
O futebol feminino paulista vive um momento de rara intensidade em 2026. Em menos de 45 dias, Palmeiras e Corinthians já se encontraram em uma final de campeonato — e agora voltam a se encarar, desta vez pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro Feminino Série A1, nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, às 21h30, na Arena Barueri.
De um lado, as Palestrinas de Rosana Augusto, líderes do torneio com seis pontos em dois jogos e o melhor ataque da competição. Do outro, as Brabas de Emily Lima — que estreia justamente no maior clássico do futebol feminino brasileiro, herdando um elenco poderoso que ainda busca se reencontrar no campeonato nacional.
O primeiro capítulo desta rivalidade em 2026 foi épico: no dia 7 de fevereiro, na mesma Arena Barueri, as Palestrinas venceram o Corinthians por 5 a 4 nos pênaltis — depois de empate por 1 a 1 no tempo normal — e conquistaram a Supercopa Feminina de forma inédita. A goleira colombiana Kate Tapia foi a heroína da noite, defendendo cobranças de Gabi Zanotti, Jhonson e Tamires para dar o troféu ao Verdão.
Agora, o capítulo dois é no campeonato regular — e o que está em jogo não é apenas a tabela.
Palestrinas
Brabas
O Palmeiras que não para de ganhar
Rosana Augusto assumiu um projeto e o transformou em hegemonia. Em menos de um ano à frente do time, a técnica alviverde acumula um dos históricos mais impressionantes do futebol feminino nacional recente: quatro títulos consecutivos — Ladies Cup, Campeonato Paulista Feminino 2025, Copa do Brasil Feminina 2025 e Supercopa Feminina 2026.
No Brasileirão, o Verdão arrancou com potência total. Na estreia, goleou o América-MG por 4 a 0, em casa, na Arena Barueri. Na sequência, foi a Porto Alegre e venceu o Grêmio por 2 a 1, com gols de Brena Carolina e Bia Zaneratto. São seis pontos, seis gols marcados — o melhor ataque do torneio em duas rodadas — e nenhum ponto perdido.
A estrela do momento é Bia Zaneratto, que retornou ao Brasil após passagem pelos Estados Unidos e voltou ao Palmeiras para vestir a camisa 10. Ela já marcou na Supercopa e no Brasileirão, sendo o símbolo da força ofensiva das Palestrinas. Ao seu redor, Brena Carolina e Tainá Maranhão dão profundidade; a colombiana Kate Tapia garante segurança no gol; e Lorena Benítez e Ingryd controlam o meio-campo.
O Corinthians que recomeça — e pode ser perigoso por isso
O Corinthians chega ao clássico em uma situação incomum: sem uma derrota no torneio, mas com uma troca de comando que agitou o futebol feminino neste começo de ano.
Após o empate por 2 a 2 com o Fluminense na Neo Química Arena — resultado que foi o estopim, mas não a causa —, Lucas Piccinato foi demitido na madrugada do dia 21 de fevereiro. Ele deixou o clube tendo conquistado dois Campeonatos Brasileiros, duas Libertadores Femininas e uma Supercopa durante sua passagem pelo Parque São Jorge.
No dia 24 de fevereiro, o Corinthians anunciou Emily Lima, de 45 anos, como a nova técnica — a primeira mulher a comandar profissionalmente a equipe feminina do Alvinegro. Ex-treinadora da Seleção Brasileira entre 2016 e 2017, Emily tem o desafio de manter as Brabas na luta pelo Brasileirão e pela Libertadores enquanto ainda imprime sua identidade ao grupo.
O elenco segue poderoso: Gabi Zanotti lidera a criatividade; Andressa Alves traz experiência de alto nível; Jaqueline é opção no ataque; e os reforços Belén Aquino (uruguaia) e Ana Vitória ampliam o repertório ofensivo. Com quatro pontos — uma vitória e um empate — o Corinthians ocupa o 5º lugar. Vencer a líder na estreia de Emily Lima seria um recado poderoso ao restante do campeonato.
Uma rivalidade que não conhece placar médio
O histórico do Derby feminino é de extremos. Não há meias medidas neste clássico.
Em 2005, pelo Campeonato Paulista, o Palmeiras aplicou um histórico 9 a 0 no Corinthians. Dezoito anos depois, em novembro de 2023, as Brabas responderam com uma goleada de 8 a 0, também pelo estadual. Se no passado os abismos eram enormes, 2025 mostrou uma rivalidade em paridade total: os dois clubes se enfrentaram cinco vezes no ano, com duas vitórias para cada lado e um empate.
O capítulo mais expressivo foi a final do Paulistão Feminino 2025. O Palmeiras goleou por 5 a 1 no jogo de ida (gols de Brena Carolina, duas vezes, além de Amanda Gutierres, Raissa Bahia e Fe Palermo), perdeu o segundo duelo por 1 a 0 no Canindé, mas ergueu a taça. Meses depois, veio a Supercopa. O padrão se manteve: clássico truncado, muito equilibrado, decisão nos pênaltis.
O que diz tudo sobre o momento atual: em 2026, das últimas quatro decisões entre os dois clubes, as Palestrinas venceram três. O Corinthians precisa reagir — e precisa reagir contra quem mais detesta perder.
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A estreia mais difícil possível para Emily Lima
Não existe jogo mais complicado para debutar do que o Derby. Emily Lima sabe disso — ela já enfrentou clássicos à beira do campo com a Seleção Brasileira. Mas comandar as Brabas contra o Palmeiras em plena liderança do Brasileirão é um nível diferente de pressão.
A técnica teve pouco mais de duas semanas para trabalhar com o grupo durante a pausa por Data FIFA. Ela precisará equilibrar o respeito pelo que funcionou nos últimos anos e a imposição da própria identidade de jogo — e fazer isso na Arena Barueri, diante de torcida alviverde exclusiva, por determinação do Ministério Público.
Para Emily, a vitória seria transformadora. Para Rosana, ampliar a vantagem sobre o maior rival consolidaria o Palmeiras como a nova referência do futebol feminino nacional.
O que esperar em campo
O Palmeiras tende a manter o esquema que funcionou no Brasileirão: pressão alta, saída de bola rápida e triangulações para servir Bia Zaneratto e Brena Carolina. A posse não é um fim — Rosana usa o time para criar espaços, não para esgotar o adversário.
O Corinthians, sob Emily Lima, provavelmente partirá do que o elenco já conhece: jogadoras de alto nível que dispensam automatismos mecânicos. A tendência é um time mais vertical, com Gabi Zanotti e Belén Aquino explorando as costas da defesa palmeirense.
O fator físico pode ser decisivo: o Palmeiras está mais rodado no Brasileirão com dois jogos em ritmo de competição. O Corinthians, por outro lado, teve carga intensa no Mundial de Clubes Feminino, em Londres, no início do ano — e as Brabas mostraram lá que jogam em alto nível. O equilíbrio nos 90 minutos pode estar exatamente nesse ponto.Palmeiras x Corinthians feminino
Perguntas frequentes
Quando é o clássico Palmeiras x Corinthians pelo Brasileirão Feminino?
O jogo acontece nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, às 21h30, na Arena Barueri, em Barueri (SP), pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro Feminino Série A1.
Qual é a situação do Palmeiras no Brasileirão Feminino 2026?
O Palmeiras lidera o torneio com 6 pontos em 2 jogos — duas vitórias, nenhuma derrota, nenhum empate. É também o time com o melhor ataque da competição, com 6 gols marcados nas primeiras duas rodadas.
Por que o Corinthians trocou de técnico?
Lucas Piccinato foi demitido na madrugada do dia 21 de fevereiro de 2026, após o empate por 2 a 2 com o Fluminense pela 2ª rodada do Brasileirão. No lugar dele, o clube anunciou Emily Lima, de 45 anos — a primeira mulher a comandar a equipe feminina profissional do Corinthians.
Qual foi o último resultado entre Palmeiras e Corinthians no futebol feminino?
A última decisão entre os dois times foi a Supercopa Feminina 2026, em 7 de fevereiro de 2026, na Arena Barueri. O jogo terminou 1 a 1 no tempo normal (Jaque Ribeiro para o Corinthians; Bia Zaneratto para o Palmeiras). Nos pênaltis, o Palmeiras venceu por 5 a 4, com Kate Tapia defendendo três cobranças das Brabas.
Quais títulos o Palmeiras conquistou no futebol feminino em 2025 e 2026?
O Palmeiras ergueu quatro taças consecutivas: Ladies Cup, Campeonato Paulista Feminino 2025, Copa do Brasil Feminina 2025 e Supercopa Feminina 2026 — a maior sequência de conquistas na história recente do clube no futebol feminino.
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