
O Flamengo pediu à CBF que as medidas cautelares aplicadas ao Vasco alcancem também a Placar Linhas Aéreas, empresa de Leila Pereira e de José Roberto Lamacchia. O motivo é o avião da companhia ser cedido gratuitamente para viagens do clube carioca.
É o capítulo mais recente de uma ofensiva que mira a relação entre a presidente do Palmeiras e o Vasco — e que, na prática, coloca o nome do Palmeiras no meio de uma disputa entre terceiros.
O que a CBF está investigando
A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, órgão criado pela CBF para promover o fair play financeiro, abriu procedimento para apurar possível conflito de propriedade. O objeto não é o avião: é a compra da SAF do Vasco pelo grupo de Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia e enteado de Leila Pereira — e, dentro dela, o papel da Crefisa, também do casal, como financiadora do clube carioca na recuperação judicial.
O que a agência precisa dizer está no artigo 86 do regulamento dela: nenhuma pessoa, física ou jurídica, pode ter controle ou influência significativa sobre mais de um clube, direta ou indiretamente. É essa hipótese que está em análise — e, até aqui, ela não foi confirmada.
Num primeiro momento a CBF considerou insuficientes as justificativas do Vasco. O clube terá prazo para apresentar novas provas, mas até lá cumpre medidas cautelares.
O que as cautelares proíbem
- negociar jogadores entre si, no profissional e na base
- dividir estruturas, funcionários e patrocinadores
- e a principal: o Vasco não pode mais obter recursos junto à Crefipar, o conglomerado financeiro de Leila que inclui a Crefisa
É essa última que dói no Vasco, e é sobre a extensão dela às demais empresas do grupo que o Flamengo insiste em seu comunicado — pedindo que as medidas alcancem “empresas controladas direta ou indiretamente pelos mesmos grupos econômicos”.
O que isso significa para o Palmeiras
Nada muda, por ora, na operação do clube. A Crefisa e a Placar são empresas privadas de Leila e do marido, não do Palmeiras — e não se confundem com as contas do clube, e o inquérito trata da relação delas com o Vasco. O que está em jogo é a exposição da presidente numa investigação da CBF em ano de eleição interna, com a saúde financeira do clube como principal ativo político da gestão.
Do lado vascaíno, a leitura foi de que a nota do Flamengo é seletiva: interlocutores lembraram que Leila emprestou o avião a outros clubes recentemente sem que houvesse reclamação.
A análise tem prazo de até 30 dias, e o procedimento não prevê recurso interno: ao fim dele, a agência arquiva o caso ou exige medidas para desfazer o que considerar irregular. Até lá, as cautelares seguem valendo.
O desdobramento a acompanhar é se a agência aceitará ampliar as cautelares para além da Crefipar. Se aceitar, cria um precedente sobre até onde vai a definição de grupo econômico no futebol brasileiro — assunto que interessa a qualquer clube com investidor por trás, o Palmeiras incluído.
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