
Com a melhor campanha da história do clube até então e o artilheiro da competição no ataque, o Palmeiras chegou a Montevidéu em maio de 1968 a 90 minutos do primeiro título continental. Saiu do Estádio Centenário derrotado por 2 a 0 pelo Estudiantes, diante de uma torcida que tinha atravessado a fronteira para ver a taça. Em 28 de novembro de 2026, o Alviverde volta ao mesmo gramado, contra o mesmo rival, para decidir a Libertadores.
O reencontro tem um peso que vai além do acaso do chaveamento. Segundo o Data Palestra, os dois clubes não se enfrentam desde janeiro de 1969. Foram cinco jogos na história, com três vitórias palmeirenses e duas derrotas. As duas derrotas aconteceram justamente naquela final.
Como o Palmeiras chegou à final de 1968?
Com 11 vitórias em 13 jogos e o Peñarol eliminado na semifinal. Era a segunda decisão continental do clube, sete anos depois de perder a final de 1961 justamente para o Peñarol.
Na primeira fase, o time passou por Náutico, Deportivo Galicia e Deportivo Portugués, da Venezuela, com cinco vitórias e um empate, segundo o RSSSF. Na segunda, superou Universidad Católica e Guaraní. Na semifinal, o adversário era o tricampeão Peñarol: 1 a 0 em São Paulo e 2 a 1 em Montevidéu, os três gols de Tupãzinho.
O centroavante terminaria a edição como artilheiro. O Palmeiras credita a ele 12 gols; outras compilações registram 11.
O que aconteceu nos dois primeiros jogos da decisão?
Cada time venceu em casa, e o regulamento da época mandou a decisão para um terceiro jogo. A final era disputada por pontos, não por saldo de gols. Uma vitória para cada lado empatava a série e levava a uma partida extra em campo neutro.
Em 2 de maio, em La Plata, Servílio abriu o placar para o Palmeiras aos sete minutos. O Estudiantes virou no fim. Aos 38 do segundo tempo, Juan Ramón Verón recebeu de Raúl Madero pela direita, passou por quatro marcadores e bateu na saída de Valdir de Moraes. Quatro minutos depois, Eduardo Flores fez 2 a 1.
Não existe vídeo do gol de Verón. Anos mais tarde, Carlos Bilardo, então meio-campista daquele Estudiantes, disse que o gol de Maradona contra a Inglaterra, em 1986, o fez lembrar daquela jogada em La Plata.
Cinco dias depois, no Pacaembu, o Palmeiras respondeu. Tupãzinho marcou aos 10 minutos e aos 23 do segundo tempo, e o time fez 3 a 1 diante de cerca de 40 mil pessoas. Verón descontou.
No agregado, o Palmeiras tinha 4 a 3. Pelo regulamento, isso não valia nada.
Quantos palmeirenses foram ao Uruguai em 1968?
Cerca de 10 mil, segundo a estimativa publicada pela Folha de S.Paulo na época. O jogo extra estava previsto para Santiago, no Chile. A transferência para Montevidéu tornou a viagem possível para quem saía de São Paulo.
Uma caravana de quatro ônibus deixou o Brasil levando, entre outros, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que décadas depois presidiria o clube. Segundo relato reproduzido pela Trivela, o caminho teve percalços e confusões. Cerca de 200 torcedores esperavam a delegação no Aeroporto de Carrasco. Grupos de palmeirenses e argentinos circularam pela avenida 18 de Julho, e algumas lojas fecharam as portas.
A federação uruguaia esperava até 70 mil pessoas. O registro oficial aponta cerca de 55 mil; a Folha falou em 60 mil, com temperatura abaixo de 10 graus. Havia um detalhe hostil: torcedores do Peñarol, eliminado semanas antes pelo Palmeiras, foram ao estádio para apoiar o Estudiantes.
Como foi o jogo extra no Centenário?
O Estudiantes saiu na frente cedo e fechou o placar no fim, com Verón. Era 16 de maio de 1968, com arbitragem do peruano César Orozco.
Aos 13 minutos, Felipe Ribaudo abriu o placar. O gol desorganizou o Palmeiras, que passou o primeiro tempo dominado pelo time de Osvaldo Zubeldía. Esse Estudiantes tinha fama de marcação dura, linha de impedimento adiantada e jogadas ensaiadas de escanteio.
A melhor chance palmeirense veio no segundo tempo: Ademir da Guia cruzou e Tupãzinho cabeceou na trave. Aos 37 minutos, Verón fez 2 a 0. A torcida argentina invadiu o gramado. A Folha resumiu a parte final dizendo que o Palmeiras “praticamente deixou de existir” depois do reinício.
O que veio depois daquela noite?
O Estudiantes virou dinastia; o Palmeiras esperou 31 anos. O time de La Plata conquistou também as Libertadores de 1969 e 1970 e enfrentou o Manchester United no Mundial de 1968. O primeiro título continental palmeirense só chegou em 1999.
Verón morreu em 27 de maio de 2025, aos 81 anos. O filho dele, Juan Sebastián Verón, campeão da Libertadores de 2009 pelo Estudiantes, hoje preside o clube.
O Centenário também mudou de significado para o Palmeiras. Em 27 de novembro de 2021, o time de Abel Ferreira venceu o Flamengo por 2 a 1 na prorrogação, com gol de Deyverson, e levantou ali o tricampeonato. Segundo o Data Palestra, o clube soma 12 vitórias em 25 jogos no estádio.
Palmeiras e Estudiantes no caminho do Centenário
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02/05/1968 Estudiantes 2 x 1 Palmeiras Ida da final, em La Plata. Servílio abre, Verón e Flores viram no fim.
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07/05/1968 Palmeiras 3 x 1 Estudiantes Volta no Pacaembu, com dois gols de Tupãzinho. Série empatada em pontos.
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16/05/1968 Estudiantes 2 x 0 Palmeiras Jogo extra no Centenário. Ribaudo e Verón decidem o título.
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27/11/2021 Palmeiras 2 x 1 Flamengo Final no Centenário, gol de Deyverson na prorrogação e o tricampeonato.
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28/11/2026 Palmeiras x Estudiantes Final em jogo único, de volta ao Centenário.
Como Palmeiras e Estudiantes chegam à final de 2026?
Os dois passaram nos pênaltis. O Palmeiras venceu o Fluminense por 2 a 1 no Maracanã, perdeu por 1 a 0 no Nubank Parque em 21 de outubro e ganhou a disputa por 5 a 3, com defesa de Carlos Miguel na cobrança de Nonato. O Estudiantes empatou os dois jogos sem gols com o Flamengo e venceu por 3 a 2 nos pênaltis no Maracanã, com três defesas de Fernando Muslera.
Desta vez não há ida, volta nem jogo extra: a final é em partida única. Será a oitava final do Palmeiras, que busca o quarto título. O Estudiantes tem quatro taças: 1968, 1969, 1970 e 2009. Os detalhes estão em tudo sobre a final contra o Estudiantes, e a série completa de 1968 está no levantamento do Data Palestra.
Perguntas frequentes
Quem fez os gols da final de 1968 entre Palmeiras e Estudiantes?
No jogo extra, em 16 de maio de 1968, Felipe Ribaudo e Juan Ramón Verón marcaram para o Estudiantes. Na série, Servílio fez o gol palmeirense em La Plata, e Tupãzinho marcou duas vezes no 3 a 1 do Pacaembu.
Por que a final de 1968 teve três jogos?
A decisão era disputada por pontos, sem critério de saldo de gols. Como cada time venceu um jogo, o regulamento previa uma partida extra em campo neutro, realizada no Centenário.
Quantas vezes Palmeiras e Estudiantes se enfrentaram?
Cinco, segundo o Data Palestra: três vitórias do Palmeiras e duas derrotas. O último jogo foi em 28 de janeiro de 1969, pela Copa de Oro, com vitória palmeirense por 1 a 0.
Quando é a final da Libertadores 2026?
Em 28 de novembro de 2026, no Estádio Centenário, em Montevidéu, em jogo único.
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