
Levantamento mostra que Verdão não venceu quatro partidas marcadas por domínio da posse e dificuldade para romper defesas recuadas; Cerro Porteño já explorou esse cenário nesta Libertadores
O empate sem gols com o Internacional deixou uma frase de Abel Ferreira que merece atenção. O treinador reconheceu que o Palmeiras vem encontrando dificuldades quando os adversários baixam as linhas, acumulam jogadores perto da própria área e esperam uma oportunidade para contra-atacar.
Mais do que uma justificativa para o 0 a 0 no Nubank Parque, os números mostram que existe um padrão.
O Portal do Palestra analisou quatro partidas de 2026 em que o Verdão teve pelo menos 60% de posse de bola e encontrou adversários dispostos a entregar território, proteger a própria área e atacar principalmente em transições.
O Palmeiras não venceu nenhuma.
Foram dois empates, duas derrotas e apenas dois gols marcados.
E há um detalhe que aumenta o alerta para a Libertadores: um desses jogos foi justamente contra o Cerro Porteño.
Quatro jogos, muita posse e nenhuma vitória
O recorte não representa todas as partidas do Palmeiras em 2026. Ele reúne confrontos que reproduziram de maneira mais clara o problema citado por Abel: o adversário recuado, o Verdão controlando a bola e pouco espaço para acelerar perto da área.
| Jogo | Posse do Palmeiras | Resultado |
|---|---|---|
| Remo x Palmeiras | 66% | 1 x 1 |
| Palmeiras x Cerro Porteño | 74% | 0 x 1 |
| Palmeiras x Atlético-MG | 69% | 1 x 2 |
| Palmeiras x Internacional | 60% | 0 x 0 |
Resumo do recorte:
- 4 jogos
- 0 vitórias
- 2 empates
- 2 derrotas
- 2 gols marcados
- média de 67,3% de posse de bola
Ou seja: ter a bola não tem significado, necessariamente, ter o controle real da partida.
O caso mais preocupante aconteceu contra o próprio Cerro
O exemplo que mais chama atenção ocorreu em 20 de maio.
Pela fase de grupos da Libertadores, o Palmeiras recebeu o Cerro Porteño e terminou a partida com 74% de posse de bola, contra apenas 26% dos paraguaios.
Foram 11 finalizações do Verdão contra sete do adversário.
O placar?
Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño.
O Verdão ocupou o campo ofensivo durante boa parte da partida, mas encontrou dificuldade para transformar circulação de bola em oportunidades realmente perigosas.
O Cerro esperou.
No início do segundo tempo, encontrou o contra-ataque que precisava e abriu o placar. Depois, voltou a fechar os espaços.
O Palmeiras teve a bola novamente. E não encontrou o gol.
Agora, quase três meses depois, as equipes voltam a se enfrentar.
Todas as informações da partida estão reunidas no hub de Palmeiras x Cerro Porteño pela Libertadores.
Contra o Atlético-MG, 69% de posse e 22 finalizações
O jogo diante do Atlético-MG, em julho, apresentou outro exemplo.
O Palmeiras terminou a partida com 69% de posse, enquanto o adversário teve 31%.
O volume também foi muito superior:
22 finalizações do Palmeiras contra nove do Atlético-MG.
Mesmo assim, o time mineiro venceu por 2 a 1.
A dinâmica daquela partida teve particularidades, especialmente pelos erros que originaram os gols atleticanos. Mas o primeiro tempo já havia mostrado uma dificuldade conhecida: o Palmeiras controlava territorialmente o confronto, trocava passes no campo ofensivo, mas encontrava pouco espaço para entrar na defesa.
O Portal do Palestra analisou aquela partida em Palmeiras teve a bola, mas faltou o que realmente decide jogos.
O domínio estatístico não se transformou em domínio do placar.
O Remo também entregou a bola ao Palmeiras
Contra o Remo, em maio, aconteceu algo semelhante.
O Palmeiras teve 66% de posse de bola, mas ficou no empate por 1 a 1 no Mangueirão.
O time paraense abriu o placar logo no começo da partida. A partir daí, o cenário ficou confortável para uma equipe que já não precisava propor o jogo.
O Verdão empatou ainda no primeiro tempo com Ramón Sosa e passou boa parte do confronto tentando encontrar espaço diante de uma marcação cada vez mais recuada.
O Palmeiras pressionou e chegou a marcar nos acréscimos com Bruno Fuchs, mas o gol acabou anulado.
O resultado daquela partida pode ser revisto em Remo 1 x 1 Palmeiras.

Contra o Inter, 60% de posse e pouco perigo real
O caso mais recente aconteceu no domingo.
O Internacional montou uma linha defensiva baixa, protegeu a entrada da área e permitiu que o Palmeiras circulasse a bola longe do gol.
Funcionou.
O Verdão terminou com 60% de posse e 19 finalizações, contra oito do adversário, mas passou grande parte da partida sem exigir intervenções difíceis do goleiro Matheus Cunha.
O próprio Abel admitiu depois do jogo que faltou inspiração.
A análise do Portal já havia apontado que o Internacional veio ao Nubank Parque para não perder e conseguiu.
A diferença entre ter volume e gerar perigo ficou evidente.
Então o problema é ter muita posse?
Não.
E essa distinção é importante.
O Palmeiras já fez grandes partidas em 2026 controlando amplamente a bola. Na goleada por 4 a 1 sobre o Jacuipense, por exemplo, teve 67% de posse e 24 finalizações. A diferença é que conseguiu transformar rapidamente o controle territorial em vantagem no placar.
O ponto não é a posse.
É o que o Palmeiras consegue fazer quando o adversário conscientemente entrega essa posse.
Quando existe espaço para correr, pressionar uma saída de bola ou atacar uma defesa desorganizada, o time de Abel possui jogadores extremamente perigosos.
Quando precisa atacar dez jogadores posicionados atrás da linha da bola, a história muda.
O passe precisa ser mais rápido. Os movimentos sem bola tornam-se mais importantes. Jogadas individuais ganham peso. Infiltrações, tabelas curtas e mudanças rápidas de corredor passam a ser necessárias.
É justamente aí que o Palmeiras tem oscilado.
Fazer o primeiro gol muda completamente o jogo
Outro ponto levantado por Abel ajuda a explicar a preocupação para quarta-feira: abrir o placar.
Quando o Palmeiras marca primeiro, o adversário perde a possibilidade de simplesmente esperar.
Precisa adiantar suas linhas.
Precisa correr mais riscos.
E os espaços aparecem.
Contra equipes montadas para defender, portanto, o primeiro gol vale mais do que apenas a vantagem no marcador. Ele altera toda a estrutura tática do confronto.
O problema aparece quando o 0 a 0 permanece por muito tempo.
A ansiedade aumenta, a circulação fica mais previsível e o rival passa a enxergar cada contra-ataque como uma oportunidade de decidir a partida.
Foi assim contra o Cerro em maio.
Cerro Porteño deve repetir a fórmula
Não há motivo para imaginar um Cerro Porteño completamente diferente nesta quarta-feira.
O Palmeiras recebe os paraguaios às 19h, no Nubank Parque, pela partida de ida das oitavas de final da Libertadores.
Abel já indicou que espera um adversário fechado, com marcação forte e preparado para explorar transições.
O histórico recente mostra por que existe preocupação.
O Cerro não precisa descobrir como dificultar a vida do Palmeiras.
Já fez isso em 2026.
Para o Verdão, o desafio das oitavas não será simplesmente ter mais posse, finalizar mais ou empurrar o adversário para trás.
Será transformar esse domínio em chances claras antes que o roteiro conhecido volte a se repetir.
Porque, nos quatro exemplos mais evidentes desta temporada, o Palmeiras teve a bola.
O que faltou foi encontrar espaço para decidir o jogo.
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