
Em uma década, o Palmeiras investiu aproximadamente R$ 120 milhões na sua Academia de Futebol. O retorno: mais de R$ 2 bilhões em receitas com a venda de jogadores formados no clube — um retorno de 16 vezes sobre o capital aplicado. Nenhum outro ativo do Palmeiras gerou tanto dinheiro em tão pouco tempo.
O levantamento exclusivo do Portal do Palestra reúne, pela primeira vez de forma consolidada, cada transferência significativa de cria da Academia, o percentual que o Verdão reteve de cada negociação e o valor total acumulado — um número que coloca o clube alviverde entre os mais eficientes formadores de talentos do futebol mundial.
Quanto o Palmeiras lucrou vendendo jogadores da sua base?
O Palmeiras superou a marca de R$ 2 bilhões em receitas com vendas de atletas formados na Academia, segundo dados compilados pelo Portal do Palestra a partir de Transfermarkt, ESPN Brasil e registros do clube. A marca foi atingida com a venda de Vitor Reis ao Manchester City, em janeiro de 2025, pelo maior valor já pago por um zagueiro brasileiro na história do futebol mundial: € 37 milhões (cerca de R$ 232 milhões).
O número é ainda mais expressivo quando se considera que grande parte dessas vendas se concentrou nos últimos três anos — Endrick, Estêvão, Vitor Reis e Luís Guilherme somam mais de € 188 milhões apenas entre 2024 e 2025.
| Jogador | Destino | Ano | Valor bruto negociado | Participação PAL |
|---|---|---|---|---|
| Estêvão | ChelseaING | 2024 | € 61,5 mi€ 45 mi fixos + € 16,5 mi bônus | 70% dos direitos |
| Endrick | Real MadridESP | 2024 | € 60 mi+ € 12 mi em impostos bancados pelo Real | ~100% dos direitos |
| Vitor Reis | Manchester CityING | 2025 | € 37 miSem bônus — maior venda de zagueiro BR | ~100% dos direitos |
| Luís Guilherme | West HamING | 2024 | € 30 mi€ 23 mi fixos + € 7 mi bônus | ~70% dos direitos |
| Danilo | Nottingham ForestING | 2023 | € 20 mi | 80% dos direitos |
| Kevin | Shakhtar DonetskUCR | 2024 | € 15 mi€ 12 mi fixos + € 3 mi bônus | 70% dos direitos |
| Gabriel Veron | PortoPOR | 2022 | € 10,5 mi | Maioria dos direitos |
| Giovani | Al SaddQAT | 2023 | € 9 mi | Maioria dos direitos |
| Patrick de Paula | BotafogoBRA | 2022 | € 6 miPor 50% dos direitos econômicos | 50% dos direitos |
| Vitão | Shakhtar DonetskUCR | 2019 | € 4 miPor 60% dos direitos econômicos | 60% dos direitos |
Valores em euros na data de cada negociação. Percentuais conforme contratos informados pela imprensa.
Levantamento exclusivo Portal do Palestra · Dados até março de 2026.
Endrick e Estêvão: as duas vendas que redefiniram o futebol brasileiro
Nenhuma outra dupla de jogadores revelados pelo mesmo clube gerou tanto dinheiro em tão pouco tempo no futebol nacional. Endrick e Estêvão somam juntos mais de € 121 milhões em valores de venda — superando em comparações individuais gigantes históricos como Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho.
Endrick teve sua transferência anunciada em dezembro de 2022, quando ainda tinha apenas 16 anos. O Real Madrid pagou € 60 milhões pelo atacante — e ainda bancou € 12 milhões em impostos para garantir que o Palmeiras recebesse o valor líquido integral. A transferência foi a segunda maior venda de um jogador brasileiro da história, atrás apenas de Neymar (€ 86,2 milhões, do Santos ao Barcelona). Antes de partir para Madri em julho de 2024, ao completar 18 anos, Endrick ainda atingiu todas as metas de bônus previstas no contrato com o Verdão — gerando mais R$ 73,8 milhões ao clube.
Estêvão bateu seu próprio recorde: foi vendido ao Chelsea por € 61,5 milhões em junho de 2024, com 17 anos — tornando-se a maior venda da história do futebol brasileiro até aquele momento. O detalhe que poucos notaram: o Palmeiras negociou por € 16,5 milhões acima da multa rescisória de Estêvão, demonstrando poder de barganha raramente visto em clubes brasileiros. O Verdão detinha 70% dos direitos econômicos do jogador, retendo cerca de € 43 milhões da operação.
Segundo a CNN Brasil, o Palmeiras vendeu Estêvão por 175% acima do valor de mercado estimado pelo Centro Internacional de Estudos Esportivos (CIES) — a maior sobrevalorização já registrada para um jogador brasileiro.
Vitor Reis: o recorde que ninguém esperava
Em janeiro de 2025, o Manchester City anunciou a contratação do zagueiro Vitor Reis por € 37 milhões — valor fixo, sem bônus. O número quebrou o recorde mundial de maior venda de um zagueiro brasileiro, anteriormente pertencente a Lucas Beraldo (PSG, € 20 milhões).
Vitor Reis entrou na Academia do Palmeiras aos 10 anos de idade, em 2016, após passagem pela Academia R10, de Robinho. Em menos de duas décadas de vida, se tornou a terceira maior venda da história do Palmeiras, atrás apenas de Estêvão e Endrick.
Com a negociação, o Palmeiras ultrapassou oficialmente a barreira de R$ 2 bilhões em receitas acumuladas com vendas da sua base — a primeira vez que um clube brasileiro atinge esse número exclusivamente com jogadores formados internamente.
Leia também: Palmeiras: gastos e vendas em transferências por ano (2016–2025)
Quanto o Palmeiras investiu na Academia de Futebol?
O investimento do Palmeiras na base, ao longo da última década, gira em torno de R$ 120 milhões, segundo dados compilados pelo Portal do Palestra a partir de registros públicos e declarações de dirigentes. Boa parte da infraestrutura atual da Academia, que leva o nome da patrocinadora Crefisa, foi bancada pela parceria com a empresa de crédito — que injetou mais de R$ 1,2 bilhão no clube desde 2015, entre salários, infraestrutura e custeio operacional.
O resultado desse investimento é uma estrutura que o próprio Rodrygo, do Real Madrid, elogiou publicamente ao visitar o CT — comparando a qualidade das instalações ao centro de treinamentos do clube espanhol.
O cálculo é devastador para qualquer concorrente:
Nenhum clube brasileiro, e poucos no mundo, conseguiram transformar investimento em base em receita com essa eficiência.
A estratégia por trás da fábrica: como o Palmeiras montou isso
O Palmeiras não chegou a essa posição por acidente. Há uma arquitetura deliberada de gestão que explica os resultados — e que a imprensa tradicional raramente analisa de forma consolidada.
O efeito Abel Ferreira e a nova cultura de aproveitamento da base
Quando Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em outubro de 2020 — há mais de 5 anos —, o clube já tinha talentos na Academia. Mas foi sob seu comando que o processo de integração entre base e profissional ganhou sistematicidade. Endrick, Estêvão, Vitor Reis, Luís Guilherme e Kevin fizeram suas estreias profissionais com Abel no banco.
Mais do que escalar garotos, o treinador português construiu um ambiente de alta performance que valorizou cada jogador antes da venda — o que diretamente influenciou os valores obtidos nas negociações.
O modelo de direitos econômicos fracionados
O Palmeiras aprendeu a negociar os contratos de sua base de forma estratégica. Em vários casos, como Estêvão (70%), Kevin (70%) e Danilo (80%), o clube vendeu apenas parte dos direitos econômicos, garantindo participação em futuras valorizações.
No caso de Kevin, essa estratégia gerou receita adicional em 2025: quando o Shakhtar Donetsk o revendeu ao Fulham por € 40 milhões, o Palmeiras recebeu € 2,8 milhões de mais-valia (10% do lucro na operação), além de € 800 mil pelo mecanismo de solidariedade da FIFA — totalizando mais de R$ 86 milhões gerados por um único jogador ao longo do tempo.
A renovação de multas rescisórias
O episódio de Estêvão revelou outra prática que o Palmeiras adotou: atualizar agressivamente os valores de multa rescisória conforme o jogador se desenvolve. A Terra revelou que o Verdão aumentou a multa de Estêvão em R$ 174 milhões durante as negociações com o Chelsea — demonstrando capacidade de gestão contratual que vai muito além do campo.
O Palmeiras se compara a clubes europeus na formação de base?
A resposta, com base nos dados disponíveis, é sim — e em alguns aspectos, o supera.
O Palmeiras liderou o ranking de receitas com vendas de jogadores entre clubes brasileiros, com mais de R$ 1,1 bilhão em um período analisado pela Sportsvalue, à frente de São Paulo (R$ 1 bilhão) e dos demais concorrentes nacionais.
No cenário global, o clube alviverde integra um seleto grupo de formadores de talentos capazes de consistentemente vender jovens para o futebol europeu de elite — um grupo dominado historicamente por Ajax (Holanda), Benfica (Portugal) e pelos clubes franceses (Paris, Lyon, Monaco).
A diferença é que o Palmeiras faz isso sem contar com um mercado de transferências interno maduro como a Premier League ou a Ligue 1. Cada venda exige negociação intercontinental — o que torna os resultados ainda mais notáveis.
O saldo geral de transferências: Palmeiras entre os mais eficientes do mundo
O Portal do Palestra compilou o saldo completo de transferências do clube entre 2016 e 2025, com base em dados do Transfermarkt:
| Período | Receitas (€ mi) | Despesas (€ mi) | Saldo (€ mi) |
|---|---|---|---|
| 2016 | — | — | -9,90 |
| 2017–2021 | crescimento gradual | — | positivo |
| 2022 | Endrick + Gabriel Veron + Patrick | — | positivo |
| 2023 | Danilo (€ 20 mi) + Giovani (€ 9 mi) | — | positivo |
| 2024 | Estêvão + Luís Guilherme + Kevin + Artur | — | +33,11 |
| 2025 (recorde) | Vitor Reis (€ 37 mi) + outros | — | +46,05 |
| Total 2016–2025 | 407,26 | 243,19 | +164,07 |
O saldo positivo de € 164 milhões em dez anos coloca o Palmeiras entre os clubes financeiramente mais eficientes do planeta em gestão de elenco — não apenas entre os brasileiros.
Quem pode ser o próximo? A Academia segue abastecida
O ciclo não encerrou. A Academia do Palmeiras, segundo dirigentes do clube, mantém um pipeline ativo de talentos em formação. O modelo que produziu Endrick, Estêvão e Vitor Reis — captação precoce, desenvolvimento estruturado, valorização progressiva e venda estratégica — está institucionalizado no clube.
O clube investiu R$ 23,4 milhões no CT feminino em 2026, parte dos recursos viabilizados pelas próprias vendas da base, sinalizando que a filosofia de formação se expande para o futebol feminino — potencialmente criando um novo vetor de geração de receita nos próximos anos.
A fábrica não parou. Apenas trocou de turno.
Perguntas frequentes
Quanto o Palmeiras ganhou com a venda de Endrick ao Real Madrid?
O Palmeiras recebeu € 60 milhões de valor fixo pela venda de Endrick ao Real Madrid. O clube espanhol ainda bancou € 12 milhões em impostos para garantir o valor líquido ao Verdão — totalizando € 72 milhões na operação. Adicionalmente, cada gol e assistência de Endrick até 2030 gera bônus ao Palmeiras.
Qual foi a maior venda da história do Palmeiras?
A maior venda da história do Palmeiras foi a de Estêvão ao Chelsea, por € 61,5 milhões (€ 45 milhões fixos + € 16,5 milhões em bônus), anunciada em junho de 2024. O negócio superou a venda de Endrick ao Real Madrid (€ 60 milhões fixos) e tornou-se a maior negociação já feita por um clube brasileiro.
Quanto o Palmeiras investiu na Academia de Futebol?
O investimento do Palmeiras na base ao longo da última década é estimado em R$ 120 milhões, com grande parte da infraestrutura custeada pela parceria com a Crefisa. O retorno gerado com vendas de jogadores formados na Academia supera R$ 2 bilhões — um ROI de mais de 1.500%.
Quantos jogadores da base do Palmeiras estão em clubes europeus de elite?
Em março de 2026, ao menos três grandes ex-crias da Academia do Palmeiras atuam em clubes europeus de elite: Endrick (Real Madrid), Estêvão (Chelsea) e Vitor Reis (Manchester City/emprestado ao Girona). Danilo (Nottingham Forest) e Luís Guilherme (Sporting CP) também estão na Europa.
O Palmeiras é o clube que mais vendeu jogadores da base no Brasil?
Sim. O Palmeiras lidera o ranking de receitas com vendas de jogadores entre clubes brasileiros, com mais de R$ 2 bilhões acumulados — à frente de São Paulo, Santos e Flamengo, segundo levantamento do Portal do Palestra com base em dados da Sportsvalue e Transfermarkt.
Conclusão: uma vantagem competitiva que vai além do campo
O Palmeiras de 2026 não é apenas o clube mais vitorioso do Brasil na última década. É o clube que descobriu uma verdade fundamental que os outros ainda tentam assimilar: a base bem gerida é o maior ativo de qualquer clube de futebol moderno.
Enquanto rivais debatem modelos de patrocínio e buscam mecenas, o Verdão construiu uma fábrica. Uma fábrica de jogadores, de dinheiro e de poder de negociação que coloca o clube paulista em posição de competir de igual para igual com potências europeias — não apenas em campo, mas nas planilhas dos maiores clubes do mundo.
R$ 120 milhões investidos. R$ 2 bilhões retornados. E a linha de produção segue funcionando.
Este levantamento é uma produção exclusiva do Portal do Palestra. Dados compilados de Transfermarkt, ESPN Brasil, CNN Brasil, Lance!, Terra Esportes e declarações públicas de dirigentes. Valores em reais convertidos com base nas taxas de câmbio vigentes na data de cada transferência. Dados até março de 2026.
+ Siga-nos no X
+ Siga-nos no TikTok
+ Siga-nos no Instagram
+ Inscreva-se no YouTube
+ Inscreva-se no WhatsApp
+ Entre no canal do Telegram
+ Curta a página no Facebook
Veja mais notícias do Palmeiras, acompanhe os jogos do Verdão, história e títulos da Sociedade Esportiva Palmeiras.
O que você achou?
0 reaçõesCrie sua conta grátis para reagir e comentar as matérias.





