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Brasileirão 2026

Abel questiona convocações e vê “alguma coisa errada” na briga pelo título

Depois da goleada, o treinador comparou a situação do Palmeiras com a do Flamengo na data Fifa, disse que o rival tem tudo para ser campeão e falou de Maurício e Vitor Roque.

Abel Ferreira observa o jogo na beira do campo contra o Remo no Nubank Parque
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Nesta matéria

Jogo e jogadores citados no texto

Abel Ferreira saiu da goleada de 6 a 1 sobre o Remo incomodado com a data Fifa. Na entrevista coletiva desta quinta-feira (5), no Nubank Parque, o treinador questionou a forma como as convocações afetam a briga pelo título brasileiro e disse que “há alguma coisa que está errada”, mas que o problema não são as seleções.

O Palmeiras não teve jogadores chamados pela Seleção Brasileira, e o treinador comparou essa situação com a de quem tem atletas viajando para outras seleções. A coletiva completa está no vídeo.

“O Palmeiras lhes paga o salário”

Perguntado sobre Flaco López e Giay, convocados pela Argentina, Abel lembrou que nenhum jogador do Palmeiras foi chamado pela Seleção Brasileira na última convocação. “Eu particularmente não gostei de ouvir dizer que não vou convocar os jogadores do Palmeiras, quando já antes não tinham havido convocados”, afirmou.

O treinador disse que o calendário é um dos fatores que definem o campeonato. “O Brasil decide não convocar três ou quatro jogadores do Flamengo, porque do Palmeiras não foi nenhum. Estes são factos. E a Argentina, com todo o direito, porque é assim que tem que ser, decide convocar dois ou três. O Paraguai decide convocar dois ou três”, disse.

Em seguida, fez a pergunta central da entrevista: “Pergunto se vos parece justo, uma equipa que está a lutar pelo Brasileirão, a haver seleções que dispensam os jogadores e a haver outras que os levam para o outro lado do mundo. Sendo que o Palmeiras lhes paga o salário e estamos num período em que precisamos muito deles”.

Abel fez questão de não culpar as seleções: “Aqui perguntam se as seleções estão mal. Para mim, não. Há alguma coisa que está errada aqui, mas não são as seleções”.

“Vou ver se consigo ter 15 jogadores”

A preocupação tem data. O Palmeiras enfrenta o Cruzeiro em 18 de novembro, um dia depois do fim da pausa, e o clube prepara uma operação para trazer os convocados. Abel já admite que não contará com os paraguaios e vê dificuldade com outros nomes.

“O Flaco joga na véspera do jogo contra o Cruzeiro, o Arias também, os do Paraguai estão lá do outro lado do mundo, e tem quatro ou cinco moleques que também vão ser convocados”, disse. “Vou ver se consigo ter 15 jogadores. Só preciso de 15 jogadores. Vou fazer um esforço, a ver se tenho 15 jogadores, se me deixam ter 15 jogadores.”

Flamengo “tem tudo” para ganhar, diz Abel

Mesmo depois da goleada, o treinador reconheceu a vantagem do rival. “Temos tido um rival nesta competição fantástico. O Flamengo tem sido muito consistente nesta competição, e a prova disso é que nós estamos atrás deles”, afirmou. “Eu acho que, mesmo ganhando aqui em casa, eles continuam a depender deles. Eu mentiria se não dissesse que têm tudo para poder ganhar esta competição.”

Questionado sobre a distância entre os dois clubes e o restante do campeonato, Abel rejeitou a explicação pelo dinheiro: “Se fosse pelo dinheiro e investimento, o Flamengo era sempre campeão, que é o clube que mais investe, é o clube que mais contrata”. Para ele, a diferença é a consistência, inclusive na manutenção do trabalho, e citou a presidente Leila Pereira. “Pode estar o barulho que estiver fora, mas ela sabe o treinador que tem”, disse.

Maurício, Vitor Roque e a base

Sobre Maurício, que chegou a 15 gols na temporada, Abel foi direto ao responder se o jogador é uma dúvida no time ideal: “Eu preciso ver quem é dos outros e vou tirar. Ele não”. E completou: “Comigo não é o nome que joga. É rendimento”.

O técnico também explicou por que manteve Vitor Roque em campo até o fim. Segundo ele, o atacante depende da força física para render o melhor e precisa de ritmo, ainda mais com a possibilidade de ausência de Flaco López contra o Cruzeiro. “Claro que sim, é uma possibilidade”, respondeu. Disse ainda que o atacante precisa se preparar, porque pode começar jogando contra o Vasco.

Perguntado sobre os garotos da base que ficaram no banco, Abel defendeu o trabalho com jovens e pediu calma. Disse que o Palmeiras exige títulos, que os jogadores da base se formam sob a pressão do time principal e que a escolha precisa acontecer na hora certa.

“Meter o pé no acelerador”

Sobre a postura de buscar o ataque até o fim, mesmo com o placar resolvido, Abel disse que não conhece outra forma de se preparar para as decisões. “Para mim, dá-me tanto trabalho ganhar uma Libertadores como ganhar um Paulista”, afirmou, antes de usar a imagem de Ayrton Senna para explicar o que pede ao time: acelerar nas retas e frear na hora certa. O próximo compromisso é contra o Vasco, no domingo (8), às 17h, em São Januário.

Todas as entrevistas do treinador, em vídeo e na íntegra, ficam em coletiva de Abel Ferreira, atualizada depois de cada jogo.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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