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Análise Tática

Análise: Palmeiras empata na Colômbia, mas resultado deixa sinais de alerta

Flaco López disputa bola pelo Palmeiras na Colômbia (Foto Cesar GrecoPalmeirasby Canon)
Flaco López disputa bola pelo Palmeiras na Colômbia (Foto Cesar GrecoPalmeirasby Canon)

O empate do Palmeiras na Colômbia deixa uma leitura dupla. O time teve um começo ruim, sofreu com um pênalti logo nos primeiros minutos e passou boa parte da partida tentando corrigir o próprio roteiro. Ao mesmo tempo, mostrou reação no segundo tempo, cresceu com as mudanças e terminou mais perto da vitória do que da derrota.

  • O Palmeiras empatou por 1 a 1 com o Junior Barranquilla, fora de casa.
  • O time colombiano abriu o placar com Teófilo Gutiérrez, em cobrança de pênalti, aos 9 minutos.
  • O Verdão empatou aos 55 minutos, com Ramón Sosa, após jogada com participação direta de José López.
  • Abel Ferreira mexeu no time no intervalo, e as entradas de Khellven e Ramón Sosa mudaram o comportamento da equipe.
  • Nos minutos finais, o Palmeiras pressionou, criou chances e deixou a sensação de que poderia ter saído com mais.

Palmeiras sai devendo no início, reage na Colômbia e deixa empate com gosto misto na Libertadores

O empate do Palmeiras contra o Junior Barranquilla não foi um desastre, mas também não merece leitura acomodada. O 1 a 1 fora de casa, em Libertadores, pode parecer aceitável em um primeiro olhar. Só que o jogo mostrou mais do que o placar. Mostrou um time que demorou a entrar na partida, sofreu pelo próprio erro no começo e só conseguiu se reorganizar de verdade depois do intervalo.

É justamente por isso que a análise precisa fugir do raso. O Palmeiras teve poder de reação e terminou o jogo em crescimento. Isso pesa a favor. Mas o início frouxo e a dificuldade para transformar presença em controle real também deixam recados importantes para a sequência da competição.

O Palmeiras entregou o jogo ao adversário nos primeiros minutos

A pior parte da atuação alviverde foi a largada. O Junior Barranquilla encontrou espaço, acelerou cedo e conseguiu um pênalti logo no início da partida. Com a cobrança convertida por Teófilo Gutiérrez aos nove minutos, o jogo passou a ser exatamente o que o time colombiano queria: vantagem no placar e um rival obrigado a correr atrás.

Esse detalhe muda tudo em Libertadores. Fora de casa, sair atrás tão cedo significa jogar com mais ansiedade, mais pressa e menos margem para erro. O Palmeiras até teve finalizações no primeiro tempo, tentou com Allan, Marlon Freitas, Arthur e Andreas Pereira, mas boa parte dessas ações não se traduziu em domínio real. Havia volume, mas faltava contundência.

Na prática do jogo, o Verdão ficou mais rondando a área do que machucando de verdade. E esse tipo de produção costuma cobrar preço em partida continental fora de casa.

+ Abel Ferreira comenta empate do Palmeiras na estreia da Libertadores; veja coletiva ao vivo

Jhon Arias controla a bola em Junior x Palmeiras pela Libertadores
Jhon Arias controla a bola em Junior x Palmeiras pela Libertadores

Abel mexeu certo, e o Palmeiras mudou de cara

O segundo tempo contou outra história. As entradas de Khellven e Ramón Sosa no intervalo deram nova energia ao time, e o Palmeiras voltou com mais agressividade. Não foi uma mudança apenas de nomes. Foi uma mudança de postura. A equipe passou a jogar mais acelerada, mais vertical e mais conectada com a necessidade da partida.

O empate saiu aos 55 minutos, com Ramón Sosa aproveitando assistência de cabeça de José López em contra-ataque. O lance resume bem o melhor trecho do Palmeiras no jogo: ataque com mais rapidez, leitura melhor dos espaços e capacidade de aproveitar uma jogada decisiva.

Sosa, que saiu do banco, acabou sendo a peça que faltava ao time no primeiro tempo. Entrou participativo, agudo e decisivo. Flaco López também merece destaque pela jogada do gol e pela capacidade de participar de um lance que recolocou o Palmeiras no jogo.

+ Palmeiras sai atrás, cresce no segundo tempo e empata com o Junior Barranquilla

O empate foi justo, mas a sensação final favorece o Palmeiras

Depois do 1 a 1, o Palmeiras ficou mais próximo da vitória do que o Junior. Andreas Pereira teve finalização defendida, Khellven arriscou de fora, Jhon Arias levou perigo, Luighi perdeu boa chance de cabeça, Felipe Anderson apareceu em finalizações perigosas, e Ramón Sosa ainda tentou no fim.

Por isso, o gosto do resultado é misto. O empate parece justo pelo conjunto da partida, principalmente porque o Palmeiras começou mal e demorou a se ajustar. Só que, olhando os minutos finais, fica a sensação de que havia espaço para sair da Colômbia com os três pontos.

Esse é o ponto central da análise: o Palmeiras teve maturidade para não se perder depois do golpe inicial, mas não teve força suficiente para transformar a reação em vitória.

O que o jogo diz sobre o Palmeiras na Libertadores

A estreia deixou uma mensagem importante. O Palmeiras segue competitivo, tem banco que muda jogo e mostrou capacidade de resposta emocional em um cenário desconfortável. Isso não é pouco. Em Libertadores, saber sobreviver a um contexto ruim também conta.

Por outro lado, a atuação também reforça que o time ainda precisa entrar mais pronto em jogos grandes fora de casa. Sofrer um pênalti cedo, permitir que o rival se organize a partir do placar e depender tanto do ajuste do intervalo não pode virar padrão. O Palmeiras cresceu porque tem elenco e repertório para isso. Mas nem sempre haverá tempo ou espaço para corrigir a rota em plena competição continental.

No fim, o 1 a 1 não compromete a campanha. O problema seria tratar esse empate como se ele resolvesse tudo. O resultado é administrável. A atuação, nem tanto.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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