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O peso do sucesso: o Palmeiras joga contra o tempo e contra si mesmo

Felipe Anderson, comemorando seu gol em Palmeiras 5 x 1 Red Bull Bragantino, pela 28ª rodada do Brasileirão 2025, no Allianz Parque (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
Felipe Anderson, comemorando seu gol em Palmeiras 5 x 1 Red Bull Bragantino, pela 28ª rodada do Brasileirão 2025, no Allianz Parque (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

O Palmeiras chegou a um ponto raro na história recente do futebol brasileiro: tornou-se vítima do próprio sucesso.
É o preço de quem venceu tudo — e segue sendo cobrado como se ainda tivesse algo a provar.

Desde 2020, o elenco de Abel Ferreira vive uma maratona sem respiro. Foram quatro temporadas completas disputando todos os títulos possíveis, sempre indo longe, sempre chegando.

E, ao mesmo tempo, ouvindo o que nenhum outro campeão escuta: “precisa jogar melhor”, “está cansado”, “não é mais o mesmo Palmeiras”.

A herança de quem nunca sai de cena

O sucesso contínuo cobra uma fatura invisível.
Não é só física — é emocional.
O Palmeiras já não joga apenas contra os adversários.
Joga contra o tempo, contra o desgaste e contra a própria excelência.

O torcedor se acostumou a ver um time competitivo, disciplinado e mentalmente blindado.
Mas a verdade é que manter esse padrão exige mais do que tática e treino.
Exige fôlego para aguentar o peso de uma era — uma era que o Verdão construiu e agora precisa sustentar. E, se não sustentar, pode ser julgado como fracasso.

Abel Ferreira e o desafio da renovação

Abel Ferreira sabe o que faz.
Talvez o maior mérito do português não tenha sido vencer, mas fazer o Palmeiras entender que vencer é um processo contínuo, não um destino.

Ele trocou peças, reinventou o modelo, promoveu garotos e ainda mantém o clube vivo em todas as frentes — mesmo com um calendário que esmaga. Vocês lembram: trocamos quase um time inteiro com o ‘carro andando’.
Ainda assim, há quem cobre espetáculo.
Mas a realidade é que nenhum time brasileiro competiu tanto, com tanta regularidade, por tanto tempo.

O Palmeiras virou sinônimo de resistência.

A perfeição tem limite

O palmeirense se acostumou a ver o time reagir mesmo quando parecia no chão. Vide jogos contra a LDU.
Só que nem sempre dá.
E está tudo bem. Ou não.
Um elenco que joga finais ano após ano também precisa respirar, se reconstruir e, às vezes, perder para aprender de novo a vencer.

O sucesso cobra caro.
E o Palmeiras, mais uma vez, está pagando com suor, fadiga e cobrança.
Mas talvez seja esse o segredo da longevidade: nunca se permitir ficar confortável.

O Verdão continua líder, continua na briga por títulos e, acima de tudo, continua sendo referência.
O que muitos chamam de queda de rendimento, talvez seja apenas o preço natural de quem vive no topo há tempo demais.

E se o Palmeiras parece cansado, é porque só quem corre tanto pode sentir o peso de sempre estar à frente. E que esse peso não nos atrapalhe em Lima, no Peru, daqui alguns dias. Vem aí mais uma final de Libertadores e mais uma chance de transformar o Palmeiras não só no Maior do Brasil, mas no maior do Continente.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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