
Dudu recorreu da condenação que o obriga a indenizar Leila Pereira em R$ 50 mil por danos morais e apresentou uma linha de defesa diferente da que usou no primeiro julgamento. Em vez de sustentar apenas o significado da sigla publicada nas redes, a defesa agora afirma que ele reagiu a uma provocação e que abriu mão de cerca de R$ 25 milhões para deixar o Palmeiras.
A tese está no recurso apresentado contra a sentença da 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, que em maio condenou o atacante. A presidente do Palmeiras havia pedido R$ 500 mil, e o juiz fixou o valor em um décimo do pedido.
O argumento dos R$ 25 milhões
Segundo a defesa, o jogador aceitou a proposta de rescisão contratual e renunciou à indenização a que teria direito, estimada em cerca de R$ 25 milhões, valor superior à oferta que recebeu para acertar com o Cruzeiro, de aproximadamente R$ 21 milhões. O argumento serve para contestar a versão de que ele teria causado prejuízo ao clube e saído pela porta dos fundos.
O recurso também sustenta que a publicação foi resposta a declarações anteriores da dirigente, e não um ataque espontâneo, e que a sentença reconheceu o conflito prévio sem examinar essa parte com o mesmo rigor. O pedido é de anulação da condenação ou, alternativamente, de redução do valor.
São dois processos, não um
A ação de danos morais em São Paulo corre separada do processo criminal em Minas Gerais. Em agosto, a 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais acolheu recurso da presidente e tornou Dudu réu por injúria e difamação. São instâncias, estados e naturezas diferentes: uma discute reparação em dinheiro, a outra, responsabilidade criminal.
A disputa entre Dudu e Leila Pereira
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Janeiro de 2025 Saída e publicação Dudu deixa o Palmeiras rumo ao Cruzeiro e publica nas redes a mensagem que origina a disputa.
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Maio de 2026 Condenação em primeira instância A 11ª Vara Cível do TJSP condena o atacante a pagar R$ 50 mil, contra os R$ 500 mil pedidos.
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Agosto de 2026 Queixa-crime aceita A 9ª Câmara Criminal do TJMG acolhe o recurso da presidente e torna o jogador réu por injúria e difamação.
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Setembro de 2026 Recurso na esfera cível A defesa pede anulação ou redução da indenização e alega renúncia de cerca de R$ 25 milhões na saída do clube.
Dudu passou por Cruzeiro e hoje está no Atlético-MG. No Palmeiras, foi peça central do time que reconstruiu o clube e saiu depois de uma década com status de ídolo, o que torna a disputa judicial ainda mais indigesta para a torcida.
Atualização: o Ministério Público se manifestou contra os recursos
O caso ganhou mais um capítulo, e de novo desfavorável ao atacante. O Ministério Público de São Paulo emitiu pareceres recomendando que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal não deem seguimento aos recursos especial e extraordinário apresentados pela defesa de Dudu.
Para o promotor Fábio Brambilla, a defesa não trouxe argumentos novos, e o acórdão anterior foi “cristalino ao apontar a ausência de dolo nas condutas de Leila Pereira”. Parecer do MP não é decisão: quem julga são os tribunais. Mas é a terceira manifestação seguida no mesmo sentido.
As duas frentes, e como cada uma está
São dois processos, e Dudu perde nos dois. Na queixa-crime que ele moveu por injúria e difamação, a 13ª Vara Criminal rejeitou a ação em setembro de 2025, entendendo que a presidente agiu no exercício da liberdade de expressão; o recurso foi negado em segunda instância, em abril de 2026. No processo em sentido contrário, o atacante foi condenado a indenizar Leila Pereira por danos morais depois de publicar um xingamento nas redes sociais.
A origem de tudo está em janeiro de 2025, quando a presidente disse em entrevistas que o jogador havia causado prejuízo milionário ao recuar de uma negociação com o Cruzeiro e que ele saía pela porta dos fundos.
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