
A Sportingbet, patrocinadora máster do Palmeiras, admitiu publicamente que pode precisar rediscutir o contrato caso as regras das casas de aposta mudem no Brasil. A empresa se manifestou nesta quinta-feira (24), em nota, diante da medida provisória que o governo federal prepara sobre a operação de apostas on-line — texto que ainda pode ser alterado antes de ser publicado.
A posição da companhia é de cautela, sem anunciar saída nem corte. Na nota, divulgada nesta quinta-feira, a empresa afirmou que acompanha a possibilidade de mudança na legislação e que pretende conversar com os clubes caso as regras sejam alteradas. Disse também que segue trabalhando com Palmeiras e Vasco com a parceria, a transparência e a responsabilidade que sempre a nortearam.
A transparência rege nossa relação com todos os nossos parceiros. Se há uma possibilidade das regras mudarem, precisamos conversar e garantir que todos se planejem para novos cenários
Quanto o acordo vale para o clube
O contrato foi assinado em dezembro de 2024 e prevê R$ 100 milhões por ano, valor que pode chegar a R$ 170 milhões com o cumprimento de metas. É a maior receita de patrocínio do Palmeiras e uma das maiores do futebol brasileiro — o que explica por que qualquer sinalização da empresa mexe no planejamento financeiro do clube.
A dependência do setor não é exclusividade alviverde, mas pesa. O patrocínio de apostas virou a principal linha de receita comercial de boa parte da Série A, e o Palmeiras construiu os últimos orçamentos com esse dinheiro no caixa, como aparece no detalhamento das finanças do clube.
A pressão vem de duas frentes
Além da medida provisória federal, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação a restrição à propaganda de bets na cidade. São movimentos independentes, mas que apontam na mesma direção: menos espaço para exposição de marca, o que reduz o valor do ativo que o clube vende.
Para o Palmeiras, o efeito prático depende do texto final. Um corte apenas na publicidade em mídia municipal tem impacto diferente de uma mudança nas regras de operação, que atingiria a receita da própria empresa e, por consequência, a capacidade de manter o valor do contrato. Até aqui não houve pedido formal de renegociação de nenhuma das partes.
O clube também não trata o tema como emergência de curto prazo. A gestão de Leila Pereira se encerra no ano que vem, e a discussão sobre o patrocínio máster tende a atravessar a transição — assunto que já aparece no debate sobre o jogo político em torno da próxima eleição.
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