
O coordenador das categorias de base do Palmeiras, João Paulo Sampaio, abriu o jogo sobre a decisão de afastar todo o elenco e a comissão técnica do time Sub-17 na reta final do Campeonato Paulista da categoria, em outubro.
Em entrevista ao Charla Podcast, o dirigente afirmou que a medida foi uma forma de dar um recado claro sobre comportamento e hierarquia dentro do clube.
“Hoje, os jogadores são empresas, principalmente nos grandes clubes. Eles têm o estafe deles, empresário, fisioterapeuta… São empresas dentro de um vestiário em um esporte coletivo. E cada um quer ver sua empresa. E aí? Acontece o que eu fiz: afastei um time todo para dizer que a empresa é o Palmeiras”, declarou João Paulo.
“Ninguém é maior que o clube”
O dirigente, que há anos lidera o setor de formação do Verdão e é reconhecido pelo trabalho que revelou nomes como Endrick, Estevão e Luis Guilherme, ressaltou que o objetivo foi reafirmar a autoridade e os valores do clube.
“A mãe geradora é o Palmeiras. Esta empresa não se negocia. Ninguém vai ser maior que o Palmeiras com seu estafe. Só está aqui pelo Palmeiras e não seremos refém de vocês”, completou.
Na época, o Palmeiras não detalhou publicamente o motivo do afastamento coletivo. A equipe que vinha disputando o Paulista Sub-17 foi substituída por jogadores do Sub-16 na sequência da competição.
“O clube não pode ser refém de adolescentes”
Sampaio explicou que a decisão teve caráter educativo e que foi necessária para reforçar a mentalidade correta na formação de jovens atletas.
“Funcionou, e espero que seja o primeiro de muitos. O clube não pode ser refém de adolescentes e crianças, porque depois vão se transformar em monstros. A gente tem este poder, e às vezes a família não tem, porque o menino já é o chefe da casa. O sonho não é só dele, é da família. Mas o clube não pode virar refém dessas empresas”, afirmou.
O coordenador destacou ainda que o foco do trabalho da base palmeirense vai além da técnica e dos resultados em campo — o objetivo é formar atletas e cidadãos conscientes, preparados para representar a instituição.
“Espero que outros clubes também façam isso, porque não se trata apenas de formar atleta, mas de formar homem. Só estão lá porque o clube existe”, concluiu João Paulo.
A punição aplicada ao elenco Sub-17 foi válida apenas para o Paulista da categoria. O grupo afastado seguiu o cronograma de treinos normalmente para o restante da temporada.
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