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O Palmeiras abriu mão da bola na Vila; E com razão desta vez

Abel foi a um mata-mata fora de casa com Gómez, Piquerez e Vitor Roque no banco. Não foi confiança no 3 a 0: foi leitura de calendário — e ela fecha em novembro.

Felipe Anderson em campo por Santos x Palmeiras na Vila Belmiro

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Jogo e jogadores citados no texto

Abel Ferreira foi decidir uma vaga de semifinal fora de casa, contra um time com Neymar e Gabigol na frente, e deixou Gustavo Gómez, Joaquín Piquerez e Vitor Roque no banco. Li em vários lugares que foi confiança no 3 a 0. Eu acho que não foi bem isso. Foi conta.

A vaga desta quarta não cobra nada até novembro

A semifinal da Copa do Brasil tem data-base em 1º de novembro. A ida das quartas da Libertadores é em 9 de setembro. Entre uma coisa e outra existem quase dois meses e uma temporada inteira de Brasileirão — e a vaga conquistada na Vila Belmiro é a única das três frentes que não vai cobrar uma perna sequer nesse intervalo.

Visto assim, o banco de Abel deixa de ser ousadia e vira aritmética. O jogo que valia a vaga tinha sido disputado uma semana antes, no Nubank Parque, e terminado 3 a 0. O da Vila era administração de patrimônio: 90 minutos para atravessar sem cartão vermelho, sem lesão e sem gastar os três jogadores que ele mais vai precisar contra a LDU.

O preço foi um jogo que ninguém quer rever

E o preço apareceu no placar de estatísticas: 35,9% de posse de bola, uma finalização no alvo em 90 minutos, 54 cortes dentro da própria área. O Santos chutou 19 vezes. Não foi um jogo bonito, e quem acompanhou sofreu mais do que a diferença de três gols justificava.

Aqui mora a crítica que eu considero legítima, e não vou fingir que ela não existe: um time que aceita não ter a bola durante 90 minutos fora de casa está sempre a um lance de perder o controle do jogo. Foram quatro finalizações do Santos no alvo, e Carlos Miguel resolveu as quatro. Se uma delas entra aos 20 do primeiro tempo, a Vila vira outro lugar e a conta de Abel passa a ser feita em público, com outro tom.

A diferença entre planejar e escapar

O que separa as duas leituras não é o resultado desta quarta — é o que vem depois. Se o Palmeiras chegar ao domingo no Rio de Janeiro e à quarta contra a LDU com os poupados inteiros e rendendo, a noite feia na Vila terá sido exatamente o que parecia ser: uma escolha barata dentro de um setembro de seis jogos em 19 dias.

Se o time entregar em setembro os mesmos 35% de posse que entregou em Santos, aí a leitura muda de nome. Deixa de ser gestão e passa a ser limite — e o clube já viveu o suficiente do outro lado dessa linha para saber a diferença. O Palmeiras administrou bem uma vaga que já tinha. O teste de verdade começa domingo.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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