
O Palmeiras perdeu para o Mirassol, fora de casa, por 2 a 1, e mais uma vez sofreu diante de um adversário que figura entre os primeiros colocados da tabela. A derrota, somada ao triunfo do Flamengo sobre o Santos, eliminou a “gordura” construída pelo time de Abel Ferreira e recolocou o campeonato em estado de alerta máximo.
Agora, qualquer vacilo custa caro. No próximo fim de semana, o Verdão vai à Vila Belmiro encarar o Santos, time de Neymar, pressionado, ameaçado pelo rebaixamento e sem margem para erro. Para eles, é “vencer ou vencer”. Para o Palmeiras, é o tipo de jogo que separa quem quer ser campeão de quem quer apenas competir.
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Sete desfalques, zero desculpas
O cenário é duro: são sete desfalques em um momento decisivo, consequência direta da Data Fifa e das convocações que esvaziam o elenco. Justo com o time líder, justo na reta final. É um golpe pesado? É. É injusto? Também. Mas não resolve apontar para a CBF, para o calendário ou para a arbitragem agora.
O desafio que se apresenta para Abel Ferreira e sua comissão é estratégico: usar o elenco com inteligência, ajustar o plano de jogo, proteger o sistema defensivo e extrair o máximo de quem está disponível. Reclamar não devolve ponto. Organização, competitividade e mentalidade, sim.
Palmeiras não entendeu o jogo contra o Mirassol
A sensação é clara: o Palmeiras não entrou em Mirassol com a leitura correta do jogo. Não se trata de salto alto ou clima de “campeão antecipado”, mas pareceu um time que imaginou um confronto mais controlado do que realmente foi.
O Mirassol competiu em nível alto, marcou forte, fechou linhas, encarou o líder de igual para igual. Felipe Anderson e Andreas Pereira, peças importantes na criação, praticamente não apareceram. O setor de marcação do Mirassol neutralizou o meio-campo alviverde, travou os corredores e reduziu o Palmeiras a lampejos. O gol de Vitor Roque foi exceção, não regra.
Quando um time como o Palmeiras não compreende o contexto — campo difícil, adversário intenso, tabela apertada, pressão na briga pelo título — o risco aumenta. E ontem cobrou a conta.
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A tabela pesa — e o psicológico também
Olhar só para a matemática é ingenuidade. A tabela do Flamengo até o fim do campeonato, neste momento, parece mais “jogável” do que a do Palmeiras, tirando o clássico contra o Fluminense. Some a isso o fato de que os dois decidirão a Conmebol Libertadores em Lima, no dia 29, e o roteiro fica ainda mais sensível.
É a combinação perfeita para testar foco, maturidade e gestão emocional. Quem vacilar mentalmente primeiro, perde. Quem entrar em campo achando que o nome pesa mais que a atuação, entrega o título.
É tudo ou nada (e não tem espaço para meio-termo)
Reta final não é lugar para distração, soberba ou tese confortante. É tempo de:
- entender que o campeonato recomeçou;
- tratar cada jogo como decisão, independentemente de desfalques;
- recuperar a intensidade sem bola e a concentração defensiva;
- fazer os líderes do elenco assumirem o protagonismo dentro e fora de campo.
Ou o Palmeiras reage agora, com foco extremo e trabalho obsessivo, ou corre o risco real de transformar um ano promissor em um ano vazio. A gangorra está montada: de um lado, a chance de coroar um projeto vitorioso; do outro, a frustração de ver tudo escapar pelos dedos.
A escolha — e a resposta — começam na Vila Belmiro.
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