
A rivalidade sangrenta e o ódio entre a Mancha Verde, organizada do Palmeiras, e a Máfia Azul, uniformizada do Cruzeiro; nasceu do desrespeito dos mineiros a luto dos paulistas.
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No domingo (27), enquanto retornavam de Curitiba (PR) após a partida Athletico-PR 3 x 0 Cruzeiro; integrantes da Máfia Azul, torcida ligada ao clube mineiro, foram interceptados por membros da Mancha Alvi Verde, organizada do Palmeiras, na Rodovia Fernão Dias.
A emboscada foi montada no quilômetro 65 da BR-381, sentido Belo Horizonte (MG), após a praça de pedágio na cidade de Mairiporã, região metropolitana da capital paulista; onde torcedores de Palmeiras e Cruzeiro entraram em confronto por volta das 5h30 (de Brasília).
O enfrentamento deixou um saldo de 17 torcedores do Cruzeiro feridos, um deles em estado grave, e um morto; José Victor dos Santos Miranda, de 30 anos, que tinha um filho de 10 anos. Seu corpo foi sepultado nesta terça-feira (29) em Sete Lagoas (MG).
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Esta não é a primeira vez que as principais torcidas organizadas de Palmeiras e Cruzeiro se envolvem em episódios de violência. Em setembro de 2022, na cidade de Carmópolis de Minas (MG), torcedores de ambos os clubes entraram em confronto, também na BR-381.
A hostilidade entre Mancha Verde e Máfia Azul teve origem em 1988, quando torcedores do Cruzeiro zombaram de uma homenagem que a torcida do Palmeiras fazia a Cleofas Sóstenes Dantas da Silva, um dos fundadores da organizada Alviverde.
Cleo foi assassinado, aos 24 anos, com dois tiros de arma de fogo na Rua Padre Antônio Tomás, ao lado do antigo Parque Antarctica, mesmo local onde Gabriela Anelli foi atacada em 2023 quando, atingida no pescoço por garrafa, a torcedora do Palmeiras não resistiu.
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Considerado o primeiro óbito por desentendimento entre torcidas uniformizadas, até hoje a morte de Cleofas não foi solucionada, tampouco presos os envolvidos no assassinato de um dos fundadores da organizada do Palmeiras, 5 anos após sua inauguração.
Na primeira partida do Verdão após o homicídio, a Mancha Verde prestou homenagem ao torcedor com uma queima de fogos no Palestra Italia que, em seu placar eletrônico, exibiu a mensagem “Cléo e Palmeiras, unidos eternamente”.
Mas, enquanto os integrantes da Mancha Verde prestavam reverência a um dos seus idealizadores, os membros da Máfia Azul entoavam cânticos ofensivos ao torcedor Alviverde como “Cléo morreu, a Mancha se f…”, o que provocou uma briga no estádio.
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