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Futebol

Palmeiras reencontra o Estudiantes no palco da final perdida em 1968

Há 58 anos, o Verdão perdeu a Libertadores para o time de La Plata num jogo extra no Centenário. A final de 28 de novembro volta ao mesmo estádio e ao mesmo adversário.

Abel Ferreira faz sinal de positivo à beira do campo em Athletico-PR x Palmeiras, na Arena da Baixada, em 2026
Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Com a melhor campanha da história do clube até então e o artilheiro da competição no ataque, o Palmeiras chegou a Montevidéu em maio de 1968 a 90 minutos do primeiro título continental. Saiu do Estádio Centenário derrotado por 2 a 0 pelo Estudiantes, diante de uma torcida que tinha atravessado a fronteira para ver a taça. Em 28 de novembro de 2026, o Alviverde volta ao mesmo gramado, contra o mesmo rival, para decidir a Libertadores.

O reencontro tem um peso que vai além do acaso do chaveamento. Segundo o Data Palestra, os dois clubes não se enfrentam desde janeiro de 1969. Foram cinco jogos na história, com três vitórias palmeirenses e duas derrotas. As duas derrotas aconteceram justamente naquela final.

Como o Palmeiras chegou à final de 1968?

Com 11 vitórias em 13 jogos e o Peñarol eliminado na semifinal. Era a segunda decisão continental do clube, sete anos depois de perder a final de 1961 justamente para o Peñarol.

Na primeira fase, o time passou por Náutico, Deportivo Galicia e Deportivo Portugués, da Venezuela, com cinco vitórias e um empate, segundo o RSSSF. Na segunda, superou Universidad Católica e Guaraní. Na semifinal, o adversário era o tricampeão Peñarol: 1 a 0 em São Paulo e 2 a 1 em Montevidéu, os três gols de Tupãzinho.

O centroavante terminaria a edição como artilheiro. O Palmeiras credita a ele 12 gols; outras compilações registram 11.

O que aconteceu nos dois primeiros jogos da decisão?

Cada time venceu em casa, e o regulamento da época mandou a decisão para um terceiro jogo. A final era disputada por pontos, não por saldo de gols. Uma vitória para cada lado empatava a série e levava a uma partida extra em campo neutro.

Em 2 de maio, em La Plata, Servílio abriu o placar para o Palmeiras aos sete minutos. O Estudiantes virou no fim. Aos 38 do segundo tempo, Juan Ramón Verón recebeu de Raúl Madero pela direita, passou por quatro marcadores e bateu na saída de Valdir de Moraes. Quatro minutos depois, Eduardo Flores fez 2 a 1.

Não existe vídeo do gol de Verón. Anos mais tarde, Carlos Bilardo, então meio-campista daquele Estudiantes, disse que o gol de Maradona contra a Inglaterra, em 1986, o fez lembrar daquela jogada em La Plata.

Cinco dias depois, no Pacaembu, o Palmeiras respondeu. Tupãzinho marcou aos 10 minutos e aos 23 do segundo tempo, e o time fez 3 a 1 diante de cerca de 40 mil pessoas. Verón descontou.

No agregado, o Palmeiras tinha 4 a 3. Pelo regulamento, isso não valia nada.

Quantos palmeirenses foram ao Uruguai em 1968?

Cerca de 10 mil, segundo a estimativa publicada pela Folha de S.Paulo na época. O jogo extra estava previsto para Santiago, no Chile. A transferência para Montevidéu tornou a viagem possível para quem saía de São Paulo.

Uma caravana de quatro ônibus deixou o Brasil levando, entre outros, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que décadas depois presidiria o clube. Segundo relato reproduzido pela Trivela, o caminho teve percalços e confusões. Cerca de 200 torcedores esperavam a delegação no Aeroporto de Carrasco. Grupos de palmeirenses e argentinos circularam pela avenida 18 de Julho, e algumas lojas fecharam as portas.

A federação uruguaia esperava até 70 mil pessoas. O registro oficial aponta cerca de 55 mil; a Folha falou em 60 mil, com temperatura abaixo de 10 graus. Havia um detalhe hostil: torcedores do Peñarol, eliminado semanas antes pelo Palmeiras, foram ao estádio para apoiar o Estudiantes.

Como foi o jogo extra no Centenário?

O Estudiantes saiu na frente cedo e fechou o placar no fim, com Verón. Era 16 de maio de 1968, com arbitragem do peruano César Orozco.

Aos 13 minutos, Felipe Ribaudo abriu o placar. O gol desorganizou o Palmeiras, que passou o primeiro tempo dominado pelo time de Osvaldo Zubeldía. Esse Estudiantes tinha fama de marcação dura, linha de impedimento adiantada e jogadas ensaiadas de escanteio.

A melhor chance palmeirense veio no segundo tempo: Ademir da Guia cruzou e Tupãzinho cabeceou na trave. Aos 37 minutos, Verón fez 2 a 0. A torcida argentina invadiu o gramado. A Folha resumiu a parte final dizendo que o Palmeiras “praticamente deixou de existir” depois do reinício.

O que veio depois daquela noite?

O Estudiantes virou dinastia; o Palmeiras esperou 31 anos. O time de La Plata conquistou também as Libertadores de 1969 e 1970 e enfrentou o Manchester United no Mundial de 1968. O primeiro título continental palmeirense só chegou em 1999.

Verón morreu em 27 de maio de 2025, aos 81 anos. O filho dele, Juan Sebastián Verón, campeão da Libertadores de 2009 pelo Estudiantes, hoje preside o clube.

O Centenário também mudou de significado para o Palmeiras. Em 27 de novembro de 2021, o time de Abel Ferreira venceu o Flamengo por 2 a 1 na prorrogação, com gol de Deyverson, e levantou ali o tricampeonato. Segundo o Data Palestra, o clube soma 12 vitórias em 25 jogos no estádio.

Palmeiras e Estudiantes no caminho do Centenário

  1. 02/05/1968 Estudiantes 2 x 1 Palmeiras Ida da final, em La Plata. Servílio abre, Verón e Flores viram no fim.
  2. 07/05/1968 Palmeiras 3 x 1 Estudiantes Volta no Pacaembu, com dois gols de Tupãzinho. Série empatada em pontos.
  3. 16/05/1968 Estudiantes 2 x 0 Palmeiras Jogo extra no Centenário. Ribaudo e Verón decidem o título.
  4. 27/11/2021 Palmeiras 2 x 1 Flamengo Final no Centenário, gol de Deyverson na prorrogação e o tricampeonato.
  5. 28/11/2026 Palmeiras x Estudiantes Final em jogo único, de volta ao Centenário.

Como Palmeiras e Estudiantes chegam à final de 2026?

Os dois passaram nos pênaltis. O Palmeiras venceu o Fluminense por 2 a 1 no Maracanã, perdeu por 1 a 0 no Nubank Parque em 21 de outubro e ganhou a disputa por 5 a 3, com defesa de Carlos Miguel na cobrança de Nonato. O Estudiantes empatou os dois jogos sem gols com o Flamengo e venceu por 3 a 2 nos pênaltis no Maracanã, com três defesas de Fernando Muslera.

Desta vez não há ida, volta nem jogo extra: a final é em partida única. Será a oitava final do Palmeiras, que busca o quarto título. O Estudiantes tem quatro taças: 1968, 1969, 1970 e 2009. Os detalhes estão em tudo sobre a final contra o Estudiantes, e a série completa de 1968 está no levantamento do Data Palestra.

Perguntas frequentes

Quem fez os gols da final de 1968 entre Palmeiras e Estudiantes?

No jogo extra, em 16 de maio de 1968, Felipe Ribaudo e Juan Ramón Verón marcaram para o Estudiantes. Na série, Servílio fez o gol palmeirense em La Plata, e Tupãzinho marcou duas vezes no 3 a 1 do Pacaembu.

Por que a final de 1968 teve três jogos?

A decisão era disputada por pontos, sem critério de saldo de gols. Como cada time venceu um jogo, o regulamento previa uma partida extra em campo neutro, realizada no Centenário.

Quantas vezes Palmeiras e Estudiantes se enfrentaram?

Cinco, segundo o Data Palestra: três vitórias do Palmeiras e duas derrotas. O último jogo foi em 28 de janeiro de 1969, pela Copa de Oro, com vitória palmeirense por 1 a 0.

Quando é a final da Libertadores 2026?

Em 28 de novembro de 2026, no Estádio Centenário, em Montevidéu, em jogo único.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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