
A Conmebol dá de ombros a casos de racismo. Para a entidade, a discriminação é só uma “brincadeira”, como a que atingiu Luighi, do Palmeiras, durante a Libertadores Sub-20.
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Na zona mista da sede da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), em Luque, no Paraguai; o presidente da entidade, Alejandro Domínguez, fez uma comparação lamentável após o sorteio dos grupos da Libertadores e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, repudiou a fala do dirigente.
Por conta dos casos de racismo, recorrentes no Paraguai, Uruguai e Argentina, principalmente, cujas punições da Conmebol são brandas; a presidente do Palmeiras sugeriu que os clubes brasileiros deixassem a entidade para registrarem-se na CONCACAF – Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe.
Ao ser questionado sobre o que seria uma Libertadores sem times brasileiros, Domínguez fez comparação esdrúxula, após racismo contra o Palmeiras, ao dizer que seria como “Tarzan sem Cheeta”, referindo-se ao personagem, herói da floresta, criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs, em 1912, e sua chimpanzé de estimação.
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ASSISTA À DEPRIMENTE IRONIA DE ALEJANDRO DOMÍNGUEZ
A declaração do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, provocou forte reação no Palmeiras, especialmente num momento em que o clube paulista lidera uma campanha contra o racismo no futebol Sul-Americano, após o episódio envolvendo Figueiredo e Luighi, em partida contra o Cerro Porteño (URU), em rodada da Libertadores Sub-20.
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, não poupou críticas. “Quando vi a declaração do presidente Alejandro Domínguez, confesso que custei a acreditar que ela fosse verdadeira. Achei até que pudesse ser um vídeo manipulado”, afirmou a dirigente palmeirense, visivelmente indignada com o comentário.
Leila foi além e classificou a fala como uma possível provocação: “Não é possível que, mesmo após o caso de racismo do qual os atletas do Palmeiras foram vítimas no Paraguai, o presidente da Conmebol faça uma comparação abominável como essa. Parece até uma provocação ao Palmeiras e aos demais clubes brasileiros”.
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CASO RECENTE DE RACISMO
O estopim da tensão entre o Verdão e a entidade foi um episódio de racismo sofrido pelo atacante Luighi, quando o Palmeiras derrotou o Cerro Porteño e se classificou à semi da Libertadores Sub-20, na segunda rodada da fase de grupos do torneio. Desde então, o Alviverde tem intensificado sua cobrança por medidas mais severas da Conmebol.
O Palmeiras solicitou punições exemplares como multa máxima de US$ 400 mil (R$ 2,2 milhões, na cotação atual) por reincidência, jogos com portões fechados nas disputas da Conmebol Libertadores Sub-20 e até mesmo a exclusão do Cerro Porteño da competição. Mas a Confederação Sul-Americana de Futebol tomou outras medidas.
A Conmebol decidiu aplicar uma multa de apenas US$ 50 mil, o que corresponde a R$ 283,5 mil na cotação atual. Além disso, a entidade também determinou jogos com portões fechados quando o time paraguaio já estava eliminado do torneio e exigindo apenas a publicação de uma mensagem de conscientização contra o racismo nas redes sociais.
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BOICOTE AO SORTEIO
O Palmeiras expressou insatisfação às medidas da Conmebol contra o Cerro e, em protesto contra o que considerou punições brandas, a mandatária Alviverde, Leila Pereira, não compareceu ao sorteio dos grupos da Libertadores no Paraguai. O segundo vice-presidente Paulo Buosi representou o clube no evento.
“A declaração do presidente Alejandro demonstra, mais uma vez, a dificuldade da Conmebol em compreender o que é racismo. Se as pessoas que comandam o futebol Sul-Americano nem sequer sabem o que é racismo, como serão capazes de combatê-lo?”, questionou Leila Pereira.
A executiva revelou ainda que o Palmeiras, junto com a Libra e a LFU, enviou uma carta à FIFA pedindo providências e solicitando penas mais rigorosas em casos de racismo. “Seguiremos fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para combater este crime, mas precisamos da ajuda de todos!”, destacou.
A presidente do Palmeiras também lembrou o peso econômico dos clubes brasileiros: “Os clubes brasileiros são responsáveis pela grande maioria das receitas geradas pela Conmebol e, juntos, têm de se impor para cobrar a aplicação de penas exemplares em casos de racismo. Repito: a impunidade é a semente do próximo crime”.
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REAÇÃO COLETIVA DOS CLUBES BRASILEIROS
A declaração do presidente da Conmebol também causou espanto entre outros dirigentes brasileiros presentes no sorteio. Muitos relataram ter assistido ao vídeo diversas vezes para confirmar que não se tratava de uma montagem, de uso da tecnologia de Inteligência Artificial (IA), deep fake ou algo do tipo em aplicativos de celulares.
Clubes filiados à Libra agiram rapidamente, exigindo retratação do presidente da Conmebol, que publicou uma nota nas redes sociais pouco depois. O episódio forneceu mais argumentos aos clubes brasileiros, que têm aumentado o tom nas cobranças contra o dirigente paraguaio.
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