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Futebol

Canhotinho: do ídolo do Palmeiras à formação de novos talentos

Depois de encantar torcedores no Brasil e na França, Milton de Medeiros voltou ao futebol como auxiliar de Osvaldo Brandão e conquistou títulos com as equipes amadoras do Palmeiras.

Canhotinho em recorte histórico da Gazeta Esportiva Ilustrada.
Capa recortada de página da Gazeta Esportiva Ilustrada, preservada no acervo do Portal do Palestra. A edição não traz data identificada.

Milton de Medeiros, o Canhotinho, deixou o futebol profissional antes dos 30 anos, mas não se afastou por muito tempo do Palmeiras. Depois de brilhar como ponta e atuar na França, retornou ao clube em outra função: ao lado de Osvaldo Brandão, trabalhou na formação de aspirantes e amadores e transformou a experiência de campo em títulos e novos talentos.

A história aparece em duas páginas da Gazeta Esportiva Ilustrada, guardadas pelo Portal do Palestra. A reportagem acompanha a mudança de rota de um ídolo que, em vez de tentar repetir a carreira de jogador, encontrou lugar na beira do campo e no trabalho diário com jovens.

Página de reportagem sobre Milton de Medeiros, o Canhotinho.
Página da Gazeta Esportiva Ilustrada guardada pelo Portal do Palestra. A edição não traz data identificada.

A ponta esquerda que encantou o público

A revista descreve Canhotinho como um jogador de drible curto, toque sutil e estilo próprio. Sua carreira chegou à Europa e parecia encerrada quando decidiu parar, ainda jovem. Em 1953, a pedido de Brandão, aceitou defender a Portuguesa Santista por empréstimo. Três meses depois, seguiu para o Racing de Paris, onde conquistou o campeonato francês de 1954 ao lado do brasileiro Iêso Amalfi.

A saudade do Brasil falou mais alto. Canhotinho voltou antes do fim do compromisso com o Racing e decidiu abandonar os gramados. O reencontro com a Portuguesa Santista, agora como treinador, aconteceu em 1955. O clube vivia o rebaixamento e ele assumiu a tarefa de ajudar a equipe a retornar à divisão principal ainda naquele ano.

De Ulrico Mursa ao trabalho com Brandão

Em 1956, Canhotinho deixou a Portuguesa Santista e passou brevemente pelo São Bento. Negócios particulares interromperam novamente a rotina no futebol. A oportunidade mais duradoura surgiu em 1958: Brandão o chamou para ser auxiliar no Palmeiras e confiou a ele os conjuntos aspirante e amador.

O primeiro ano trouxe o título amador e a conquista do Torneio Início. Em 1959, a equipe venceu o campeonato amador sem perder e ainda ganhou o Torneio Roberto Ugolini. A revista registra Canhotinho como treinador de jovens e aponta nomes que passavam pelas mãos da comissão antes de seguir para outros clubes ou se aproximar do time principal.

Continuação da reportagem sobre Canhotinho como técnico das equipes de base do Palmeiras.
Continuação de página da Gazeta Esportiva Ilustrada guardada pelo Portal do Palestra. A edição não traz data identificada.

Um projeto de renovação, não apenas uma coleção de troféus

Na entrevista, Canhotinho defendia que renovar uma equipe exigia planejamento coletivo e paciência. Ele via a formação como resposta necessária ao envelhecimento natural dos ídolos e às exigências de uma seleção que buscava o bicampeonato mundial. A ideia conversa com a própria prática: os títulos da base tinham valor, mas o objetivo era preparar atletas para etapas maiores.

A trajetória de jogador pode ser revisitada no registro de Canhotinho na goleada por 7 a 1 sobre o Comercial. A página da temporada palmeirense de 1947 situa o ponta no time que encantava o público; já a Enciclopédia Alviverde reúne os caminhos para acompanhar esse memorial de jogadores, equipes e personagens.

A trajetória de Canhotinho

  1. 1953 Empréstimo à Portuguesa Santista Retorna aos gramados a convite de Osvaldo Brandão.
  2. 1954 Campeão na França Defende o Racing de Paris ao lado de Iêso Amalfi.
  3. 1955 Primeiro trabalho como técnico Ajuda a Portuguesa Santista a buscar o retorno à divisão principal.
  4. 1958 Volta ao Palmeiras Assume aspirantes e amadores como auxiliar de Brandão.
  5. 1959 Título invicto e Roberto Ugolini Consolida o trabalho de formação com novas conquistas.

A memória de Canhotinho passa também pela formação

Canhotinho costuma ser lembrado pelo drible e pela passagem como ponta, mas o arquivo preserva outro capítulo: a transição de jogador admirado a treinador de jovens. O relato amplia o memorial do Palmeiras porque mostra como uma carreira pode seguir influenciando o clube mesmo depois do último jogo. Para entender o contexto da equipe que o revelou, a Enciclopédia permite cruzar o perfil dele com campanhas, títulos e outras histórias preservadas pelo Portal.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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