Pular para o conteúdo

Conmebol Libertadores 2025

De Montevidéu a Lima: A evolução do Palmeiras de Abel Ferreira desde o tri de 2021

Carlos Miguel, do Palmeiras, e a taça da Libertadores
Carlos Miguel, do Palmeiras, e a taça da Libertadores

Quem fechou os olhos em Montevidéu, naquele sábado ventoso de 2021, e os abriu agora, às vésperas de mais uma final contra o Flamengo, talvez não reconheça o Palmeiras que entrará no campo do Estádio Monumental de Lima.

Há quatro anos, o grito de “Tricampeão” saiu da garganta sufocada por 120 minutos de tensão. Aquele time era guerreiro, sim, mas jogava no limite. Era o Palmeiras do “saber sofrer”, da bola longa para Rony, da iluminação improvável de Deyverson. Vencia pela estratégia e pelo suor, muitas vezes abrindo mão da beleza.

Em 2025, o cenário mudou drasticamente. O Palmeiras que desembarca no Peru não vai para “sofrer”. Vai para bater. A ansiedade do torcedor, natural em qualquer decisão, hoje se mistura com uma confiança técnica que não existia na era do “retrancou e ganhou”.

O fim do “Por uma bola”

A maior prova dessa mudança está nos números frios, que aquecem o coração alviverde. Em 2021, o Verdão foi campeão com uma média de 2,2 gols por jogo e uma postura reativa. Em 2025, a média saltou para 2,6 gols por partida na Libertadores.

O ataque, antes dependente da velocidade isolada de Rony e Dudu, hoje é uma sinfonia. A chegada de Vitor Roque mudou o patamar da camisa 9. Não é mais sobre brigar com zagueiros e esperar um milagre; é sobre definição letal. Ao lado de Flaco López, que vive seu ano de consagração, e servido pela classe de Felipe Anderson, o Palmeiras aprendeu a amassar adversários em vez de apenas esperá-los. A percepção do torcedor palmeirense pode ser outra por conta dos últimos tropeços no Brasileirão, mas os números apontam o contrário.

O “Fator Andreas”: A ironia que virou trunfo

Talvez o maior símbolo dessa nova era seja o homem que veste a camisa no meio-campo. Em 2021, Andreas Pereira foi o vilão rubro-negro que, involuntariamente, nos deu a glória. Hoje, ele é o maestro alviverde.

Sua contratação foi cercada de desconfiança e memes, mas a bola puniu os críticos. Andreas trouxe ao Palmeiras o que faltava desde a saída de Scarpa: o chute de média distância e a transição lúcida. Ver o ex-rival regendo o meio-campo palmeirense ao lado do “cão de guarda” Aníbal Moreno não é apenas uma evolução técnica; é um triunfo psicológico de Abel Ferreira. O Flamengo não enfrenta apenas o Palmeiras; enfrenta seus próprios fantasmas vestindo verde.

A sombra gigante no gol

Se em 2021 Weverton era a única certeza debaixo das traves, 2025 nos trouxe o “problema” que todo time sonha ter. A lesão na mão do ídolo abriu espaço para Carlos Miguel.

Com seus 2,04m, ele não apenas substituiu a altura; ele trouxe uma imponência que calou estádios adversários, como vimos contra a LDU. A defesa, hoje sofrendo míseros 0,5 gols por jogo (uma melhoria de 55% em relação a 2021), joga mais tranquila. Seja com Weverton no sacrifício ou Carlos Miguel na meta, o Palmeiras não depende mais de milagres semanais de seus goleiros. O sistema protege a meta antes que o perigo chegue.

Tática: A maturidade de Abel

O Abel de 2021 montou um ferrolho com Piquerez de terceiro zagueiro para parar o Flamengo de Renato Gaúcho. O Abel de 2025, contra o Flamengo de Filipe Luís, propõe o jogo.

A saída de bola não é mais o chutão para o alto; é construída desde a defesa com a qualidade de Murilo e a visão de jogo dos laterais construtores. O time não entra em campo pensando em como anular o rival, mas em como impor seu ritmo. Essa mudança de mentalidade é o maior legado de quatro anos de trabalho contínuo.

Veredito: O Favoritismo mudou de lado?

Em 2021, a imprensa cravava o Flamengo como favorito técnico absoluto. O Palmeiras venceu na alma.
No próximo sábado, em Lima, o Palmeiras iguala — e em muitos setores supera — a técnica do rival. Temos o elenco mais valioso, o ataque mais positivo e a defesa mais sólida.

Se a taça virá, o futebol dirá. Mas o torcedor palmeirense pode ter uma certeza: o time que entrará no Monumental de Lima é a melhor versão que Abel Ferreira já construiu. Não precisamos mais apenas “saber sofrer”. Nós sabemos jogar. E jogar muito.

Acompanhe mais conteúdos sobre o Palmeiras

+ Siga-nos no X
+ Siga-nos no TikTok
+ Siga-nos no Instagram
+ Curta a página no Facebook
+ Inscreva-se no YouTube
+ Inscreva-se no WhatsApp
+ Entre no canal do Telegram

Veja mais notícias do Palmeiras, acompanhe os jogos do Verdão, resultados e classificação, além da gloriosa história e títulos da Sociedade Esportiva Palmeiras.

O que você achou?

Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

Ver perfil e matérias Como trabalhamos e corrigimos erros
Entrar no grupo