
A história recente do Palmeiras não começa com Abel Ferreira. Começa antes, em um período de dor, cobrança, instabilidade e reconstrução profunda. Antes de se tornar o clube que empilhou títulos nacionais e continentais, o Verdão precisou atravessar um dos momentos mais duros de sua história: o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012, justamente no mesmo ano em que havia conquistado a Copa do Brasil.
A contradição resume bem aquele Palmeiras. Em julho de 2012, o time comandado por Luiz Felipe Scolari venceu a Copa do Brasil ao superar o Coritiba na decisão. O clube oficial lembra que o título veio após vitória por 2 a 0 na ida, na Arena Barueri, e empate por 1 a 1 no Couto Pereira, resultado que ampliou a galeria nacional alviverde. Poucos meses depois, porém, o mesmo Palmeiras foi rebaixado no Brasileirão, com a queda confirmada após empate por 1 a 1 com o Flamengo, em Volta Redonda.
O paradoxo de 2012 marcou o ponto de ruptura. O Palmeiras era campeão, mas estava quebrado em confiança, estrutura, elenco e planejamento. A conquista da Copa do Brasil garantiu presença na Libertadores de 2013, mas o clube disputaria a competição continental ao mesmo tempo em que teria de encarar a Série B. Era a fotografia de um gigante que ainda tinha camisa, torcida e tradição, mas precisava reorganizar seus alicerces.

O trauma de 2012 e a necessidade de mudar o clube por dentro
O rebaixamento de 2012 não foi apenas esportivo. Ele expôs um modelo de gestão desgastado, dependente de soluções imediatistas e incapaz de sustentar competitividade em longo prazo. O Palmeiras tinha problemas financeiros, instabilidade política e dificuldade para montar elencos equilibrados. A reconstrução, portanto, não poderia ser apenas a contratação de novos jogadores. Precisava ser institucional.
Esse processo ganhou força a partir de 2013, com a chegada de Paulo Nobre à presidência. O dirigente assumiu oficialmente o clube em 22 de janeiro de 2013, tornando-se o mais jovem presidente do Palmeiras desde Dante Delmanto, em 1932. Sua gestão ficou marcada por uma postura de austeridade, reorganização financeira e tentativa de profissionalizar a administração de um clube que vinha de anos turbulentos.
Na prática, o Palmeiras precisava voltar à Série A sem perder de vista uma reforma maior. O retorno à elite era obrigação. Mas, para que o clube não repetisse o ciclo de altos e baixos, era preciso arrumar fluxo de caixa, renegociar dívidas, valorizar receitas recorrentes, modernizar processos internos e preparar o futebol para competir em outro patamar.
A dimensão do problema financeiro apareceu publicamente ainda em 2013. Paulo Nobre admitiu aumento da dívida do clube, citando ausência de patrocinadores relevantes no uniforme e falta de novas receitas como fatores de pressão sobre o caixa. No mesmo período, reportagens registraram operações para obtenção de recursos e empréstimos usados para pagar dívidas e manter o funcionamento do clube.
2013: o retorno à Série A e a primeira etapa da reconstrução
Dentro de campo, o Palmeiras cumpriu sua obrigação em 2013. Disputou a Série B sob pressão, com a responsabilidade de retornar rapidamente à elite nacional. O acesso foi confirmado durante a campanha, e o título veio em novembro, com vitória por 3 a 0 sobre o Boa Esporte, no Pacaembu, pela 36ª rodada. Felipe Menezes, Leandro e Juninho marcaram os gols da partida que confirmou o bicampeonato palmeirense da segunda divisão.
A conquista da Série B, apesar de importante, não apagava o tamanho da missão. O Palmeiras voltava à Série A, mas ainda não era um time pronto para disputar títulos de forma regular. O elenco precisava de qualificação. O clube ainda vivia restrições financeiras. E o futebol brasileiro, cada vez mais competitivo, exigia receitas maiores, departamentos mais modernos e maior capacidade de planejamento.
Mesmo assim, 2013 foi decisivo porque interrompeu a queda livre. O Palmeiras deixou de sangrar esportivamente e ganhou tempo para avançar em sua reorganização. Era o início de uma transição: sair do clube que reagia a crises para tentar construir um clube capaz de antecipar problemas.
2014: centenário, sofrimento e a volta para casa
Se 2013 foi o ano do retorno, 2014 foi o ano da tensão. O Palmeiras completou 100 anos, mas teve uma temporada marcada por sofrimento no Brasileirão. O clube flertou novamente com o rebaixamento e só escapou na reta final. O centenário, que deveria ser uma celebração plena, virou mais um lembrete de que a reconstrução ainda estava longe de terminar.
Mas 2014 também entregou um elemento estrutural fundamental para a virada dos anos seguintes: a inauguração do Allianz Parque. O Palmeiras voltou para casa em novembro de 2014, após quatro anos longe do antigo Palestra Italia. A abertura oficial ocorreu em 19 de novembro, contra o Sport, pelo Campeonato Brasileiro, diante de 35.939 pessoas, segundo o próprio clube.
A nova arena mudou o potencial econômico do Palmeiras. O clube passou a ter uma casa moderna, capaz de gerar receitas maiores com bilheteria, camarotes, experiências, eventos e valorização de marca. O impacto não foi imediato a ponto de resolver todos os problemas, mas o estádio se tornou uma peça importante da nova realidade alviverde.
A reinauguração da casa também teve efeito simbólico. O Palmeiras deixava para trás o período de exílio e voltava a ter um palco compatível com sua grandeza. Em uma reconstrução, símbolos importam. E o Allianz Parque ajudou a recolocar o clube em uma posição de força diante de torcida, patrocinadores, mercado e adversários.
2015: Crefisa, FAM, Alexandre Mattos e a virada de ambição
O ano de 2015 representou uma mudança clara de escala. Em janeiro, o Palmeiras oficializou o patrocínio master com a Crefisa, em contrato inicial de dois anos. O acordo recolocou uma marca forte na parte principal da camisa e abriu uma nova etapa de investimento no futebol.
Poucos dias antes, o clube também havia anunciado Alexandre Mattos como diretor de futebol. Bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro, o dirigente chegou para liderar uma reformulação profunda no elenco. A contratação marcou a entrada do Palmeiras em uma lógica mais agressiva de mercado, com mais capacidade de negociação, mais volume de reforços e maior ambição competitiva.
A combinação entre patrocínio forte, arena nova, gestão mais organizada e departamento de futebol reformulado mudou o patamar do Palmeiras. O clube passou a ser mais competitivo na disputa por jogadores, montou um elenco mais robusto e reconectou a torcida a um projeto vencedor.
O resultado esportivo veio rapidamente. Em 2015, o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil ao vencer o Santos em uma final dramática. Depois de perder por 1 a 0 na Vila Belmiro, o Verdão fez 2 a 1 no tempo normal no Allianz Parque, com dois gols de Dudu, e ficou com o título nos pênaltis, com Fernando Prass como personagem decisivo.
Aquele título teve peso enorme. Não foi apenas mais uma taça. Foi a confirmação de que o Palmeiras reconstruído começava a produzir resultado. A Copa do Brasil de 2015 devolveu ao clube a sensação de protagonismo, garantiu vaga na Libertadores e mostrou que o Allianz Parque poderia ser um fator competitivo real.

Dudu, Prass, Zé Roberto e uma nova identidade competitiva
A reconstrução palmeirense também passou por personagens. Dudu virou símbolo técnico e emocional da nova fase. Fernando Prass representou liderança, identificação e decisão. Zé Roberto trouxe experiência, profissionalismo e exemplo diário. Outros nomes, como Gabriel Jesus, Vitor Hugo, Edu Dracena, Moisés, Tchê Tchê, Jean e tantos atletas do período, ajudaram a formar um elenco com mais profundidade e mentalidade vencedora.
O Palmeiras deixou de depender apenas de lampejos individuais. Passou a ter elenco, banco, competitividade interna e capacidade de suportar calendário. Essa mudança foi essencial para o que viria depois, porque nenhum ciclo vencedor se sustenta apenas em 11 titulares. O clube começou a entender a importância de grupo, estrutura e continuidade.
2016: o Brasileirão de Cuca e a volta ao topo nacional
Se 2015 foi a retomada em mata-mata, 2016 foi a afirmação em pontos corridos. O Palmeiras conquistou o Campeonato Brasileiro sob comando de Cuca, encerrando uma longa espera por um título nacional de liga. O próprio clube registra que, ao fim da gestão Paulo Nobre, o Palmeiras havia sido campeão da Copa do Brasil de 2015 e do Campeonato Brasileiro de 2016, ampliando sua hegemonia nacional.
O time de Cuca tinha intensidade, competitividade, força física, jogo vertical e enorme conexão com a torcida. O Allianz Parque virou caldeirão. A equipe soube transformar mando de campo em vantagem, controlar a pressão da disputa e sustentar regularidade ao longo do campeonato.
A conquista do Brasileirão de 2016 foi um marco porque reposicionou o Palmeiras no topo do futebol brasileiro. O clube não era mais apenas um gigante tentando se recuperar. Era novamente protagonista. E, mais importante, chegava ao título com sinais claros de estrutura: elenco forte, receitas maiores, torcida engajada, estádio moderno e gestão com rumo.
A transição de Paulo Nobre para Maurício Galiotte
No fim de 2016, Paulo Nobre passou o comando para Maurício Galiotte, seu vice e sucessor político. Galiotte foi eleito presidente para o biênio 2017/2018 como candidato único, com 1.639 votos dos associados, e depois foi reeleito para o triênio 2019/2020/2021.
A transição foi relevante porque preservou a linha de continuidade. Em clubes brasileiros, muitas reconstruções se perdem justamente quando há ruptura política. No Palmeiras, apesar de conflitos naturais de bastidores, houve manutenção de pilares: busca por profissionalização, força financeira, investimento no futebol e obsessão por competitividade.
Galiotte herdou um clube mais forte do que aquele recebido por Nobre em 2013. Mas também herdou uma cobrança maior. Depois de Copa do Brasil e Brasileirão, o torcedor passou a exigir Libertadores, regularidade e elencos capazes de vencer sempre.
2017: dinheiro não resolve tudo
O ano de 2017 foi um lembrete importante: reconstrução financeira não garante vitória automática. O Palmeiras entrou na temporada com elenco badalado, contratações relevantes e status de favorito em várias competições. Mesmo assim, terminou o ano sem títulos de expressão.
A eliminação na Libertadores para o Barcelona de Guayaquil, nas oitavas de final, e a perda do Brasileirão para o Corinthians geraram frustração. O clube tinha estrutura, dinheiro e elenco, mas ainda buscava equilíbrio entre investimento e desempenho. A temporada mostrou que o Palmeiras havia recuperado poder de mercado, mas ainda precisava transformar esse poder em modelo esportivo mais estável.
Esse aprendizado seria importante nos anos seguintes. O Palmeiras começou a entender que não bastava contratar muito. Era preciso contratar melhor, criar processos, amadurecer ambiente, reduzir ruídos e dar ao departamento de futebol uma lógica mais consistente.
2018: Felipão, pragmatismo e mais um Brasileirão
Em 2018, o Palmeiras voltou ao topo do país. Depois de mudanças no comando técnico, Luiz Felipe Scolari retornou ao clube e conduziu a equipe ao título brasileiro. Foi o décimo título nacional de liga do Palmeiras, confirmado em uma campanha marcada por força defensiva, elenco numeroso e grande aproveitamento no segundo turno.
O Brasileirão de 2018 reforçou uma característica decisiva da reconstrução: o Palmeiras tinha elenco para competir em várias frentes. Felipão soube explorar a profundidade do grupo, proteger a equipe defensivamente e transformar o time em uma máquina de resultados.
Também foi um título que consolidou a gestão Galiotte e reafirmou a posição do Palmeiras como maior campeão nacional. Entre 2015 e 2018, o clube havia conquistado duas Copas do Brasil ou Brasileirões, voltado à Libertadores com frequência e se tornado presença constante entre os favoritos.
2019: o ano da frustração que antecipou a próxima ruptura
A temporada de 2019, porém, trouxe desgaste. O Palmeiras começou o ano com expectativa alta, manteve um elenco caro e competitivo, mas não conseguiu transformar investimento em títulos relevantes. A eliminação na Libertadores para o Grêmio, a queda de desempenho no Brasileirão e a pressão crescente da torcida produziram um ambiente de fim de ciclo.
Felipão deixou o comando durante a temporada. Mano Menezes chegou depois, mas também não conseguiu reverter a percepção de esgotamento. Ao fim do ano, Alexandre Mattos, símbolo da fase de contratações e da remontagem do futebol palmeirense desde 2015, deixou o clube após cinco temporadas.
Esse ponto é essencial para entender Abel Ferreira. O Palmeiras que contrataria Abel em 2020 não era um clube em ruínas como em 2012. Era uma potência que precisava de novo método. Tinha dinheiro, estrutura, estádio, elenco, base fortalecida e cultura de cobrança. Mas precisava de um treinador capaz de transformar tudo isso em identidade competitiva de longo prazo.
Os pilares da reconstrução alviverde
Entre a queda de 2012 e o novo ciclo vencedor, o Palmeiras combinou reorganização financeira, nova arena, patrocínio forte, reformulação do futebol e títulos que mudaram o patamar do clube.
| Ano | Marco | O que aconteceu | Impacto na reconstrução |
|---|---|---|---|
| 2012 | Título e queda | O Palmeiras conquistou a Copa do Brasil, mas foi rebaixado no Campeonato Brasileiro. | A temporada expôs a contradição de um clube gigante, mas sem estabilidade esportiva e administrativa. |
| 2013 | Gestão Paulo Nobre | O clube iniciou uma fase de reorganização financeira e voltou à Série A com o título da Série B. | A prioridade passou a ser reconstruir o Palmeiras por dentro antes de buscar protagonismo permanente. |
| 2014 | Allianz Parque | O Palmeiras inaugurou sua nova arena e voltou a ter uma casa moderna após anos longe do Palestra Italia. | O estádio aumentou o potencial de receitas, fortaleceu a marca e devolveu identidade ao clube. |
| 2015 | Crefisa, FAM e Mattos | Chegaram o patrocínio master da Crefisa/FAM e Alexandre Mattos para comandar a reformulação do futebol. | O Palmeiras ganhou força de mercado, montou elenco competitivo e conquistou a Copa do Brasil. |
| 2016 | Brasileirão de Cuca | Com elenco forte e Allianz Parque pulsando, o Verdão conquistou o Campeonato Brasileiro. | O título confirmou a volta do Palmeiras ao topo nacional e consolidou a virada iniciada após 2012. |
| 2018 | Brasileirão de Felipão | Luiz Felipe Scolari retornou e conduziu o clube a mais um título brasileiro. | A conquista mostrou que o Palmeiras já tinha elenco, estrutura e ambiente para vencer de forma recorrente. |
| 2019 | Fim de ciclo | A temporada teve frustrações, trocas no comando técnico e saída de Alexandre Mattos ao fim do ano. | O clube não estava em ruínas, mas precisava de novo método esportivo. O caminho para Abel estava aberto. |
A base invisível da era Abel
Abel Ferreira foi anunciado pelo Palmeiras em 30 de outubro de 2020, após passagem pelo PAOK, da Grécia. O contrato inicial era válido até o fim de 2022, e o português chegou com sua comissão técnica para substituir Vanderlei Luxemburgo.
Quando Abel desembarcou, encontrou um clube muito diferente daquele de 2012. O Palmeiras tinha um centro de treinamento consolidado, arena moderna, elenco competitivo, jovens talentos surgindo da base, patrocínio forte, experiência em grandes jogos e pressão por títulos. A reconstrução de 2012 a 2019 não explicava tudo que Abel faria, mas explicava o terreno que permitiu sua obra.
A era Abel potencializou estruturas que já estavam em movimento. O português trouxe método, intensidade, leitura estratégica, mentalidade de mata-mata, gestão de grupo e capacidade de competir sob pressão. Mas a base institucional havia sido pavimentada antes: primeiro pela reorganização de Paulo Nobre, depois pela continuidade de Galiotte, pelo investimento da Crefisa/FAM, pela modernização da arena e pela reformulação do departamento de futebol.
Com Abel, o Palmeiras alcançou um ciclo histórico. O treinador conquistou Libertadores, Copa do Brasil, Recopa, Supercopa, Paulistas e Brasileirões, tornando-se o técnico mais vitorioso da história do clube. Em ranking oficial do Palmeiras, Abel aparece com 11 títulos, à frente de Oswaldo Brandão, com 10.
Por que o Palmeiras de Abel pode ser visto como o melhor da história?
Chamar o Palmeiras de Abel Ferreira de “melhor Palmeiras de todos os tempos” envolve debate. O clube teve outras eras gigantescas, como a Academia dos anos 1960 e 1970, períodos marcantes nos anos 1990 e ciclos históricos com técnicos e jogadores lendários. Mas há argumentos objetivos para colocar a era Abel no topo da discussão.
O primeiro é a combinação de longevidade e quantidade de títulos. Em um futebol brasileiro de calendário pesado, troca constante de treinadores e alto nível de pressão, Abel conseguiu manter o Palmeiras competitivo por anos. O segundo é a força continental: as Libertadores de 2020 e 2021 colocaram o clube novamente no centro da América. O terceiro é a capacidade de vencer em formatos diferentes: mata-mata, pontos corridos, finais estaduais e competições internacionais.
O quarto é a integração entre elenco profissional, base e mercado. A era Abel também coincidiu com valorização de jovens formados no clube e manutenção de um modelo competitivo mesmo com saídas importantes. Isso mostra que o Palmeiras não apenas ganhou; criou uma estrutura capaz de se renovar.
O papel dos patrocinadores e a diferença entre investimento e dependência
A entrada da Crefisa e da FAM em 2015 foi central para a mudança de patamar. O patrocínio fortaleceu receitas, aumentou a exposição da marca Palmeiras e ajudou o clube a operar em um nível mais alto no mercado. Mas reduzir a reconstrução apenas ao dinheiro seria simplificar demais.
O Palmeiras precisou de gestão, estádio, torcida, departamento de futebol, base, ambiente competitivo e decisões administrativas. O patrocínio foi um acelerador poderoso, não a única explicação. A prova é que dinheiro sem método não produziu títulos em todos os anos. 2017 e 2019 mostraram justamente isso: investimento alto não elimina a necessidade de direção esportiva.
Também é importante corrigir uma confusão comum: o Palmeiras não virou SAF nesse processo. A reconstrução ocorreu dentro do modelo associativo tradicional, com presidentes eleitos, patrocinadores fortes e decisões administrativas internas. Leila Pereira, dona da Crefisa e da FAM, tornou-se posteriormente presidente do clube, eleita em 2021 como a primeira mulher a comandar o Palmeiras, mas isso aconteceu depois do recorte principal de 2012 a 2019.
A reconstrução não foi linha reta
A narrativa da reconstrução palmeirense costuma parecer simples quando vista em retrospecto: queda, volta, arena, patrocínio, títulos, Abel. Mas a realidade foi mais dura. Houve risco de novo rebaixamento em 2014, frustração em 2017, desgaste em 2019, trocas de técnicos, críticas a contratações, pressão sobre dirigentes e cobrança permanente da torcida.
Justamente por isso, o ciclo é tão relevante. O Palmeiras não saiu do caos por um golpe de sorte. Saiu porque acumulou decisões que, mesmo com erros, mudaram o eixo do clube. A austeridade inicial deu lugar à capacidade de investimento. A arena fortaleceu receitas e identidade. O patrocínio elevou o poder de mercado. Os títulos devolveram confiança. As frustrações ajustaram a rota.
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Do rebaixamento à base da era Abel
A reconstrução do Palmeiras não aconteceu em um único ano. Foi uma sequência de decisões, títulos, frustrações e mudanças estruturais que prepararam o clube para o ciclo mais vencedor da era moderna.
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2012
Copa do Brasil e rebaixamento
O Palmeiras conquistou a Copa do Brasil, mas caiu no Campeonato Brasileiro. A temporada virou o ponto de ruptura para uma mudança profunda.
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2013
Reorganização e volta à elite
Com Paulo Nobre na presidência, o clube iniciou uma gestão mais austera, reorganizou prioridades e conquistou a Série B.
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2014
A volta para casa
O Allianz Parque foi inaugurado e devolveu ao Palmeiras uma arena moderna, com potencial para ampliar receitas e fortalecer a marca.
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2015
Patrocínio, elenco e taça
A chegada da Crefisa/FAM e de Alexandre Mattos elevou o nível de investimento. No fim do ano, o Verdão venceu a Copa do Brasil.
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2016
O Brasil voltou a ser verde
Com Cuca, elenco forte e Allianz Parque decisivo, o Palmeiras conquistou o Brasileirão e recuperou o protagonismo nacional.
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2018
Felipão e a confirmação do novo patamar
O segundo Brasileirão em três anos confirmou que o Palmeiras já não vivia uma reação pontual, mas um ciclo competitivo consistente.
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2019
Fim de ciclo e necessidade de novo método
As frustrações da temporada indicaram desgaste no modelo. O Palmeiras seguia forte, mas precisava de uma nova direção esportiva para transformar estrutura em identidade.
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2020
Abel encontra a base pronta
Abel Ferreira chegou a um clube já reconstruído em estrutura, receitas, elenco e cobrança. Seu trabalho transformou essa base em uma era histórica.
Conclusão: Abel foi o auge de uma reconstrução que começou na dor
Abel Ferreira não inventou o Palmeiras vencedor. Ele elevou o Palmeiras vencedor a um patamar histórico. A diferença é importante. Sem a reconstrução iniciada após o colapso de 2012, dificilmente o clube teria oferecido ao treinador português as condições que encontrou em 2020.
O caminho entre 2012 e 2019 foi o da reconstrução silenciosa e barulhenta ao mesmo tempo: silenciosa nos bastidores administrativos, barulhenta nas arquibancadas, nas cobranças, nas eliminações e nas conquistas. O Palmeiras precisou cair para entender que tradição não bastava. Precisou voltar, sofrer, investir, errar, ganhar e amadurecer.
Quando Abel chegou, encontrou um gigante pronto para ser lapidado. O melhor Palmeiras de todos os tempos, para muitos torcedores, nasceu das ideias do treinador português. Mas suas fundações foram erguidas anos antes, no período em que o clube decidiu deixar de sobreviver ao passado para construir o futuro.
Perguntas Frequentes
O que foi a reconstrução do Palmeiras entre 2012 e 2019?
Foi o processo de reorganização esportiva, financeira e administrativa iniciado após o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2012. O período incluiu a gestão Paulo Nobre, o retorno à Série A, a inauguração do Allianz Parque, a chegada do patrocínio Crefisa/FAM, a contratação de Alexandre Mattos, os títulos da Copa do Brasil de 2015 e dos Brasileirões de 2016 e 2018.
O Palmeiras virou SAF nesse período?
Não. O Palmeiras não virou SAF entre 2012 e 2019. O clube seguiu como associação civil. A reconstrução ocorreu por meio de gestão administrativa, fortalecimento de receitas, patrocínios, novo estádio, profissionalização do futebol e montagem de elencos competitivos.
Qual foi o papel de Paulo Nobre na reconstrução do Palmeiras?
Paulo Nobre assumiu a presidência em 2013, após o rebaixamento, e iniciou uma gestão marcada por austeridade, reorganização financeira e mudança de mentalidade administrativa. Durante seu ciclo, o Palmeiras retornou à Série A, inaugurou sua nova arena e conquistou a Copa do Brasil de 2015 e o Brasileirão de 2016.
Por que 2015 foi tão importante para o Palmeiras?
Porque marcou a virada de ambição do clube. O Palmeiras fechou patrocínio master com a Crefisa, contratou Alexandre Mattos para comandar o futebol, reformulou o elenco e conquistou a Copa do Brasil contra o Santos, no Allianz Parque.
Como o Palmeiras preparou o caminho para Abel Ferreira?
O clube chegou a 2020 com estrutura muito mais forte do que tinha em 2012: arena moderna, receitas maiores, elenco competitivo, base mais valorizada, cultura de títulos e pressão por protagonismo. Abel Ferreira potencializou essa estrutura com método, organização e mentalidade vencedora.
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em 2019?
Não. Abel Ferreira foi anunciado pelo Palmeiras em 30 de outubro de 2020. O recorte de 2012 a 2019 explica a reconstrução que preparou o clube para a chegada do treinador no ano seguinte.
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