela não é protocolada e distribuída a uma das comissões disciplinares, Abel segue à disposição normalmente — inclusive para a decisão de quarta-feira contra o Santos, pela Copa do Brasil, que corre em outra competição e outro rito.

O peso da ficha

O detalhe que pode empurrar a pena para o teto da escala é a reincidência. Abel não chega a este processo como réu primário: soma duas punições anteriores no tribunal, que juntas totalizaram oito jogos de suspensão. Em um artigo com faixa de um a seis, esse histórico costuma ser o que separa o mínimo do máximo.

O Palmeiras tem 52 pontos em 25 jogos e lidera o Brasileirão com quatro de vantagem sobre o Flamengo, que ainda tem um jogo a menos. Perder o treinador na beira do campo por uma sequência longa, em setembro, atinge exatamente o trecho da temporada em que o clube disputa três frentes ao mesmo tempo.

A coletiva veio no mesmo tom

Meia hora depois do apito, Abel repetiu na entrevista a insatisfação que já tinha demonstrado em campo. Chamou o critério da arbitragem de inacreditável, citou três lances e disse que o Brasil tem quadro melhor para jogos decisivos. O detalhamento do que ele falou está em Abel e a arbitragem de Mirassol x Palmeiras, e a entrevista na íntegra em assista à coletiva.

Um dos lances citados foi o segundo amarelo de Arthur, aos 90+8, que deixou o Palmeiras com dez em campo nos acréscimos. A ficha completa da partida, com todos os cartões, está na página de Mirassol x Palmeiras.

A leitura do Palmeiras: interferência, não punição

A notícia da denúncia caiu mal na direção do clube, e o incômodo tem um argumento técnico por trás. O entendimento interno é de que a Procuradoria tenta substituir uma decisão que já foi tomada em campo: o episódio do microfone aconteceu no segundo tempo, à vista de todos, e nem o VAR nem o quarto árbitro recomendaram a expulsão do treinador. Se a arbitragem avaliou e não puniu, a leitura alviverde é que reabrir o caso no tribunal é interferir na decisão do árbitro.

O clube também distingue este caso de punições anteriores por entender que não houve ofensa à arbitragem — diferente do episódio no início da competição, que rendeu suspensão pesada ao treinador. E aponta um precedente recente da mesma natureza: o de Maurício, denunciado e julgado por uma infração que em campo tinha sido punida apenas com cartão amarelo.

Há ainda uma queixa de procedimento. A informação de que Abel seria denunciado circulou na imprensa antes de o Palmeiras ser comunicado oficialmente pelo tribunal — sequência que a direção considera inadequada para um órgão de justiça desportiva.

Os dois lances que, para o clube, explicam a reclamação

Na avaliação palmeirense, o cartão amarelo que Abel levou por reclamação foi motivado por dois erros claros: a gravata em Felipe Anderson na entrada da área e uma falta em Flaco López. O clube observa ainda que a arbitragem de Gobi irritou os dois bancos — a comissão do Mirassol também reclamou em momentos distintos da partida, o que o próprio treinador fez questão de registrar na coletiva.

O que ainda não está definido

Nenhuma pena existe antes do julgamento. A procuradoria denuncia, o relator é sorteado, a defesa se manifesta e só então a comissão decide — e o intervalo entre a denúncia e a sessão costuma ser de dias, não de semanas, quando envolve um clube na briga pelo título. Até lá, o que há é um enquadramento em estudo e uma faixa de pena.

O que você achou?

💬 Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

Ver perfil e matérias Como trabalhamos e corrigimos erros
Entrar no grupo