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A noite que nunca vou esquecer

Medicamentos quimioterápicos e Raphael Veiga
Medicamentos quimioterápicos e Raphael Veiga

Era dezembro de 2024. Eu estava internado há quase um mês. Depois de uma cirurgia complicada no intestino, com a retirada de uma parte do segmento, ouvi do médico o que ninguém quer ouvir: era câncer.

Um adenocarcinoma de intestino delgado, nível 4. Potencialmente sem cura. Teria que conviver com a doença como algo crônico — e rezar para que não evoluísse.

Naquele dia, lembro bem: o medo tomou conta. Chorei muito. Lamentei. E, por incrível que pareça, o que veio à minha cabeça foram momentos felizes — as tardes no Allianz Parque, os encontros no clube social, as risadas com amigos palmeirenses. A notícia do médico doeu ainda mais porque, por alguns instantes, pensei que talvez nunca mais sentiria aquela alegria que só o verde do Palmeiras traz.

Comecei a quimioterapia. Vieram os efeitos colaterais, o cansaço, a dúvida. Mas junto deles veio também uma fé imensa — em Deus, na vida e em mim mesmo. A caminhada da cura me transformou. Aprendi a olhar o mundo com outros olhos, a valorizar o simples, a agradecer por cada manhã.

Três meses depois, fiz novos exames. E meu médico, sorrindo, me disse: “A doença regrediu. A quimioterapia está funcionando.” Em julho, veio a notícia que mudou tudo: entrei em remissão total.

Não havia mais nada. Era como se o câncer nunca tivesse existido.

A emoção foi indescritível — alegria, gratidão e uma vontade imensa de viver.

Com o fim da tempestade, voltei a me conectar com minhas paixões. Passei a aproveitar o futebol como nunca, assumi de vez o Portal do Palestra, comecei a gravar vídeos, a me soltar, a viver.

Quando a gente encara a morte de perto, aprende que viver é um presente sagrado — e que não dá pra adiar o que faz o coração bater mais forte.

Ontem, quando o Palmeiras foi marcando os gols da virada histórica contra a LDU na Libertadores, as lágrimas voltaram — mas, desta vez, de pura alegria. Cada gol era mais do que um grito de torcida: era uma celebração da vida. Era como se o Palmeiras estivesse jogando por mim também.
A cada bola na rede, eu lembrava da cama de hospital, das dores, das orações — e pensava: eu venci.

Se o Verdão for campeão ou não, será consequência.

Mas uma coisa é certa: a noite de 30 de outubro de 2025 ficará gravada para sempre na minha alma.
Porque ela representa tudo o que sou hoje — um homem curado, cheio de fé, cercado pela família, grato a Deus, feliz… e eternamente apaixonado pelo nosso querido Palestra Itália.

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Sobre o autor

Thiago Gomes é jornalista e editor-chefe do Portal do Palestra. Fundador do Palmeiras Online, ex-diretor do Palmeiras, administrador de empresas e especialista em marketing digital, acompanha e analisa o clube em texto e vídeo. Pelo Palmeiras, sempre!

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