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Brasileirão 2026

Palmeiras votou a favor, mas a regra que trava Abel é outra

A CBF cortou o número de estrangeiros, e o Palmeiras votou junto. Só que a reclamação do treinador, feita em coletiva, é sobre outro artigo do regulamento.

Abel Ferreira aplaude à beira do campo durante Palmeiras x LDU, no Nubank Parque
Abel Ferreira durante a ida das quartas contra a LDU (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

A CBF aprovou na segunda-feira o corte gradual de estrangeiros nas súmulas, de nove hoje para cinco em 2030, e o Palmeiras votou a favor mesmo sendo um dos clubes mais expostos à mudança. Só que o incômodo que o treinador já tinha manifestado em público é com outro artigo do regulamento, e esse continua igual.

A regra em questão impede que um jogador defenda dois clubes na mesma edição do Brasileirão depois de atingir 12 partidas pelo primeiro. O teto já foi de seis. Para quem monta elenco no meio da temporada, é ela que fecha o mercado interno.

O que Abel disse, e quando

A fala é de 9 de setembro, na coletiva que se seguiu à vitória sobre a LDU pelas quartas de final da Libertadores. “Queremos contribuir para o futebol brasileiro. Tem jovens aqui diferenciados, mas fizeram mais de 10 jogos e não posso ir buscar. Querem que vá buscar quem? Os jogadores que não jogam? Reservas? Então temos que buscar fora. Vocês acham justo?”, perguntou o treinador.

O argumento dele costura as duas regras numa só: se o regulamento fecha a porta do jogador brasileiro que está jogando, sobra o mercado de fora. E aí, diz Abel, a conta volta para quem reclama do número de estrangeiros.

Quando cheguei aqui, eram cinco estrangeiros. Dois ou três anos passaram para sete. Eu mandei Merentiel embora porque eram sete e, três dias depois, decidiram que ia para nove. A responsabilidade é de quem?

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, na coletiva após a vitória sobre a LDU

Por que a regra dos 12 jogos pesa tanto no Palmeiras

Porque o clube contrata tarde. Quando uma peça falta em agosto ou setembro, o jogador brasileiro que interessa é, por definição, um que vem jogando — e quem vem jogando já passou das 12 partidas. O que resta no mercado interno é reserva ou quem não entra em campo, que é exatamente o ponto da pergunta do treinador.

O que muda daqui para frente

Nada, por enquanto, nesse artigo. O que muda é o outro lado da equação: a partir de 2027 o Palmeiras passa a ter uma vaga de estrangeiro a menos por jogo, e depois mais uma a cada ano. O elenco tem oito estrangeiros, cinco deles com contrato até 2030.

Ou seja: a porta de fora vai estreitando, e a de dentro segue com a mesma tranca. É esse desenho que o treinador vem apontando desde antes da votação.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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