
O nome de Abel Ferreira voltou a circular em Portugal como alvo do Sporting, e o histórico ajuda a medir o tamanho da conversa: não é a primeira investida. Frederico Varandas, presidente do clube lisboeta desde setembro de 2018, já tentou contratar o treinador em pelo menos duas oportunidades — e foi o próprio dirigente quem contou, em público, que ouviu não numa delas. A diferença entre aquelas tentativas e agora está no contrato que o português assinou com o Palmeiras.
A primeira aproximação foi em 2019, quando Abel comandava o Paok, da Grécia. Varandas listou o técnico entre os nomes que o Sporting procurou antes de acertar com Ruben Amorim, ao rebater críticas de que o clube só teria acertado na escolha do atual treinador do Manchester United.
Leonardo Jardim, Abel Ferreira, Rui Jorge, Quique Setién, Unai Emery, todos, por diferentes razões, agradeceram mas não queriam vir
A imprensa portuguesa registrou, na época, que os dirigentes do Paok não aceitaram a proposta do Sporting. No ano seguinte, Abel desembarcou no Brasil para assumir o Palmeiras.
A segunda tentativa caiu no meio do Mundial de Clubes
O treinador voltou ao radar do Sporting depois da saída de Amorim e da demissão de João Pereira, no fim de 2024. O momento, porém, era o pior possível para uma conversa: o Palmeiras se preparava para disputar o Mundial de Clubes, e o salário de Abel estava acima do teto que o clube português conseguiria pagar. Ele ficou.
A relação com o Sporting é antiga e não é só profissional. Foi em Alvalade que Abel encerrou a carreira de lateral-direito, entre 2006 e 2011, e foi lá que deu os primeiros passos como treinador — no sub-19, de 2012 a 2013, e depois no time B, até 2014. De lá para cá, ele acumulou 11 títulos, todos no Palmeiras, e construiu um retrospecto em decisões que nenhum outro técnico do clube alcançou.
Não é o único interesse que ele já recusou. Em outra ocasião, o treinador foi procurado por um clube da Premier League, e a resposta foi a mesma: ficar.
O que mudou: o contrato não tem multa
O vínculo de Abel com o Palmeiras vai até dezembro de 2027. A renovação assinada no fim do ano passado trouxe uma alteração relevante: não existe multa rescisória. Basta que uma das partes manifeste vontade de encerrar o contrato para que isso aconteça, sem compensação financeira — o que deixa o clube sem instrumento contratual para segurá-lo caso a procura de fora se transforme em oferta formal.
Por ora, nem clube nem treinador deram qualquer sinal de querer antecipar o fim do vínculo. No Sporting, Abel é considerado um dos principais nomes para substituir Rui Borges, mas só em caso de saída do atual treinador. E a intenção de Leila Pereira é fechar a gestão, que se encerra no ano que vem, com um único técnico — cenário que já apareceu na discussão sobre quem vai comandar o clube na próxima eleição.
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