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Brasileirão 2026

Abel Ferreira rebate crítica ao seu trabalho: “Perdemos um jogo, não perdemos o título”

Após a virada do Fluminense por 3 a 2 no Maracanã, o treinador interrompeu perguntas, cobrou contexto da imprensa e encerrou uma linha de questionamento sobre seu trabalho no Palmeiras.

Palmeiras Abel Ferreira concede coletiva no Maracanã após derrota
Palmeiras Abel Ferreira concede coletiva no Maracanã após derrota

Nesta matéria

Jogo e jogadores citados no texto

A derrota de 3 a 2 para o Fluminense no Maracanã, no sábado (15), pela 23ª rodada do Brasileirão, terminou em uma das coletivas mais tensas de Abel Ferreira desde que chegou ao Palmeiras. O treinador interrompeu perguntas, acusou a imprensa de construir narrativa, listou o que o time conquistou nos últimos anos e, diante de um repórter que questionava a qualidade do próprio trabalho, cortou a linha de conversa: “E vamos acabar aqui.”

O jogo explica o clima. O Palmeiras esteve à frente do placar duas vezes — Gustavo Gómez abriu a contagem e Maurício recolocou o Verdão em vantagem aos 82 minutos — e viu o Fluminense virar na reta final. Foi a quarta partida sem vitória, sequência que antecede a decisão de quarta-feira (19) contra o Cerro Porteño, em Assunção, pela volta das oitavas da Libertadores.

“Perdemos um jogo, não perdemos o título”

A primeira faísca veio quando um jornalista pediu uma mensagem ao torcedor e citou o jejum de quatro jogos. Abel aceitou a crítica ao desempenho, mas rejeitou o tamanho do diagnóstico. Segundo o treinador, a leitura que circula não corresponde à posição real da equipe na temporada: “às vezes a forma como tu me perguntas parece que perdemos o título hoje”, disse. E completou: “Não, perdemos um jogo, não perdemos o título.”

Na sequência, o técnico foi mais longe e disse que não aceitaria a moldura da pergunta: “não vou deixar que vocês queiram criar narrativas”. Antes disso, porém, assumiu cada ponto da derrota.

Sim, jogamos mal. Sim, cometemos erros individuais e coletivos neste jogo. Sim, perdemos um jogo. Sim, temos todos que fazer mais e melhor. Ponto.

Abel Ferreira, em coletiva no Maracanã após a derrota para o Fluminense

A pergunta que travou a sala

O momento mais áspero veio quando um repórter perguntou, de forma direta, se não era possível fazer melhor com o elenco do Palmeiras, citando o orçamento do clube e sustentando que há pelo menos dois anos a equipe não joga bem nem alcança resultados satisfatórios. Abel devolveu a provocação antes de responder: “Estás-me a fazer uma pergunta? Muito simples, faz-me uma pergunta direta.”

Quando a pergunta veio no formato que ele pediu, o treinador concordou que dá para fazer melhor — e em seguida puxou a própria régua. Enumerou o vice-campeonato brasileiro, o título paulista e a final da Libertadores no período em discussão, e devolveu ao interlocutor: “O que é que você quer que o Palmeiras ganhe sempre todos os anos? Basta olhar para a história. Olhe para a história do Palmeiras.”

A troca ainda subiu de tom quando o repórter insistiu no argumento. “Se você quiser fazer um artigo de opinião, amanhã faz um artigo de opinião. Você não está a fazer uma pergunta, você está a dar uma opinião”, respondeu Abel, antes de encerrar aquele bloco de perguntas. Mesmo ali, ele repetiu a autocrítica: “temos que fazer todos muito melhor, o treinador e os jogadores”.

O que Abel viu no 2 a 1 desperdiçado

Na parte técnica, o treinador foi específico. Disse que uma equipe como o Palmeiras não pode estar ganhando por 2 a 1 aos 82, 83 minutos e sair derrotada, porque as tarefas defensivas em bola cruzada são claras e treinadas: quem marca quem, quem acompanha o lateral que cruza, quem fica com o atacante na área. “Isso foi claramente uma falha individual e coletiva da nossa equipa”, avaliou, lembrando que “para fora, a responsabilidade é sempre minha”.

Ele detalhou ainda o terceiro gol, que considera o mais evitável: uma tabela em que o jogador que dá o passe aparece em movimento de segunda linha e precisava ser acompanhado, com um atacante recém-entrado livre na área. “Ficamos a olhar para a bola e esquecemos de acompanhar”, resumiu. O goleiro Carlos Miguel virou alvo da torcida depois da virada, mas a explicação do treinador colocou o problema na cobertura coletiva.

Gramado, arbitragem e o lance de Giay

Questionado sobre as novas regras de arbitragem que estrearam na rodada, Abel disse gostar do que viu no papel — “gosto das regras que dá dinâmica, dá fluidez ao jogo” — mas avaliou que o campo do Maracanã anulou o efeito, no pior gramado que viu desde que chegou ao Brasil. “É difícil também jogar bom futebol com um gramado como este”, afirmou.

Sobre o lance de mão de Agustín Giay reclamado pelo Fluminense, o treinador afirmou não ter assistido à reprodução e repetiu o critério que cobra da arbitragem: “Se o Giay toca na bola com a mão sem tocar na cabeça, é pênalti. Se o Giay toca na cabeça e vai da cabeça à mão, não é pênalti. Há dúvidas?”

Como fica a semana do Palmeiras

A agenda transforma a irritação em urgência. O Verdão decide a vaga nas quartas da Libertadores nesta quarta-feira (19), às 19h, no Estádio Ueno La Nueva Olla, com transmissão apenas pelo streaming. A ida terminou 1 a 1, e qualquer empate leva a decisão para os pênaltis. Depois vêm o Vasco, no domingo (23), no Nubank Parque, e o clássico com o Santos, no dia 26, pela ida das quartas da Copa do Brasil.

O treinador já projetou o Paraguai ainda no Maracanã: “vamos agora recuperar a nossa equipa e preparar-nos para fazer tudo o que nós pudermos para estar na próxima fase. Esse é o nosso objetivo.” A reação também foi cobrada internamente — Abel, elenco, diretoria e Leila Pereira se reuniram antes do treino de domingo — e a viagem terá desfalques, com a lesão muscular de Ramón Sosa confirmada em exames e Andreas Pereira suspenso. No Brasileirão, apesar do jejum, o Palmeiras segue líder com 48 pontos.

Todas as entrevistas do treinador, em vídeo e na íntegra, ficam em coletiva de Abel Ferreira, atualizada depois de cada jogo.

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Thiago Gomes

Autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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