
Abel Ferreira fala pouco sobre hierarquia, mas o campo entrega bastante. No recorte mais quente da temporada, entre a semifinal do Paulista contra o São Paulo e a estreia na Libertadores diante do Junior Barranquilla, o Palmeiras mostrou um núcleo muito claro de confiança, uma faixa intermediária de jogadores controlados por contexto físico ou tático e um grupo que vem sendo preparado aos poucos para ganhar mais espaço. Levantamento exclusivo do PORTAL DO PALESTRA.
Os números mais fortes do período ajudam a desmontar a discussão rasa sobre “rodízio por rodízio”. Antes do clássico contra o Corinthians, o próprio clube indicava Flaco López e Carlos Miguel com 16 jogos seguidos como titulares e Marlon Freitas com 12, além de registrar Allan, Marlon e Flaco como líderes em partidas na temporada, com 22, seguidos por Carlos Miguel e Andreas Pereira, com 21. No Brasileiro, Andreas chegou ao Derby como líder em assistências, com oito.
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O núcleo duro de Abel
No recorte de 10 jogos oficiais, Carlos Miguel, Marlon Freitas e Gustavo Gómez ficaram com 900 minutos, ou seja, jogaram tudo. Logo atrás aparecem Murilo (810), Flaco López (765), Andreas Pereira (723), Mauricio (648) e Allan (626). É aqui que mora o coração do time: goleiro, volante de equilíbrio, zagueiro de liderança, centroavante de referência, meia de construção e o setor criativo que mais sustenta volume e pressão.
O dado mais revelador não é só a soma de minutos. É a repetição da espinha. Entre 1º de março e 8 de abril, Carlos Miguel, Marlon Freitas, Gustavo Gómez, Flaco López, Andreas Pereira e Mauricio começaram os 10 jogos do recorte como titulares. Murilo e Allan ficaram em nove. Isso mostra que, quando Abel aperta o time para decisões e sequência pesada, ele não sorteia onze nomes: ele se apoia em uma base muito definida.
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A leitura por setor
Defesa
Carlos Miguel virou dono do gol. Além de ter liderado a minutagem do recorte, o clube informou antes do Derby que ele havia saído sem sofrer gol em 15 dos 33 jogos pelo Palmeiras e já ostentava um dos melhores índices de baliza a zero entre goleiros do clube neste século. Na frente dele, Gustavo Gómez é o pilar absoluto, enquanto Murilo aparece logo atrás, com presença quase integral quando está disponível.
Nas laterais, a história muda mais. Giay somou 540 minutos no recorte, Arthur 352, Khellven 349, Piquerez 450 e Jefté 149. Isso mostra um setor menos estabilizado que o miolo da defesa. Houve alternância por lesão, fase e ajuste de função, mas também ficou claro que Abel tentou achar uma lateral funcional sem desmontar o restante do time.
Meio-campo
O meio é onde o mapa de Abel fica mais nítido. Marlon Freitas e Andreas Pereira não são apenas titulares; são a engrenagem do Palmeiras atual. Marlon praticamente não sai. Andreas participa da circulação, acelera o time e ainda chegava ao clássico como líder de assistências do Brasileiro. Mauricio completa o tripé como o meia de chegada, sustentação e leitura entrelinhas.
Lucas Evangelista é um caso importante. Ele não aparece entre os líderes de minutos, mas entra muito: no recorte, foi uma das primeiras soluções de banco para reorganizar o meio ou dar controle a partir da metade final do jogo. Não é ainda peça fixa do time-base, mas claramente já faz parte da rotação de confiança.
Ataque
Flaco López é o atacante mais consolidado do Palmeiras neste momento. Além de liderar a sequência como titular ao lado de Carlos antes do Derby, também chegou ao clássico com nove gols em 2026 e com uma minutagem muito acima dos outros homens de frente.
Allan virou peça importante de agressividade e pressão, mas também é um dos mais geridos no segundo tempo. No recorte, ele começou nove jogos e saiu cedo em boa parte deles. Isso não aponta perda de prestígio; aponta controle físico e de função. Jhon Arias, por sua vez, saiu do papel de encaixe para o de titular frequente: em março e abril, passou a ganhar cada vez mais espaço no time principal e chegou ao clássico com o melhor índice de vitórias do elenco, segundo o clube.
Vitor Roque aparece como um caso de uso seletivo. No recorte, ele teve 224 minutos e quatro titularidades, mas o contexto pesa: o clube o listou como desfalque por transição física antes do Derby, e ainda assim ele já somava três gols em seis jogos em 2026 segundo o material oficial pré-clássico. Ou seja: menos presença recente não significa queda na fila; significa manejo.
Quem Abel mais usa hoje
1) A espinha dorsal
- Carlos Miguel
- Gustavo Gómez
- Marlon Freitas
- Andreas Pereira
- Mauricio
- Flaco López
Esses são os nomes que mais se repetem quando o Palmeiras entra em fase de cobrança alta. No recorte, os seis começaram todos os 10 jogos.
2) O bloco logo atrás
- Murilo
- Allan
- Giay
Murilo só não cola nos líderes porque houve ajuste pontual de disponibilidade. Allan é muito usado, mas muitas vezes com troca programada. Giay oscilou entre lateral e peça de encaixe, mantendo presença alta mesmo sem a blindagem da espinha dorsal.
Quem Abel protege
Aqui entram os jogadores que participam, mas sob controle claro de carga, contexto físico ou maturação tática.
Vitor Roque é o exemplo mais óbvio: já mostrou produção, mas teve interrupção recente por transição física. Ramón Sosa aparece muito como mudança de ritmo, aceleração e ataque ao espaço. Arthur cresceu no recorte e ganhou minutos em diferentes jogos, mas ainda sem sequência de dono absoluto da faixa. Lucas Evangelista foi sendo colocado em partidas grandes como peça de ajuste fino no meio.
“Proteger”, aqui, não é esconder. É colocar sem estourar, usar sem entregar de vez, preparar sem anunciar.
Quem pode explodir em silêncio
Arthur
No recorte, ele somou 352 minutos e apareceu tanto como titular quanto como reposição imediata na lateral. Não é coincidência. Quando o setor perdeu estabilidade, ele virou uma solução cada vez mais frequente. Isso costuma ser o primeiro passo antes da fixação.
Lucas Evangelista
O mapa mostra um reserva cada vez menos “protocolo” e cada vez mais “peça de jogo”. Ele entrou para controlar ritmo, para corrigir meio-campo e para ajudar a fechar partidas. Quando um jogador passa a ser a primeira leitura de banco em jogos pesados, está muito mais perto da titularidade do que parece.
Ramón Sosa
Sosa não domina a minutagem, mas aparece com regularidade em trocas ofensivas importantes. É o tipo de jogador que ainda não é a referência da faixa, mas já está dentro do plano de mudança de cenário.
Minutagem no recorte de 10 jogos
Levantamento com base nas partidas oficiais do Palmeiras entre 1º de março e 8 de abril de 2026.
| # | Jogador | Minutos | Leitura | Status no elenco |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Carlos Miguel | 900 | Intocável no recorte | Espinha dorsal |
| 2 | Marlon Freitas | 900 | Motor do meio-campo | Espinha dorsal |
| 3 | Gustavo Gómez | 900 | Liderança absoluta da defesa | Espinha dorsal |
| 4 | Murilo | 810 | Quase sempre fixo | Base forte |
| 5 | Flaco López | 765 | Referência ofensiva do time | Espinha dorsal |
| 6 | Andreas Pereira | 723 | Articulador central | Espinha dorsal |
| 7 | Mauricio | 648 | Meia de sustentação e chegada | Espinha dorsal |
| 8 | Allan | 626 | Muito usado, mas com trocas frequentes | Rotação forte |
| 9 | Giay | 540 | Peça de encaixe no setor | Rotação forte |
| 10 | Jhon Arias | 533 | Crescimento claro nas escolhas | Em ascensão |
| 11 | Piquerez | 450 | Uso mais controlado no período | Observação |
| 12 | Arthur | 352 | Nome preparado em silêncio | Em ascensão |
Quem começou mais vezes como titular
Recorte de 10 partidas oficiais para identificar a hierarquia real de uso no Palmeiras.
| # | Jogador | Titularidades | Leitura | Faixa de uso |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Carlos Miguel | 10 | Dono do gol no recorte | Máxima confiança |
| 1 | Marlon Freitas | 10 | Eixo do meio-campo | Máxima confiança |
| 1 | Gustavo Gómez | 10 | Líder absoluto da defesa | Máxima confiança |
| 1 | Andreas Pereira | 10 | Organização e criação | Máxima confiança |
| 1 | Mauricio | 10 | Presença constante no desenho | Máxima confiança |
| 1 | Flaco López | 10 | Centroavante mais consolidado | Máxima confiança |
| 7 | Murilo | 9 | Quase sempre dentro da base | Base forte |
| 7 | Allan | 9 | Titular frequente com controle de carga | Rotação forte |
| 9 | Giay | 6 | Nome de encaixe no setor | Rotação forte |
| 9 | Jhon Arias | 6 | Ganhando cada vez mais espaço | Em ascensão |
| 11 | Piquerez | 5 | Presença menor no recorte | Observação |
| 12 | Arthur | 4 | Sinal de crescimento gradual | Em ascensão |
| 12 | Khellven | 4 | Alternativa de rotação | Rotação |
| 12 | Vitor Roque | 4 | Uso seletivo por contexto | Observação |
| 15 | Ramón Sosa | 3 | Peça de aceleração e mudança | Preparado em silêncio |
Recorte de 10 jogos oficiais entre 1º de março e 8 de abril.
A conclusão
O Palmeiras de Abel não vive exatamente de rodízio. Vive de camadas.
A primeira camada é quase imexível: Carlos Miguel, Gustavo Gómez, Marlon Freitas, Andreas Pereira, Mauricio e Flaco López.
A segunda camada é de sustentação competitiva: Murilo, Allan, Giay e, cada vez mais, Jhon Arias.
A terceira é de preparação silenciosa: Arthur, Lucas Evangelista, Ramón Sosa e, em outro contexto, Vitor Roque.
No fim, o mapa de minutagem mostra menos um time “mexido” e mais um time com uma base muito clara, um banco funcional e alguns nomes sendo empurrados para cima sem alarde. É por isso que, para o torcedor, às vezes parece que um jogador “sumiu” ou que outro “do nada” ganhou espaço. Na prática, Abel já vinha desenhando esse movimento jogo após jogo.
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